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Onde ver produções de artistas negros em São Paulo? Veja guia de espaços pela cidade

Além de exposições como a Dos Brasis, no Sesc Belenzinho, artistas se reúnem em coletivos como o Vilanismo para fortalecer a produção e distribuição dessas obras pela metrópole; conheça

4 out 2023 - 20h10
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Seja para apreciar quadros, esculturas, instalações artísticas, dançar, cantar ou assistir a projeções de obras audiovisuais, existem espaços em São Paulo que são desenvolvidos, administrados e frequentados, em sua maioria, por pessoas negras. São o que muitos chamam de quilombos urbanos, que, como reflexo da história, resistem a despeito da desigualdade que separa e marginaliza pessoas pretas há tanto tempo.

Ancestralidade

Um dos pontos que os vilões, como eles se chamam, defendem é a valorização de outros artistas pretos que vieram antes deles, que construíram caminhos que, de alguma maneira, facilitam a trilha deles no mundo da arte. "Talvez iniciar um movimento de coletivo de homens homens pretos na arte contemporânea é também dar sequência a esse trabalho já arquitetado por feministas e artistas negras", lembra Carinhoso, 25, outro membro da fraternidade. "Este é um espaço que a gente constrói de proteção das nossas vidas também", pontua.

Além disso, é uma forma de celebrar a produção de artistas pretas e pretos. "A gente está tendo uma possibilidade bacana de viver isso em vida na Dos Brasis (em cartaz no Sesc Belenzinho). Tem muitos artistas que já estão com 60, 70 anos que vêm à exposição e a gente faz questão de agradecê-los e a primeira fala de alguns deles é que nunca teriam a audácia de sonhar viver isso em vida e como ele se emocionam em estar vendo esse processo acontecer", continua Ramo.

Mais um lugar seguro

A Dos Brasis - Arte e Pensamento Negro, exposição citada por Ramo, é a maior feita com este objetivo no País reunindo mais de 240 artistas negros de todos os estados. É uma mostra abrangente que coloca um olhar sobre a produção negra brasileira sob curadoria de Igor Simões, em parceria com Lorraine Mendes e Marcelo Campos, três historiadores da arte pretos.

Aberta em agosto, a mostra em cartaz no Sesc Belenzinho (ver mapa) até 28 de janeiro é mais uma forma de olhar para estas obras de arte produzidas por pessoas pretas do País, que, em alguns casos, não estariam em galerias. O projeto começou em 2018. Ao longo desses anos, os curadores viajaram pelo Brasil para encontrar artistas, obras e fazer um trabalho de curadoria ativo, que também contou com uma residência formativa tanto para artistas quanto para outros curadores e educadores.

Foi nas viagens que os três conseguiram reunir as quase 400 obras em exposição. "Nós conhecemos esses artistas, estudamos eles e aprendemos muito mais com essas viagens", diz Simões ao explicar a forma como chegou aos expositores. "Acho que uma das nossas principais tecnologias sempre foi o associativismo", afirma.

O trio de curadores da 'Dos Brasis' da esquerda para a direita: Igor Simões, Marcelo Campos e Lorraine Mendes.
O trio de curadores da 'Dos Brasis' da esquerda para a direita: Igor Simões, Marcelo Campos e Lorraine Mendes.
Foto: Felipe Iruata/Estadão / Estadão

Da mesma forma que o Vilanismo associa a ideia de quilombos urbanos aos espaços artísticos negros da cidade, Simões fala que artistas pretos, que eles conheceram ao longo da jornada de curadoria, indicavam outros para que suas obras também fossem conhecidas. Isso explica a quantidade de expositores e de obras. "Óbvio que a gente sabe que é uma exposição de objetos artísticos, mas talvez por termos feito viagens, isso virou muito mais, a gente olha e sabe a história por trás desses objetos", comenta Simões.

