V, do BTS: 'Dei tudo de mim para criar este álbum'
O vocalista do BTS fala sobre futuros trabalhos solo, ser o membro mais forte do BTS, lidar com os egos do grupo e muito mais
V passou grande parte da infância com sua avó em Geochang, uma pequena cidade no sul da Coreia do Sul. De lá, trouxe um gosto por músicas mais antigas, de Chet Baker a Frank Sinatra e Elvis Presley, além de uma aura melancólica e intensa que se destaca entre seus colegas de banda. Ele tem uma voz à altura disso: um barítono esfumaçado que solta em seu EP de estreia cheio de atmosfera, Layover. Ele sempre foi um elemento essencial no som do BTS e, em Arirang, suas contribuições como compositor incluíram faixas fundamentais como "Into the Sun". Ele parece discretamente confiante em relação a tudo isso, com exceção de sua dificuldade em alcançar notas agudas do tipo que surgem naturalmente para alguém como Jimin. "Eu fico mais na parte grave", diz, em uma entrevista de fevereiro realizada na sede da Hybe em Seul, Coreia do Sul. "Mas aprendi muito. Melhorei desde os nossos álbuns anteriores, mas isso sempre será um desafio para mim."
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Como você se sentiu em 2022, quando ficou claro que uma pausa estava chegando? Isso era tudo o que você conhecia há tanto tempo.
Bem, enquanto estamos no exército, não podemos nos apresentar, mesmo que queiramos. Então eu realmente senti muita vontade de me apresentar. Queria lançar um álbum, queria cantar e dançar. Eu definitivamente senti esse… desejo? Vamos chamar de desejo. Mas, como éramos necessários para o nosso país, tivemos que fazer o melhor possível com a situação naquele momento. Então me esforcei muito para esquecer o V do BTS por um tempo, para poder me concentrar em viver minha vida como Kim Taehyung.
Você disse que, após a dispensa, reconstruiu e reiniciou sua mente e seu corpo. O que isso significa para você?
Essa ideia era muito importante para mim. Eu sabia que meu tempo no exército seria bem longo, então pensei muito sobre como aproveitá-lo bem e não desperdiçá-lo. Antes de tudo, considerei meus valores e minha saúde. Tentei organizar e refletir bastante sobre meu mundo interior, olhando para mim mesmo e contemplando o tipo de pessoa que quero me tornar. Então, durante aquele ano e meio, treinei bastante. Li muito, ouvi muita música. E acho que isso me deu a oportunidade de reconstruir meu corpo e minha mente.
Qual foi a coisa mais importante que você leu?
Perguntei a um amigo: "Quero ler! Você tem algum livro para recomendar?" E ele ficou super animado e recomendou livros da Han Kang e do Keigo Higashino. Então foi basicamente isso que li. Também houve um livro chamado Eleven Steps. Era meio que um livro de filosofia. Mas, com todos esses livros, eu me via me colocando dentro do texto. Tipo, me imaginando como um personagem de um romance, por exemplo. Eu estava muito imerso na minha imaginação naquela época. Foi útil? Não tenho certeza.
O ARMY diz que você parece mais confiante. Você se sente assim?
É que… na verdade, percebi que, depois de treinar, eu pareço e me sinto diferente de quando não treinava, tanto por fora quanto por dentro. Então acho que tenho uma postura mais confiante.
Você é muito cuidadoso com sua música solo. Faz muitas músicas e depois não lança ou até apaga. O que significou finalizar Layover e colocá-lo no mundo?
Layover surgiu em um momento em que senti necessidade de olhar para trás na minha trajetória até então como V do BTS. A palavra "layover" pode significar uma parada entre destinos, mas, para mim, expressa que minha vida não é um caminho reto. Quero dizer: posso fazer esse tipo de música, mas também gosto de muitos outros estilos. Amo jazz, música clássica e até coisas mais alternativas, então quis compartilhar isso com o ARMY e com nossos ouvintes. Eu realmente amo música de todo o coração, e Layover é essa representação de mim.
