"Queremos passar mensagens de alegria e amor", diz cantor do Falamansa
- Paulo Noviello
- Direto de São Paulo
O Falamansa, a banda que definiu o chamado forró universitário, comemora em 2010 dez anos de carreira, e para marcar a data lança o CD e DVD Falamansa 10 Anos - Por um Mundo Melhor!. Nesta quarta-feira (25), às 19h, eles estarão na Fnac do Shopping Morumbi, em São Paulo, para um pocket show seguido de sessão de autógrafos. O disco gravado ao vivo tem regravações de Dominguinhos (Pedras que Contam), Luís Gonzaga (Sanfona Sentida) e Paralamas do Sucesso (Ska), junto com clássicos do repertório do grupo, como Rindo à Toa, Xote da Alegria e Xote dos Milagres, todas compostas pelo vocalista Tato, que falou ao Terra sobre o lançamento e os dez anos de história da banda.
"É um disco comemorativo. A gente procurou entender o objetivo da banda, que é passar mensagens de alegria, amor, fé... A ideia foi juntar tudo da história da banda, nossas músicas mais representativas, junto com músicas de pessoas que a gente admira, além das composições novas", conta o compositor. Entre as faixas inéditas está Lixo no Lixo, que transparece a intenção de Tato de passar idéias de conscientização ambiental através da música.
"A gente partiu desta ideia de que a banda quer fazer o bem, e vimos na conscientização ambiental uma questão importante. Para divulgar o disco anterior, distribuímos 300 mil sacolas de lixo nas praias, por exemplo. E neste disco a embalagem é de papel reciclado, e o cenário do show e nossos figurinos são feitos de material reciclado, como garrafas pet. A gente quis demonstrar com atitudes como uma empresa pode agir de forma sustentável, afinal o Falamansa é também uma empresa, ao invés de ficar fazendo discursos de dez minutos entre uma música e outra. Assim eu poderia virar um 'ecochato'. E deu muito certo, já estamos vendo os resultados", explica Tato.
Por conta própria
Tato afirma que a banda está muito feliz trabalhando de forma independente, lançando os discos e produzindo shows através da própria empresa. "Para nós não poderia ser melhor. Eu vejo o Falamansa como uma banda que trabalha de maneira única, com um direcionamento de público único. Com a gravadora era difícil, pois ela levava um 'pacotão' para as rádios, a gente junto com grupos sertanejos, de pagode, de rock, e a gente ficava meio perdido no meio. Eu acho que nossa música pode tocar em rádios de sertanejo, de samba, de rock".
O cantor não nega a responsabilidade por ajudar a criar o forró universitário, que levou a outros fenômenos com o rótulo, como o sertanejo universitário. "É legal ver que deu certo, agora outras vertentes surgiram, mas hoje esse rótulo de universitário nem se aplica mais a gente. Os universitários que ouviam a gente no começo agora estão casados, com filho. Volta e meia vejo casais falando que se conheceram em um show do Falamansa, casaram e tão com o filhinho de 5 anos que ouve o nosso som. Isso é muito legal. Mas gosto de falar que sou mais universal que universitário", afirma.
O vocalista relembra o início da carreira, tocando em casas de forró de São Paulo, e o movimento que já existia de assimilação do ritmo nordestino no Sudeste. "O mérito maior é de quem veio antes da gente, os trios, o Dominguinhos, que é uma grande influência. Quando a gente chegou esse movimento meio que já estava acontecendo. Mas acho que o Falamansa tirou um pouco do preconceito que havia em relação ao forró", opina. Sobre o estilo de forró mais eletrônico, de teclados, muito popular, Tato diz que respeita, mas tem ressalvas.
"Pra ser sincero não é um estilo de música que me agrada. Eu respeito, pois sei a dificuldade que todo gurpo enfrenta, mas é a mensagem que me preocupa, essa coisa de apelação, sacanagem. Pra mim a música é também educação, muitas vezes mais que a própria escola, porque tem muito moleque que não gosta de ir pra escola mas gosta de música. E acho que tem gente que está deseducando com a música, e isso me chateia", diz. Ele afirma ainda que hoje o seu público é muito mais diversificado do que no começo da banda. "Hoje a gente toca em festa de rodeio, eventos de prefeituras, festas de empresas, festas de igreja, até em assentamento rural de sem-terra a gente já tocou", conta.
Quando fala sobre o começo do seu interesse por música, Tato solta uma resposta surpreendente. "Partiu do meu interesse por escrever. Com 11 anos eu já escrevia música. Depois fui aprender a tocar. Mas minha formação musical é meio engraçada, quando eu era adolescente ouvia mais rock and roll, som underground, indie. E ouço até hoje. Se você pegar meu iPod é difícil ter um forró. Sou bem eclético mesmo. Eu fui pro forró porque é um estilo fácil de tocar ao vivo, é só pegar uma zabumba, um triângulo e uma sanfona e dá pra tocar em qualquer lugar. Eu comecei no forró como DJ, conhecendo as músicas mais antigas... Hoje trabalho também como produtor, estou produzindo o disco novo do Planta e Raiz, por exemplo. Mas vejo que na minha musicalidade também tem essas influências de rock alternativo. Aliás, fiquei louco quando soube que o Pavement vinha pro Planeta Terra (Festival), eu curtia muito eles quando era moleque. Smashing Pumpkins também...", conta.