Primoroso 'Paper Tiger' de James Gray é forte candidato à Palma de Ouro
O filme americano Paper Tiger, de James Gray, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, estreou no sábado (16) no Festival de Cannes. Estrelado por Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson, o thriller sobre dois irmãos que perseguem o sonho americano e acabam envolvidos com a perigosa máfia russa foi aplaudido por mais de sete minutos.
Adriana Brandão, enviada especial a Cannes
Aplausos merecidos. A direção de Paper Tiger é primorosa e a interpretação, impecável. Gray retorna com o longa a seus temas favoritos: família, lealdade e personagens confrontados com escolhas impossíveis. A história mantém um bom equilíbrio entre ação e drama familiar, com ares de tragédia grega. O longa começa com uma citação de Agamêmnon, de Ésquilo: "Basta prudência para evitar a desgraça".
Prudência é o que falta na trama de "Paper Tiger", que deveria ser uma continuação do autobiográfico Armageddon Time, de 2022, mas acabou ficando mais ficcional. No thriller, que se passa em Nova York em 1986, dois irmãos perseguem o sonho americano e acabam envolvidos com a perigosa máfia russa. A dimensão da tragédia fica ainda mais evidente quando se lembra que James Gray vem de uma família judia, que fugiu dos massacres antissemitas na Rússia na virada do século 20.
Adam Driver interpreta Gary, um ex-policial do NYPD, que propõe ao irmão engenheiro Irwin (Miles Teller) a criação de uma empresa de consultoria para apoiar uma companhia encarregada de despoluir um canal da cidade. Dois personagens opostos, mas ligados por um vínculo familiar forte. Eles acabam entrando em um ciclo fatal até chegarem a uma situação inextricável. Scarlett Johansson vive Hester, a mulher de Irwin.
James Gray, que cresceu em Nova York, aborda um tema que conhece intimamente e que já havia tratado em vários de seus filmes, como "Little Odessa". O diretor americano, que disputa pela sexta vez a Palma de Ouro, nunca levou o prêmio máximo do Festival de Cannes, mas, com "Paper Tiger", se impõe como um dos fortes candidatos este ano.
Tapete vermelho
As presenças de Gray e dos astros Adam Driver e Miles Teller no tapete vermelho de Cannes causaram sensação. Scarlett Johansson, que está rodando um reboot de "O Exorcista", não pôde vir a Cannes. O diretor James Gray ligou para ela no momento do standing ovation após a estreia, mas Johansson não respondeu à ligação.
A participação de Hollywood nesta 79ª edição é discreta. Apenas dois filmes americanos estão na competição oficial, mas são considerados independentes. Além de "Paper Tiger", "The Man I Love", de Ira Sachs, com Rami Malek e com roteiro do brasileiro Maurício Zacharias, estreia em Cannes no dia 20.
Nesta edição, grandes estúdios de Hollywood como Universal, Disney, Warner, Sony e Paramount não apresentam nenhum filme novo na Croisette, como fizeram em anos anteriores, aparentemente por uma estratégia de racionalização de promoção.
Ao anunciar os filmes da seleção em abril, o diretor-geral Thierry Frémaux explicou a ausência afirmando que "à margem do cinema dos estúdios, continua existindo um cinema independente, um cinema fora de Los Angeles".
Filmes de domingo
Neste domingo (17), mais três filmes estreiam na competição. "Moulin", do húngaro László Nemes, retraça a prisão de Jean Moulin em 1943. O chefe da Resistência francesa é interrogado por Klaus Barbie, chefe da Gestapo de Lyon, em um confronto implacável contra a manipulação e a brutalidade.
A cineasta francesa Jeanne Herry apresenta "Garance", a história de uma jovem atriz alcoólatra. O longa de estreia da diretora na competição oficial é descrito como "um caos com ares de grande recreio", onde se misturam tanto amor quanto destruição. "Garance" é estrelado por Adèle Exarchopoulos.
O sul-coreano Hong Jin-na também participa pela primeira vez na disputa pela Palma de Ouro. Ele apresenta "Hope", nome de um vilarejo do interior da Coreia do Sul, ameaçado por incêndios florestais.
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