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Uma cronologia da bizarra aliança MAGA entre Nicki Minaj e Donald Trump

Como o rapper e o presidente ficaram tão próximos? Confira aqui, em detalhes, o que levou a isso

3 nov 2026 - 04h07
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Resumo
Após rejeitar Donald Trump em 2020 por suas políticas imigratórias, Nicki Minaj passou por uma drástica guinada à direita e consolidou-se como porta-voz do movimento MAGA até 2026. A aproximação foi impulsionada por posturas antivacina, atritos com democratas como Gavin Newsom e acolhimento por líderes conservadores, além de especulações sobre a situação judicial de seu marido. Com presença em eventos na Casa Branca e comícios republicanos, a rapper agora atua diretamente na campanha de Trump.

Há muito tempo — nos últimos e efervescentes momentos pré-pandemia, em fevereiro de 2020 —, Nicki Minaj participou do Pollstar Live 2020, onde falou abertamente sobre sua vida, suas escolhas de carreira, suas publicações nas redes sociais e outros assuntos. Como era de se esperar — já que aquele era o início do que viria a ser um dos anos eleitorais mais caóticos da história dos Estados Unidos —, o tema política surgiu. Na ocasião, Minaj declarou de forma direta: "Não vou embarcar na onda de Donald Trump".

Nicki Minaj e Donald Trump (Win McNamee/Getty Images)
Nicki Minaj e Donald Trump (Win McNamee/Getty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

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Saltamos para o outono de 2026: Minaj não apenas aderiu à onda, como abraçou de vez seu novo papel de porta-voz do movimento MAGA. Nos últimos meses, ela marcou presença em diversos eventos na Casa Branca e, recentemente, chegou a acompanhar Trump em sua campanha, em um esforço para fortalecer a atuação dos republicanos nas próximas eleições de meio de mandato.

Quaisquer que sejam as razões para a guinada de Minaj à direita — sejam elas ideológicas, motivadas por interesses próprios ou uma mistura confusa de ambas —, o que é inegável é que a rapper e o presidente, sob muitos aspectos, foram feitos um para o outro. Ambos são nova-iorquinos de bairros periféricos, criados no Queens, com ambições tão grandiosas quanto o ressentimento que carregam.

Além disso, ambos vivem conectados à internet e são usuários compulsivos de redes sociais, sentindo-se, ao que parece, mais à vontade em uma tribuna de onde podem ditar o discurso — ou atacar quem bem entendem — do que em qualquer outro lugar. É uma combinação feita no céu — ou no inferno, dependendo do ponto de vista —; a cronologia surreal do relacionamento entre eles, apresentada a seguir, comprova isso.

Novembro de 2015: Os pontos de Trump

O primeiro indício de uma possível inclinação de Minaj ao movimento MAGA surge em 2015, quando ela afirma que alguns pontos levantados por Trump "talvez não fossem tão terríveis, se a sua abordagem não fosse tão infantil". Ela não entra em detalhes sobre quais argumentos se encaixariam nessa categoria de ideias razoáveis apresentadas de forma inadequada. Em vez disso, Minaj muda de assunto e passa a avaliar o desempenho dele como artista. "Acho ele hilário", disse ela. "Quem dera pudessem filmar a sua corrida presidencial. Seria o reality show definitivo."

Fevereiro de 2020: Nada de seguir a onda de Donald Trump para Nicki

Minaj afirma que "não vai entrar na onda de Donald Trump". Em uma entrevista a Irving Azoff, Minaj discute diversos assuntos, inclusive criticando as políticas de Donald Trump de separação de crianças na fronteira.

"Não vou entrar na onda de apoiar o Donald Trump", disse Minaj. "Não gosto disso. Entendo que muitas pessoas não gostem dele, por motivos óbvios. Mas o que me marcou foi o fato de crianças serem separadas de seus pais ao chegarem a este país. Isso me incomodou profundamente, porque eu mesma fui uma dessas crianças imigrantes que vieram para a América fugindo da pobreza. Não consigo nem imaginar uma criança pequena passando por tudo isso — tentando chegar a outro país por falta de recursos no seu local de origem, ou fugindo de uma guerra — e, então, ser arrancada da única pessoa que lhe traz conforto. Foi isso que realmente me deixou perplexa. Foi isso que me fez pensar: 'Tem algo nisso que não me soa bem, que não me parece certo'. Mas, por outro lado... no [programa] Celebrity Apprentice, ele era engraçado pra caramba."

Setembro de 2021: Rumores sobre Kenneth Petty

O marido de Minaj, Kenneth Petty, declarou-se culpado por não ter se registrado como agressor sexual ao se mudar de Nova York para a Califórnia — uma infração federal pela qual ele foi condenado a cumprir prisão domiciliar e três anos de liberdade condicional, a menos que, em algum momento, receba um perdão presidencial. Muitos fãs acreditam que esse seja o motivo pelo qual ela começou a demonstrar mais simpatia por Trump, embora tais rumores não tenham sido confirmados.

