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Priscilla revela medos e desafios em 1º papel fixo no teatro: ‘Tive receio de não dar conta’

Protagonista em ‘Susi, o Musical’, artista também comentou temas que perpassam a obra, feminismo, autoestima e busca pela identidade

4 abr 2026 - 04h57
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Priscilla revela medos e desafios em 1º papel fixo no teatro: ‘Tive receio de não dar conta’:

Priscilla Alcântara, de 29 anos, começou a trabalhar muito jovem e nunca mais parou. De sua participação no Código Fama, que posteriormente lhe rendeu espaço no Bom Dia & Cia (SBT), à sua ascensão na música, com destaque nas paradas, ela construiu uma carreira sólida no universo da arte, dessas que atravessam gerações, que rompem barreiras e que, vez ou outra, ainda conseguem beber do ineditismo e proporcionar novas primeiras vezes.

Atualmente, poucos meses após iniciar sua trajetória no teatro musical durante a temporada de 'Wicked', Priscilla encara outro marco inédito em sua carreira como atriz: protagonizar ‘Susi, o Musical’. Em cartaz desde fevereiro de 2026, ela afirmou, em entrevista exclusiva ao Terra, que sentiu receio de manter a carreira de atriz e de cantora, mas que, como outras mulheres que admira, encontrou forças para “equilibrar os pratinhos”.

“Eu fiz TV por um longo período e, na época, consumia muito do meu tempo, eu só consegui focar na música depois que eu saí da TV. Então, querendo ou não, havia um receio em mim de: ‘Será que eu dou conta de conciliar dessa vez duas carreiras?’. Mas, assim, com certeza já está tudo organizado na minha cabeça, tudo é possível, principalmente para a mulher, que é um ser de força, capacidade, que faz tantas coisas e faz bem. Hoje, só por ser mulher, eu já tenho certeza de que eu daria conta, sabe?”.

A seguir, confira a entrevista do Terra com Priscilla Alcântara sobre ‘Susi, o Musical’ na íntegra:

Terra: Como foi a preparação para a peça?

Priscilla Alcântara caracterizada como Susi
Priscilla Alcântara caracterizada como Susi
Foto: Reprodução | Instagram

Priscilla: "Muito desafiador, muito divertido também, porque teve toda a questão de, primeiro de tudo, descobrir o corpo dessa boneca, né? Como que a gente imprime essa coisa da boneca no corpo humano e quais eram as nuances, a movimentação, foi um processo muito legal de descobrir como é o corpo, como a boneca fala, como ela se movimenta, o que foi um baita desafio também. E também entender como ela mostraria os seus sentimentos, como que a gente conta o que ela pensa, o que ela sente, porque ela é só uma boneca, mas ali na peça ela não é só uma boneca".

Terra: Atuar em Wicked te ajudou com Susi?

Priscilla: "Wicked foi uma participação especial, muito rápida. Mas foi ali que eu tive certeza que eu teria que dizer 'sim' a esse novo momento, porque era o que eu realmente sentia de fazer, o que eu quero fazer. E não só a atuação no cenário de musical, mas do audiovisual também, sempre quis. Mas eu tinha um pouco de receio de caminhar com alguma coisa em paralelo à música, o que definitivamente não tenho mais, porque existem tantas mulheres com carreiras em paralelo. E eu vou ser mais uma delas. Vou me divertir fazendo arte de todos os jeitos. A participação no Wicked serviu para virar essa chave na minha cabeça e eu mergulhar com tudo. Foi o meu primeiro papel fixo, né? E acho que a minha participação no Wicked foi o pontapé, digamos".

Terra: Me fala mais sobre esse receio.

Priscilla: "Eu fiz TV, na época, consumia muito do meu tempo, só consegui focar na música depois que eu saí da TV. Querendo ou não, havia um receio de: será que eu dou conta de conciliar dessa vez duas carreiras? Mas, com certeza já está tudo organizado na minha cabeça, tudo é possível, principalmente para a mulher. A mulher, a força da mulher, a capacidade da mulher de fazer tantas coisas de uma vez e bem, então só de ser mulher eu já tenho certeza de que eu daria conta, sabe?".

Terra: ‘Susi’ fala sobre identidade, em quais momentos você descobriu a sua?

Priscilla Alcântara durante sua infância
Priscilla Alcântara durante sua infância
Foto: Reprodução | Instagram

Priscilla: "Acho que em alguns momentos. Acho que um grande momento para mim foi realmente quando eu saí da televisão. Na TV, eu estava sempre dentro de um contexto específico, dentro de um roteiro, de um figurino específico, e, quando eu saí, pude realmente mostrar várias características, posicionamentos meus, que não tinham espaço na TV. Ali foi um grande momento dessa virada de chave, de deixar o público me conhecer, conhecer meus pensamentos, aquilo que eu gosto, o que eu não gosto, o meu jeito. Com certeza, acho que nesse ciclo que se encerrou foi um ótimo momento pra eu realmente ter a coragem de expor pras pessoas quem eu realmente era".