"Essa exposição é sobre muitas coisas, mas ela é muito sobre esse Brasil que projeta, fabula, vive e celebra apesar de um projeto que nos quer subserviente e não protagonistas", diz Lorraine. O fato de ser um trio negro na curadoria conversando com artistas também negros ajuda a dar uma dimensão de ocupação poderosa.

As escolhas e até mesmo a disposição das obras nos ambientes expositivos demonstram um respeito pela criação e pelos criadores. A curadoria foi sensível ao querer contar também sua própria história. "A exposição reforça algo que se tornou incontornável: ela não lida com ideias de arte erudita, popular, espontânea, essas são invenções branco-brasileiras para hierarquizar a produção dos pretos", diz Simões.

"A exposição tem um programa educativo com ações voltadas para as comunidades do entorno, pensando questões raciais", continua o curador. A proposta curatorial escolheu romper com divisões como cronologia, estilo ou linguagem, comum em exposições. Os espaços expositivos contam com sete núcleos - Romper, Branco Tema, Negro Vida, Amefricanas, Organização Já, Legitima Defesa e Baobá - que têm como referência pensamentos de importantes intelectuais negros da história do Brasil como Beatriz Nascimento, Emanoel Araújo, Guerreiro Ramos, Lélia Gonzales e Luiz Gama.

Outro ponto que também conversa com a proposta do Vilanismo é a crença dos curadores de que a Dos Brasis não acontece apenas para "dar visibilidade à arte preta". Ela existe porque há uma demanda grande para isso. "Todo mundo vai se reconhecendo e, nesse sentido, a exposição chega com histórias que são também coletivas. Não à toa, hoje, você tem um público gigante em projetos racializados. Eles não são apenas uma pauta de contrapartida social, é o que está enchendo museus", encerra Campos.

Confira a lista com endereço de espaços em São Paulo para visitar e apreciar obras de artistas negros:

Temporários

  • Bienal de São Paulo: Pavilhão Ciccillo Matarazzo - Parque Ibirapuera
  • Dos Brasis: Sesc Belenzinho - R. Padre Adelino, 1000 - Belenzinho
  • Karinganda: Sesc Bom Retiro - Alameda Nothmann, 185 - Bom Retiro

Fixos

  • Museu das favelas: Av. Rio Branco, 1269 - Campos Elíseos
  • Boteco da Dona Tati: R. Conselheiro Brotero, 506 - Barra Funda
  • Lateral Galeria de Arte: R. Dona Leopoldina, 618 - Ipiranga
  • Casa Cultural Hip Hop Jaçanã: R. Maria Amália Lopes Azevedo, 4180 - Vila Albertina
  • Casa do Hip Hop de Diadema: R. Vinte e Quatro de Maio, 38 - Jardim Canhema, Diadema
  • Ocupação Cultural Mateus Santos - Movimento Cultural Ermelino Matarazzo: Av. Paranaguá, 1633 - Jardim Belém
  • Aparelha Luzia: Rua Apa, 78 - Campos Elíseos
  • Galpão ZN: R. Severa, 212 - Vila Maria
  • Casa Preta Hub: Av. Nove de Julho, 50 - Bela Vista
  • Centro Cultural Casa de Angola em São Paulo: Av. Paes de Barros, 2324 - Parque da Mooca
  • Coletivo Vilanismo: Complexo Cultural Funarte SP - Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos
  • Okupação Cultural Coragem: Rua Vicente Avelar, 53 - Cohab 2 - Itaquera
  • Centro Cultural Afrika: R. Maj. Diogo, 518 - Bela Vista
  • Casa Mestre Ananias: R. Conselheiro Ramalho, 939 - Bela Vista
  • Centro de Culturas Negras do Jabaquara Mãe Sylvia de Oxalá: R. Arsênio Tavolieri, 45 - Jabaquara

*Este conteúdo foi feito em parceria com o Coletivo Vilanismo

Estadão
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