O novo álbum do BTS é bem diferente do seu trabalho solo. Pensando nisso, quais eram seus objetivos pessoais para o álbum?
Primeiro e mais importante: não há uma única música neste álbum que não seja o meu estilo. Todas são o meu estilo e o tipo de música que sempre quis fazer. Acho que essa foi mais uma cor que quis explorar, em termos de gênero. Então dei tudo de mim para criar este álbum, e há muito amor nele. Este álbum Arirang, quero dizer.
Você tem um momento favorito — seu ou de outro membro — neste álbum?
Como trabalhamos em muitas músicas, houve várias que eu amava e que não foram escolhidas para o álbum. E, claro, tenho minhas favoritas entre as que entraram. Mas, mais do que tudo… mal posso esperar para voltar ao palco. Porque minhas músicas favoritas sempre mudam quando começamos a apresentá-las ao vivo.
Em um grupo de sete integrantes, há um limite de espaço sonoro. O ego entra em jogo — tipo "eu gostaria de aparecer mais nessa música" ou "essa música em que tenho mais destaque não entrou"?
Bom, acho que fiquei mais preocupado em conseguir fazer um bom trabalho. Porque, por mais que eu escute o que gosto, é completamente diferente performar isso eu mesmo. Então, mesmo que eu ame algo, preciso me esforçar muito para interpretar e reinventar de uma forma que faça sentido para mim. Mas, se eu tiver menos partes ou um papel menos central em uma música, não fico chateado com isso. Porque outro membro vai ocupar esse lugar. Eu me sinto… aliviado, de certa forma. A única coisa é que, se nós sete não nos encaixarmos bem, simplesmente deixamos a música de lado.
Acho que o grupo é bom em fazer todos se sentirem praticamente iguais.
Sim. E, como todos nós sete tivemos carreiras solo, o ego individual de cada um está mais forte agora. Achei que isso poderia mudar as coisas quando voltássemos a trabalhar juntos, mas, na verdade, nos potencializamos e acabamos fazendo um álbum melhor. Então tenho a sensação de que nosso trabalho está mais refinado do que antes.
Seria correto dizer que você não tem nenhum desejo de ser um astro pop solo?
Se eu não tiver nenhum desejo, então deveria parar de ser artista, não? Aprendi muito com [os outros membros] trabalhando neste álbum e tirei muito proveito de observar os caminhos deles. Aprendi muito mesmo. Então, quando chegar a hora de fazer meu próximo álbum solo, pretendo absorver os maiores pontos fortes de cada membro.
Eu gosto do som mais jazzístico em algo como a faixa solo "Winter Ahead", que é uma música muito bonita. Mas parece que você pode estar aberto a fazer um álbum pop.
Sim. Até isso é um estilo musical que amo — e que venho buscando explorar. Então, claro. Não sei quando seria, mas um dia é um gênero que preciso — e adoraria — experimentar. É o que penso.
O ARMY adora sua atuação, mas gostaria de ver você em um papel em que o personagem não morre. Você pretende atuar mais? E buscar um papel em que o personagem sobreviva?
Acho que minha mentalidade é a mesma na atuação e na música. Quando estou atuando, parte do objetivo é experimentar vários papéis que não posso viver na realidade, certo? Então, da mesma forma, não quero me limitar a um único gênero musical. Quero experimentar todos os gêneros que realmente amo. E, algum dia, se tiver a oportunidade, espero poder atuar em muitos papéis diferentes que sempre quis tentar.
Se houver um artista de jazz que você gostaria que o ARMY conhecesse, quem seria?
Ah, são muitos! Etta James!
https://www.youtube.com/watch?v=K0iPxlaSB54
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BTS estampa a capa da Rolling Stone Brasil com entrevista sobre as carreiras solo, período em que estiveram no exército da Coreia do Sul, o álbum Arirang e mais! Disponível no site da Loja Perfil.
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