Rouge: relembre o fenômeno pop dos anos 2000
Do Popstars ao estrelato nacional, relembre a trajetória do Rouge, girlband que mudou o pop brasileiro.
Poucos grupos musicais marcaram tanto os anos 2000 quanto o Rouge. Formado em 2002, o quinteto virou um verdadeiro fenômeno pop, dominou rádios, programas de TV e palcos por todo o Brasil. Mais de vinte anos depois, o nome Rouge ainda desperta nostalgia, emoção e uma legião fiel de fãs.
Agora, com o anúncio de uma série documental da HBO, o grupo volta ao centro das atenções. O projeto reacende a memória de uma carreira intensa, meteórica e histórica para a música brasileira.
O nascimento do Rouge no "Popstars"
O Rouge surgiu a partir do reality show Popstars, exibido pelo SBT em 2002. A proposta era criar uma girlband brasileira, seguindo uma tendência mundial que fazia enorme sucesso na época.
Enquanto o mundo acompanhava grupos como Spice Girls e Destiny's Child, o Brasil encontrou sua própria representação pop. Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Lu Andrade e Lissa Martins foram escolhidas após um intenso período de testes, desafios e avaliações.
O público acompanhou cada etapa da seleção. Quando o grupo foi anunciado, a resposta foi imediata. O Rouge nasceu grande!
Explosão de sucesso e números impressionantes
Logo após a formação, o Rouge assinou contrato com a Sony Music. O primeiro álbum virou sucesso absoluto, impulsionado por músicas que se tornaram hinos de uma geração.
O grupo vendeu cerca de 6 milhões de cópias ao longo da carreira. Conquistou três discos de ouro, três discos de platina e um disco de platina dupla, certificados pela Pro-Música Brasil.
Esses números colocaram o Rouge entre os maiores fenômenos musicais da história recente do país.
Hits que atravessaram gerações
É impossível falar de Rouge sem lembrar de seus sucessos. Ragatanga virou febre nacional, com coreografia repetida em festas, escolas e programas de TV. Brilha La Luna mostrou o lado romântico do grupo, enquanto Um Anjo Veio Me Falar emocionou fãs de todas as idades.
As músicas tocavam sem parar nas rádios. O grupo estava presente em trilhas sonoras, atrações de auditório e capas de revista. Rouge não era apenas uma banda. Era um movimento cultural.
O hit Não Dá pra Resistir foi o primeiro single do Rouge. Ele ocupou a 1ª posição das músicas mais tocadas no país por mais de um mês.Turnês lotadas e vida sob os holofotes
Durante os anos de atividade, o Rouge realizou turnês por todo o Brasil. Os shows eram sempre lotados. Crianças, adolescentes e famílias inteiras lotavam ginásios e casas de espetáculo.
Além dos palcos, o grupo estrelou campanhas publicitárias, participou de programas especiais e lançou produtos licenciados. Havia cadernos, mochilas, bonecas e outros itens com a marca Rouge.
A rotina, porém, era intensa. A fama chegou rápido demais. Com ela vieram cobranças, exposição constante e pressão emocional.
O fim em meio a conflitos
Em 2006, o Rouge anunciou o fim do grupo. A separação aconteceu em meio a polêmicas, desentendimentos e desgaste interno. Para os fãs, a notícia caiu como uma bomba.
Durante anos, pouco se falou sobre os motivos do rompimento. Cada integrante seguiu seu caminho, construindo carreiras individuais na música, no teatro e na televisão.
Mesmo separado, o Rouge nunca foi esquecido. As músicas continuaram vivas, tocadas em festas e relembradas nas redes sociais.
As principais polêmicas do grupo
As integrantes do Rouge brigavam por melhores condições financeiras. Fantine chegou a desabafar sobre as dificuldades em entrevista ao TV Fama, alegando "bater boca" frequentemente com seus empresários. Isso porque, segundo Leo Dias, ela não aceitava receber menos de R$ 500 por show.
Fantine, inclusive,era conhecida por seu temperamento difícil. Funcionários mais próximos da girlband na época revelaram que a artista era bem difícil de lidar. "Para ela nada estava bom, sempre atrasava, as pessoas é que não são obrigadas a aguentá-la. É louca, surtada e desrespeitosa", afirmou uma fonte anônima em entrevista a Leo Dias.
O legado que nunca se apagou
Quase vinte anos depois, o Rouge segue como referência quando se fala em pop nacional. O grupo abriu espaço para outras formações, mostrou a força do público jovem e provou que o Brasil podia, sim, ter uma girlband de sucesso.
A nostalgia dos anos 2000 ajudou a manter o grupo em evidência. Reuniões pontuais, participações especiais e homenagens reacenderam o carinho dos fãs.
O Rouge virou símbolo de uma época mais leve, colorida e musicalmente marcante.
Nova série e a chance de revisitar a história
Com a nova série documental anunciada pela HBO, a trajetória do Rouge será revisitada com profundidade. Pela primeira vez, elas vão contar sua própria versão da história. Desde o início no Popstars até o fim e os aprendizados.
A ausência de Lissa Martins também chama atenção. Ela não participa da produção por viver um momento pessoal delicado após a perda do marido, JP Mantovani. O casal estava junto há quase uma década e teve uma filha, Antonella, hoje com 8 anos.
Ainda assim, sua importância na história do grupo é reconhecida.
Um reencontro com a memória afetiva
A série promete ser um reencontro emocional com uma época que marcou o Brasil. Para quem viveu os anos 2000, será impossível não se emocionar. Para quem não viveu, será uma chance de entender o tamanho do fenômeno.
O Rouge não foi apenas sucesso. Foi identidade, juventude e sonho coletivo. E, duas décadas depois, continua vivo na memória de quem cantou, dançou e cresceu ao som de suas músicas.
Relembrar o Rouge é revisitar um capítulo inesquecível da música brasileira. Um fenômeno que o tempo não apagou.