TMDQA! Entrevista: sinergia, Bia Soull e "PORNOGRAFIA AUDITIVA"
Em entrevista para o TMDQA!, artista aprofunda-se sobre conceitos de seu álbum e momento atual na carreira
Exija que uma mulher peça licença para sentir. Monopolize o microfone por décadas para que o desejo seja sempre contado sob a mesma ótica masculina e utilitária. Tente usar o verniz do falso moralismo para convencer uma geração de que a liberdade dos corpos tem limite, hora e lugar para acontecer.
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O resultado desse cabo de guerra? Bia Soull cortou a corda. Em vez de se curvar às regras confortáveis do mercado, a artista paranaense fincou os pés no asfalto de São Paulo e transformou o sussurro em grito no disco mais insolente, magnético e arquitetado de 2026.
Se os primeiros passos no ecossistema do funk paulista já mostravam que sua caneta não aceitava coleira, o recém-nascido PORNOGRAFIA AUDITIVA implode as paredes dos rótulos tradicionais. Costurado por um time de produtores que despe o funk de seus excessos e injeta um minimalismo sombrio e vanguardista digno das pistas eletrônicas europeias, o álbum caminha com elegância pelo fio da navalha: o peso claustrofóbico dos graves texturizados, o erotismo cru que funciona como escudo político e a soberania inegociável de uma mulher negra e bissexual que se recusa a performar para o olhar alheio. Bia pegou o roteiro histórico da submissão e o reescreveu com as próprias regras.
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