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O membro do BTS que elogiou J. Cole após lançamento de 'The Fall-Off'

J-Hope do BTS parabeniza rapper durante livestream de aniversário e relembra parceria de 2023

22 fev 2026 - 14h12
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Duas semanas após J. Cole lançar The Fall-Off — sétimo e presumivelmente último álbum de estúdio — uma mensagem de parabéns veio de lugar inesperado: Coreia do Sul. Durante livestream de aniversário na quarta, 18 de fevereiro, membro de um dos maiores grupos K-pop do mundo dedicou minutos para elogiar rapper de Fayetteville, declarando-o "GOAT" (Greatest Of All Time, ou "melhor de todos os tempos" em tradução livre) e celebrando qualidade do novo projeto. "Parabéns pelo álbum, Cole hyung. Álbum foi louco de verdade! Você sempre será meu GOAT. Obrigado, irmão, muito amor pra você", disse J-Hope, integrante do BTS.

Fotos: Edward Berthelot/Getty Images e Prince Williams/WireImage
Fotos: Edward Berthelot/Getty Images e Prince Williams/WireImage
Foto: Rolling Stone Brasil

A relação entre J-Hope e J. Cole não é recente nem superficial. Em 2014, quando o BTS ainda estava construindo seu nome globalmente e era praticamente desconhecido fora da Ásia, J-Hope referenciou Cole em "Hip Hop Lover", faixa do grupo onde rimou em coreano sobre suas influências musicais. Na letra, o artista fez referência às mixtapes Cole World: The Sideline Story (2011) e Friday Night Lights (2010).

Admiração finalmente virou colaboração em 2023 quando J-Hope e J. Cole lançaram "On the Street", single que marcou encontro musical entre K-pop e hip hop americano. Faixa foi lançada enquanto J-Hope se preparava para cumprir serviço militar obrigatório na Coreia do Sul (ele foi dispensado recentemente e voltou à atividade), funcionando como presente para fãs antes de hiato. "Quando comecei a ouvir música, primeiro artista que escutei foi J. Cole. Poder trabalhar com J. Cole depois de 10 anos como fã, estou tão feliz. É tudo novo e ainda não consigo acreditar", declarou Hope durante making-of do vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=r6WbbU_lLCA

Sobre The Fall-Off

O conceito é simples, mas devastador: duas viagens que Cole fez para Fayetteville, North Carolina, sua cidade natal. Uma aos 29 anos, recém-saído de Nova York, com a fome ainda afiada. Outra aos 39, casado, pai de dois filhos, carregando a bagagem emocional de uma década inteira no topo. E cada uma delas se transformou em um disco (Disco 29 e Disco 39), que funciona como fotografias de um homem que voltou para casa, mas não é mais a mesma pessoa, e que descobriu da pior forma possível: você não consegue mais viver no lugar que te criou quando a fama te transformou em outra coisa.

O tema central atravessa o álbum inteiro: Cole sempre quis ser famoso, mas hoje quer voltar a sentir o que sentia no começo da carreira. A conexão com Fayetteville — carinhosamente apelidada de "the Ville" — se distanciou no meio do caminho. Não por falta de amor, mas porque o sucesso cria esse espaço. Ele volta, mas as pessoas que ficaram não vivem mais a mesma realidade. Os amigos estão presos, mortos, ou olham pra ele como celebridade em vez de Jermaine. Ele frequenta os mesmos lugares, mas agora precisa calcular cada movimento por medo de violência ou de virar manchete. E nada disso é culpa da cidade. É culpa do que ele se tornou. Essa tensão — querer pertencer, mas não conseguir mais — é o motor que faz The Fall-Off funcionar como narrativa completa. E Cole aceitou, e é isso que torna o álbum maduro.

The Fall-Off é um clássico instantâneo, quase perfeito. Com 2014 Forest Hills Drive (2014) e o conceitual 4 Your Eyez Only (2016), forma a tríade definitiva da carreira de J. Cole. É ambicioso. É denso. Tem muita coisa pra digerir. Mas cada audição revela uma nova camada, um novo detalhe, uma nova conexão entre músicas que pareciam soltas, mas, na verdade, estão amarradas. A saída dele da briga Kendrick-Drake não agradou ninguém — tirando ele mesmo. E isso fez bem. Deixou ele focar no que sempre foi melhor: rap introspectivo, honesto, tecnicamente impecável, que não tenta impressionar a indústria, mas sim fazer as pazes com o homem no espelho. Não acredito que The Fall-Off seja o último álbum de Cole. Mesmo assim, se ele estiver falando a verdade, estamos diante de uma obra que tem tudo para envelhecer bem, que será revisitada, estudada e referenciada. Foram dez anos que valeram a pena.

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