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Gretchen: clássico 'Freak le boom boom', de 1979, ganha novas versões

Universal Music lança EP com faixas que ligam pista, memória e carnaval, reafirmando a força pop da cantora

23 jan 2026 - 15h49
(atualizado às 16h01)
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Gretchen: clássico 'Freak le boom boom', de 1979, ganha novas versões
Gretchen: clássico 'Freak le boom boom', de 1979, ganha novas versões
Foto: The Music Journal

Lançada em 1979, no momento em que Gretchen começava a se projetar no cenário do pop brasileiro, Freak le boom boom sempre foi um hit de pista sui generis. Cantada em inglês, com intervenções em francês e espanhol, a canção combinava uma estrutura simples — deliciosamente circular como La Bamba ou os rocks de Elvis Presley — com uma estética latina farsesca, palmas orgânicas, metais sabor mariachi e um canto assumidamente performático em sua sensualidade. Tudo gravado ao vivo, em poucos canais, sem recursos digitais. Tropicalismo raiz — ou puro suco de Brasil, como se diz hoje.

Quase meio século depois, a música ressurge com força inesperada, redescoberta por novas gerações em vídeos de arquivo (de programas como os da Xuxa e de Gugu), trilha sonora de coreografias de TikTok e pistas de dança.

Foto: Universal Music / The Music Journal

É desse encontro entre passado e presente que nasce o EP Freak le boom boom [Remixes], disponível pela Universal Music, e que reúne quatro versões da faixa: a gravação original, de 1979; dois remixes assinados por Mister Sam, autor e produtor da canção; e uma releitura inédita feita por Gab Miranda, cantor e produtor radicado na Europa e filho de Gretchen.

Desde a origem, Freak le boom boom nasceu de um olhar para fora. Mister Sam concebeu a música após uma temporada em Nova York (EUA), em contato direto com o mercado latino e com uma lógica de pista marcada por gritos, palmas e respostas coletivas: "Freak aí tem o sentido de 'agite'. E 'boom boom' não era bunda, era bum de impacto, de sucesso", explica o produtor. "A ideia sempre foi essa: agitar, botar pra frente".

A gravação original carrega uma energia bruta, direta. Palmas batidas pelos próprios cantores, interjeições repletas de divertidos clichês de latinidade — tudo isso carrega um calor que atravessou o tempo: "Isso tudo foi gravado como se fosse ao vivo. Não tinha computador, não tinha edição. Eram oito canais, todo mundo cantando e batendo palma junto", lembra Mister Sam.

Para Mister Sam, a permanência escapa a explicações fáceis: "É difícil explicar uma música durar 46 anos. A única explicação é que ela deve ser muito boa para continuar funcionando", afirma. O fato de uma canção atravessar décadas, sobreviver a mudanças de linguagem, tecnologia e comportamento e ainda encontrar resposta imediata no corpo de quem dança diz menos sobre estratégia e mais sobre eficácia musical, acredita ele. Há algo ali — na batida direta, na alegria explícita, na comunicação sem mediações — que continua operando, independentemente da época. A longevidade, nesse sentido, não é um acidente: é um indício da força de Freak le boom boom.

As duas versões assinadas por Mister Sam no EP exploram essa força. Nelas, Mister Sam atualiza o arranjo e reorganiza os planos sonoros, sem alterar os timbres originais: "Não é recriar a música. É atualizar o volume, o impacto, pra escuta de hoje", resume. Na Original 12 long version 1979, o andamento mais rápido e a abertura com as palmas isoladas dão à faixa um curioso caráter frenético-hipnótico.

Já o remix de Gab Miranda propõe um deslocamento mais radical em Freak le boom boom. Produzido do zero, ele incorpora percussões de escola de samba — dialogando com a estética do carnaval assim como a gravação de 1979 dialogava com os sons latinos. Mas Gab não deixa de se apropriar de uma latinidade mais contemporânea, herdeira de ídolos pop como Ricky Martin e Shakira, além do eletrônico no qual está mergulhado atualmente: "Eu quis misturar a energia do carnaval brasileiro com a música eletrônica que eu vivo hoje na Europa", explica Gab. "Trazer arranjos mais frescos, uma batida envolvente, sem perder a origem da música".

Radicado na França, ele aponta também a influência direta do ambiente em que vive: "Aqui tem uma tradição muito forte de música eletrônica, da french house, da pista", diz. "Quis trazer esse olhar europeu, mas sem apagar o DNA da música. Pelo contrário, quis reforçá-lo".

Gretchen acompanhou de perto cada etapa da produção de 'Freak le boom boom' 

O processo foi também um diálogo afetivo e geracional. Gretchen acompanhou de perto cada etapa da produção, sugerindo ajustes para que a releitura não rompesse com o DNA original. Para Gab, a canção sempre esteve ligada a uma ideia de liberdade. "Essa música chegou como uma revolução, um gesto de liberdade feminina num Brasil ainda muito conservador, que vivia a ditadura", diz.

Gab também aponta a força da coreografia como motor da redescoberta: "A dancinha é icônica. E nessa era de TikTok, de vídeo curto, isso voltou com tudo", diz o produtor. "As pessoas estão percebendo que as coisas de antigamente eram mais naturais, mais divertidas. E estão abraçando isso".

Reunidas, as quatro versões revelam porque Freak le boom boom volta a soar atual. Não apenas pela nostalgia ou pela coreografia icônica, mas porque carrega, desde a origem, uma ideia da festa como linguagem, do corpo como discurso e da alegria como mandamento maior.

O EP abraça o passado e o projeta para a pista de hoje, onde o verão 2026 se anuncia como mais um capítulo dessa história de rebolados, gemidos, palmas e groove.

Ouça:

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