Terra: A peça fala também de autoestima, quais mensagens você destaca?

Priscilla: "A peça fala muito de autoestima, uma cena mostra a Susi naquele conflito quando vê a Bárbara toda ali impecável em um padrão de estética irreal para a maioria das mulheres. Acho que essa temática da autoestima vem muito para esse lugar, não só de se sentir bem consigo, mas de assumir realmente quem você é, sem se comparar com quem tá do lado".

Terra: Feminismo também é algo no texto, como é essa pauta na sua vida?

Priscilla: "A partir do momento que eu me vejo mulher, eu estou para e por outras mulheres, obviamente, o feminismo é uma pauta muito ativa na minha vida, não só publicamente, mas no meu dia a dia também. Pelas mulheres que me rodeiam, pelas histórias de mulheres que vêm ao meu encontro".

"E tem, de fato, essa nuance na peça, quando a gente fala muito sobre a [chegada] da Susi, como ela trouxe a possibilidade das meninas terem uma profissão e não só brincarem de ser mamãe, daquele bebezão. [O brinquedo] Susi veio numa época em que esse pensamento era difícil para as pessoas aceitarem, da autonomia da mulher, da liberdade, e ela vem sendo tudo que ela queria ser. Acho que essa mensagem que ela vem atravessando nas meninas e que com certeza colabora muito para a mensagem que a gente levanta até hoje".

Terra: Alguma cena te impactou de alguma forma?

Susi e Barbara em cena
Susi e Barbara em cena
Foto: Reprodução | Instagram

Priscilla: "Tem algumas, eu, como atriz, interpretando a Susi e estando na cabeça dela, acho que penso muito quando a Olga, que é a dona da Susi, começa a ver a Susi fisicamente. Na cena, a Susi está toda vestida de rosa, porque ela estava tentando se parecer com a Bárbara, e aí começa o discurso da Olga, tipo:  'Por que você está com essa roupa? E ela fala: 'As meninas gostavam de você do jeito que você era'. E ela começa a enaltecer e vai tirando aquela roupa rosa da Susi, e acho que ali a Susi vê primeiro a vergonha e depois a ficha dela cai: 'Por que eu 'tô' tentando parecer uma coisa que eu não sou?'. É um momento tão breve que a Susi não tem nem fala ali, ela só escuta, e é aí que a chave vira. Eu acho que é um momento muito emocionante, sempre fico com o olho lacrimejando",

Terra: Qual o maior desafio técnico da peça?

Elenco de Susi, o Musical reunido
Elenco de Susi, o Musical reunido
Foto: Reprodução | Instagram

Priscilla: "Eu acho que, na verdade, eu, como intérprete, tenho muito como prioridade o som. A afinação, a performance do tom da voz, o timbre,  a textura, então o som da voz é o ponto central. No musical, o ponto central não é o som, é a palavra".

"Eu precisei estudar e separar na minha cabeça a Priscilla cantora da Priscilla atriz de musical, porque são formas de cantar diferentes, não no sentido de timbre, absolutamente não, mas onde você coloca o seu foco. Foco é a palavra, a gente coloca um som na palavra, mas o foco é a palavra. E às vezes, cantando no palco ou até no estúdio, meio que não importa o que você fale, importa o som que você está ouvindo".

"Então tem várias músicas que a gente ouve e, às vezes, eu falo: 'meu Deus, não entendi nada', mas eu ouço porque a voz está linda e quem me emociona ali é o som. Já no teatro não pode ser assim, a pessoa tem que entender a palavra, por mais que isso não prejudique, por mais que, sei lá, às vezes atrapalhe o som, tipo: ah, essa nota aqui eu não cheguei', mas eu falei, a palavra chegou nas pessoas, esse foi um grande desafio".

"Até hoje eu fico me tremendo e pensando: 'O que importa é a palavra', mas justamente por eu ser muito perfeccionista é que eu me dedico muito para não errar em nada. Nem na nota, nem na palavra. O meu objetivo é sempre esse. Mas eu já entendi que no musical é sobre a palavra que está sendo dita, é ela que tem que chegar ali na poltrona, na pessoa que tá ali assistindo".

Terra: O que gostaria que o público entendesse ao sair da peça?

Elenco de Susi, o Musical reunido
Elenco de Susi, o Musical reunido
Foto: Reprodução | Instagram

Priscilla: "Eu acho que é literalmente sobre a coragem de ser quem você é. A gente fala muito sobre isso. E também fala sobre o quanto o tempo passa rápido e, já que ele passa tão rápido, vamos viver do melhor jeito, e o melhor jeito é sendo quem a gente é. Sem perder tempo tentando buscar ser como o outro ou buscar o que é do outro, mas descobrindo quem você é, assumindo isso, construindo ali seu próprio caminho, sua própria trajetória. Essa mensagem eu sei que ela fica muito evidente, muito clara, assim, durante todo o espetáculo, se a galera sair com isso em mente, a gente cumpre o nosso papel".

Fonte: Portal Terra
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