'Michael': o que é real e o que foi mudado no filme do Rei do Pop
A cinebiografia Michael, sobre Michael Jackson, chegou aos cinemas como um fenômeno global. O filme teve forte desempenho nas bilheteiras, mas também levantou dúvidas sobre o que é fiel à história do artista.
O que o filme mostra e o que muda
O longa arrecadou cerca de US$ 97 milhões nos Estados Unidos e aproximadamente US$ 217 milhões no mundo no primeiro fim de semana. O resultado superou outras cinebiografias musicais, como Bohemian Rhapsody e Straight Outta Compton.
Apesar do sucesso, a recepção da crítica foi dividida. Apenas 38% das avaliações foram positivas no Rotten Tomatoes, enquanto o público reagiu melhor, com nota "A-" no CinemaScore.
Com orçamento próximo de US$ 200 milhões, o filme passou por mudanças nos bastidores. Entre elas, refilmagens após questões legais envolvendo o espólio do cantor.
O pai de Michael era violento?
O filme mostra conflitos entre Michael e o pai, Joseph Jackson, interpretado por Colman Domingo.
Na vida real, há versões diferentes. Michael acusou o pai de agressões físicas com objetos como cintos. Já Joseph admitiu punições, mas negou agressões diretas.
O longa também retrata o pai fazendo comentários sobre a aparência do filho. No entanto, há relatos de que apelidos vinham dos irmãos, não necessariamente dele.
Michael rompeu com o pai?
No filme, a ruptura entre pai e filho é mostrada de forma direta. Na prática, isso não aconteceu exatamente assim.
Joseph continuou envolvido na carreira do filho por um período. Ele chegou a contratar empresários para ajudar na gestão no início dos anos 1980.
Depois, Michael passou a trabalhar com outros profissionais, como Frank DiLeo, ligado à Epic Records.
Fatos curiosos mostrados no filme
Alguns elementos apresentados na história têm base real, mas com adaptações. Entre eles:
- Michael teve animais exóticos, incluindo o chimpanzé Bubbles.
- Ele permaneceu na casa da família mesmo após o sucesso de Thriller.
- Visitava hospitais e fazia doações durante turnês.
Esses pontos aparecem no filme, ainda que com simplificações narrativas.
Michael uniu gangues em Los Angeles?
O filme sugere que o cantor teve papel direto na união de gangues. Na prática, isso aconteceu apenas em parte.
Para o clipe de "Beat It", Michael pediu um conceito inspirado em Amor, Sublime Amor. A produção reuniu membros das gangues Crips e Bloods.
Cerca de 80 integrantes participaram das gravações. No entanto, não há confirmação de que o cantor tenha feito recrutamento direto, como o filme sugere.
Polêmica com a MTV e "Billie Jean"
Outro ponto abordado envolve a exibição de "Billie Jean" na MTV.
Walter Yetnikoff, então chefe da CBS Records, afirmou que pressionou a emissora para exibir o clipe. Já executivos da MTV negam essa versão e tratam o caso como "folclore".
De qualquer forma, a música estreou na emissora em 1983 e ajudou a ampliar o espaço de artistas negros na programação.
O acidente com fogo no cabelo
O filme também retrata o acidente durante um comercial da Pepsi, em 1984.
O episódio aconteceu de fato. O cabelo de Michael pegou fogo durante as gravações e foi apagado rapidamente.
Após o acidente, o cantor recebeu uma indenização de US$ 1,5 milhão. O valor foi doado para a criação de um centro de tratamento para vítimas de queimaduras.
O filme evita polêmicas?
Sim. A narrativa termina em 1987, com o lançamento do álbum Bad. O longa não aborda as acusações que marcaram os anos finais da carreira do artista.
O roteiro original incluía essas questões, mas precisou ser alterado após restrições legais. As mudanças resultaram em refilmagens que custaram entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões.
Assim, Michael apresenta uma versão parcial da história. O filme combina fatos reais com adaptações, focando principalmente no auge da carreira do Rei do Pop.
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