Setembro de 2021: Nicki adota postura antivacina

Minaj recusa-se a comparecer ao Met Gala de 2021 — evento restrito a pessoas vacinadas — e relata uma história bizarra sobre o inchaço dos testículos do amigo de um primo seu. Em seguida, ela afirma ter sido convidada pela Casa Branca, na gestão Biden, para discutir a vacina contra a COVID-19 — alegação que a Casa Branca nega. Minaj não chega a visitar a Casa Branca. Mais tarde, ela compartilha um trecho de um programa de Tucker Carlson no qual ele a elogia por seu ceticismo em relação à vacina.

Novembro de 2023: Nicki fala sobre seu posicionamento em relação às vacinas

Na mesma noite de agosto de 2023 em que Trump foi detido pela quarta vez em um período de cinco meses, Minaj comentou a repercussão negativa de suas declarações anteriores contrárias à vacinação. "Toda vez que falo sobre política, as pessoas ficam irritadas. Sinto muito, mas não vou aceitar que me digam por quem devo fazer campanha nas redes sociais", disse ela. "Há muita coisa acontecendo no governo que nós desconhecemos, e não creio que isso mude dependendo de você se inclinar para a esquerda ou para a direita."

Novembro-dezembro de 2025: Nicki versus Newsom

Minaj entra em conflito com o governador da Califórnia, Gavin Newsom, depois que ele diz que "quer ver crianças trans" em uma entrevista a Ezra Klein, do The New York Times. "GavOUT. Mandem o próximo, já estou entediada", publica ela no X. "É o fim da linha para você, meu amor", escreve ela em uma postagem seguinte. "Suba no jet ski mais próximo e deixe esse cabelo lindo balançar ao vento."

Dezembro de 2025: Uma convidada no Turning Point USA

Cerca de um mês após o início de seu embate com Newsom, Minaj causa alvoroço ao aparecer ao lado de Erika Kirk no evento AmericaFest, da organização Turning Point USA, em Phoenix. A artista junta-se à viúva de Charlie Kirk, fundador do TPUSA , no palco para uma sessão de perguntas e respostas, na qual ambas demonstram afinidade por compartilharem as mesmas visões políticas. A conversa incluiu elogios rasgados ao presidente Trump e ao vice-presidente JD Vance, além de várias alfinetadas em Newsom — a quem Minaj chamou de "Newscum", recorrendo a uma tática típica do repertório do presidente Trump.

"Não temos problema nenhum em limpar a escória, se for preciso", disse a rapper, referindo-se ao governador da Califórnia. "É melhor ele pisar com cuidado — é isso que eu diria ao 'Gavie-poo'." A presença de Minaj no AmericaFest intensificou as especulações sobre sua aliança com o Partido Republicano e foi interpretada como um sinal de que a artista decidiu, de vez, qual é o seu posicionamento político.

Janeiro de 2026: A "fã número um" de Trump

Apesar de ela mesma ter milhões de fãs, Minaj expressa sua admiração pelo presidente Trump e autodenomina-se sua "fã número um". Ao viajar para Washington, D.C., para participar do "Trump Accounts Summit", Minaj teve a primeira oportunidade de se encontrar formalmente com Trump. Ambos, naturais do bairro de Queens, em Nova York, foram vistos em clima de descontração no Andrew W. Mellon Auditorium enquanto posavam para fotos. Fãs de longa data ficaram perplexos com sua crescente proximidade com Trump, enquanto entusiastas fervorosos do movimento MAGA receberam a artista de braços abertos.

Maio de 2026 - Entrevista à TIME esclarece os fatos

Diante do fato de que seu apoio a políticos republicanos tem gerado mais perguntas do que respostas, Minaj conversa com a TIME para esclarecer a situação. O perfil trouxe diversas revelações da artista, incluindo sua desilusão com o Partido Democrata e sua simpatia pelo presidente Trump — a quem ela comparou a Marilyn Monroe.

Ao justificar sua aversão a Newsom — citando a inação dele diante de vários episódios de "swatting" (falsas denúncias policiais) em sua residência em Los Angeles —, Minaj elogiou a deputada federal Anna Paulina Luna e outros membros do Partido Republicano pelo apoio recebido, o que, segundo ela, fez com que sua ideologia política se voltasse para a direita.

Outubro de 2026: "Uma bunda incrivelmente linda"

Minaj junta-se a Trump em um comício em Port Huron, Michigan, onde o presidente elogia a bunda dela, repetindo um tipo de piada que ele vinha fazendo com frequência durante a campanha, na qual elogiava as nádegas de algumas pessoas — em sua maioria, homens. "Aliás, acabei de ver uma bunda incrivelmente linda: a de Nicki Minaj! É impossível não notar", disse ele.

Minaj viajou para o comício com Trump a bordo do Air Force One, conduzindo uma entrevista simulada com o presidente. Em seguida, o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, publicou um vídeo dele com Minaj no avião, dizendo: "Acho que talvez tenhamos encontrado a nova secretária de imprensa da Casa Branca!"

FONTE: Rolling Stone

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