'O Diabo Veste Prada' vira musical com Claudia Raia no papel de Miranda Priestly; veja detalhes
'O Diabo Veste Prada - Um Novo Musical' estreia em fevereiro de 2027 no Teatro Santander, em São Paulo
Claudia Raia nem tinha completado 10 anos quando, após uma apresentação de dança, foi convidada pelo estilista e apresentador Clodovil Hernandes para ser modelo mirim. A altura elevada para a idade e a desinibição foram decisivas. "Foi meu primeiro contato com a moda, uma atividade com a qual sempre me identifiquei", conta a atriz e produtora que, aos 59 anos, prepara-se para voltar ao mundo fashion no espetáculo O Diabo Veste Prada - Um Novo Musical, que estreia em fevereiro de 2027 no Teatro Santander, em São Paulo.
Ela vai interpretar Miranda Priestly, temida editora-chefe da Runway, a mais importante revista de moda de Nova York. O anúncio oficial dos protagonistas do musical ocorre nesta sexta-feira, 24, com o lançamento de um teaser cinematográfico do espetáculo, e o Estadão antecipa os nomes: além de Cláudia, estão no elenco Myra Ruiz como a jornalista iniciante Andy Sachs, Bruna Guerin no papel da ajudante de Miranda, Emily Charlton, e Maurício Xavier como o braço-direito da publisher, Nigel Kipling. A direção artística será de José Possi Neto.
Inspirado no best-seller de Lauren Weisberger e no filme de 2006, que ganha sequência nos cinemas a partir do dia 30, o espetáculo, que conta com trilha sonora original de Elton John, acompanha a chegada da iniciante Andy à redação da Runway. Sem experiência no mundo da moda, ela logo enfrenta problemas com o perfeccionismo de Miranda, a megera fashion que dita regras no mundo da alta costura. Na tentativa de impressionar e provar seu valor, ela conta com a ajuda nem sempre benéfica de Emily e Nigel.
"Miranda é um exemplo de mulher líder, dona da própria opinião, que usa uma força masculina para se impor", comenta Cláudia, que não demorou a aceitar a proposta de protagonizar o musical. "Será a primeira vez que não produzo um espetáculo do qual participo. Mas não tive como declinar o convite. Viver a mesma personagem que Meryl Streep interpretou no cinema é desafiador."
Inspirada em Anna Wintour, que foi editora-chefe da Vogue América, a personagem tornou-se marco na carreira da atriz norte-americana, que utilizou seu vasto repertório cênico para garantir a excentricidade de Miranda, como olhares reprovadores e frases cortantes ditas em tom frio e baixo. "Isso funciona no cinema, mas não em um musical, no qual a dimensão é dez vezes maior", comenta Claudia. "Meu desafio será reproduzir o mesmo minimalismo e frieza da Meryl, mas sem desaparecer no palco enorme. Por isso que minha interpretação, e também os penteados e os figurinos, terão de ser mais exuberantes."
Produtora do espetáculo, Renata Borges Pimenta concorda. "O diferencial dessa produção, além do elenco, vai ser o figurino, que terá um orçamento muito grande, que normalmente dedico ao cenário. Será um exemplo de alta costura", diz ela, da Touché Entretenimento, que divide a produção com a Artnic. Renata não cita valores, mas o projeto foi inscrito nas leis de incentivo com orçamento previsto de quase R$ 15 milhões.
Apesar de seu jogo de poder movido por atitudes hoje consideradas pouco louváveis, Miranda não é considerada uma vilã pelos artistas. "É uma mulher extremamente exigente, que poderia melhorar em algumas abordagens, mas, naquela época, o sistema a teria engolido se amenizasse", pondera Renata.
"Vivemos hoje no mundo dos vilões", acredita Possi Neto. "O recente sucesso da personagem Odete Roitman, da novela Vale Tudo, me fez pensar que os vilões passaram a ser o grande modelo, enquanto o mocinho se tornou um otário. Na realidade, é uma metáfora da política atual, marcada por escândalos de corrupção."
Vítima do olhar crítico da editora-chefe, a novata Andy logo descobre a vantagem da situação. "No início, ela acredita que a informação jornalística é mais importante, até pegar gosto pela vaidade, que muda sua vida, a ponto de se afastar de amigos que deixam de atender às suas expectativas de vida", afirma Myra Ruiz, atualmente em cartaz em São Paulo como uma das Fionas de Shrek - O Musical.
As duras atitudes de Miranda, que hoje beirariam o assédio moral, são um problema sem fim, no entendimento da atriz. "Na época em que se passa a história, início dos anos 2000, não havia compliance para onde Andy poderia recorrer. Mas, mesmo com a evolução nas normas de relacionamento profissional, ainda há muito jogo de poder, com chefes tóxicos e funcionárias vítimas de assédio. Por outro lado, a dureza no tratamento pode nem sempre ser maléfica porque a outra pessoa pode te ensinar coisas de uma forma mais rígida."
Idêntica carapaça exibe Nigel, fiel escudeiro de Miranda, cujo silêncio revela um amplo conhecimento das fofocas do ambiente. "É o profissional que assessora um local ao mesmo tempo viciante e encantador, luxuoso", comenta Mauricio Xavier. "Como tem acesso aos bastidores, Nigel precisa administrar tanto o mundo da fachada como o dos segredos em respeito a Miranda. Daí a necessidade de ser muito discreto."
Já Emily, no entender de Bruna Guerin, desponta como alívio cômico do musical por conta de sua tortuosa trajetória. "Sinto um certo cansaço nela", afirma. "A trajetória de Emily é marcada por uma sequência de perdas: a admiração da Miranda, o controle da situação. Com o tempo, ela deixa de ter o frescor que a moda exige, o olhar para o novo que perdeu para a obviedade. Emily luta para encontrar a própria identidade e nisso é patética e engraçada."
Já o humor de Miranda Priestly está, segundo Cláudia Raia, no sarcasmo. "Ela é muito ácida, mas com suavidade. Não é uma ácida agressiva. O pulo do gato está em encontrar essa suavidade dentro de uma liderança absurda. Uma fórmula que me lembra o humor do Miguel Falabella", afirma a atriz, ciente ainda do olhar certeiro com que Miranda examina o mundo que a cerca.
A cena lembrada é uma das mais famosas do filme, quando Andy, vestindo um suéter azul, ironiza os desfiles em passarelas. Em resposta, Miranda conta como aquela cor nasceu na alta costura, passou pelas maisons até chegar às lojas populares, onde ela certamente comprou a blusa. "É uma bela reflexão sobre economia e comportamento no consumista mundo moderno", comenta Claudia.
O restante do elenco de O Diabo Veste Prada - Um Novo Musical será definido em maio, quando ocorrem audições no formato de passarelas. A divulgação do espetáculo conta também com vídeos curtos para a internet em que celebridades como Paolla Oliveira, Taís Araújo e Reynaldo Gianecchini relembram uma suposta experiência sobre o comando de Miranda Priestly. O musical ainda entra no calendário de comemorações dos dez anos do Teatro Santander.
Já a aguardada sequência O Diabo Veste Prada 2, que estreia dia 30 de abril nos cinemas, acompanha crises de Miranda com a profissão passados 20 anos do final da primeira história. Mudanças no mercado da moda e principalmente na forma como hoje as notícias são consumidas provocam atritos entre ela e Andy, agora dona de um alto cargo na Runway e responsável por decisões que impactam a vida de sua ex-chefe.
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