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O grande erro que músicos de rock cometem, segundo Kiko Loureiro

Ex-guitarrista de Angra e Megadeth apresenta uma visão de mercado e indústria que considera ainda não ser tão recorrente no Brasil

25 jun 2025 - 11h34
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Kiko Loureiro em 2022
Kiko Loureiro em 2022
Foto: Emma McIntyre / Getty Images for SiriusXM / Rolling Stone Brasil

Kiko Loureiro, um dos membros fundadores do Angra e com passagem recente pelo Megadeth, vive de música há cerca de 30 anos. Naturalmente, conhece os meandros da indústria, para o bem e para o mal.

Em participação recente no podcast Plugado (via Mundo Metal), o guitarrista foi questionado sobre quais os principais desafios para artistas brasileiros, em especial no rock. Para ele, o grande entrave seria a própria mentalidade de alguns músicos, que supostamente não estão interessados no "business" que envolve o processo como um todo.

Kiko argumenta:

"Hoje acontece bem menos porque tem mais informação, mas a primeira coisa é o cara entender que ele tem que falar de dinheiro e de negócio também. Não vai ser assim: 'Sou artista e minha arte não envolve negócio, não quero me misturar com isso'. Sempre gostei de ver os caras lá de fora com esse conhecimento, e você traz isso pro Brasil e fica meio fora da bolha."
Kiko Loureiro -
Kiko Loureiro -
Foto: Elsie Roymans / Getty Images / Rolling Stone Brasil

Kiko acrescenta a percepção de que esse envolvimento entre músicos e negócios é mais comum e recorrente no exterior, mas não tanto no Brasil. Há até uma espécie de 'preconceito" na cena nacional quando o assunto surge.

"Quando você fala disso aqui, parece que você é o cara que: 'Ah, tá querendo pegar dinheiro, mercenário'. Como você lida com o empresário do mundo da música? Um cara de gravadora, de uma marca de guitarra, um promotor? Esses caras estão falando de negócios. A língua que eles falam é de negócios. Se você não fala essa língua, você não fala com eles e eles não te chamam também."

As consequências de pensar também no business

Para se desenvolver como artista, Kiko defende a tese de que é fundamental o músico saber lidar com empresários e pensar no lado financeiro de sua arte, não ficando alheio a esse aspecto da indústria:

"Quando você começa a falar a língua do negócio, 'qual o nosso acordo aqui pros dois ganharem?', eles querem trabalhar mais com você porque você fala a mesma língua. Percebi isso fazendo. E ninguém vai fazer por você também. O Brasil não tem uma estrutura em que: 'Olha, tá cheio de empresário, tá cheio de gente querendo investir'. Não tem! Ainda mais nesse estilo que a gente faz (heavy metal)."

Assunto recorrente na carreira

De forma frequente, Kiko Loureiro aborda a parte empresarial da música em entrevistas e até algumas de suas atividades. Após ter dado palestras sobre o tema, o guitarrista lançou em 2021 o livro Negócios para criativos.

Na obra, o músico afirma ter o objetivo de estimular quem almeja trabalhar com o que realmente gosta. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Loureiro afirma ter escrito o livro durante um cruzeiro temático do Megadeth e em meio a uma turnê de 40 datas do grupo. Ele reflete:

"Fazer heavy metal no Brasil nunca foi fácil, e viajando para o exterior fui me deparando como funciona o music business. Entendi que é necessário para a carreira do artista e fui me interessando pelo assunto. Nos meus workshops os músicos nunca me perguntavam sobre como funciona a indústria da música. Ou seja, o cara gosta da coisa, mas não quer saber como funciona a profissão."

E complementa:

"Os artistas sempre precisaram fazer coisas paralelas; desde quem cuidava das regravações dos Beatles, por exemplo, ou do merchandise das bandas, das biografias dos músicos. O próprio Dave Mustaine [líder do Megadeth] manja muito de music business; ele sabe tudo do assunto."

Kiko Loureiro atualmente

Após deixar o Megadeth, Kiko Loureiro voltou as atenções para sua carreira solo. Ele lançou o álbum Theory of Mind em outubro de 2024 e saiu em recente turnê pelo Brasil tendo como convidado Marty Friedman, guitarrista que também já tocou na banda americana de thrash metal.

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