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Londres: Robin Thicke faz show divertido, mas cheio clichês

O cantor, que está na estrada há mais de 20 anos, só se tornou conhecido após o estouro da canção Blurred Lines, de conteúdo machista

27 set 2013 - 18h38
(atualizado às 18h46)
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Enquanto Robin Thicke cantava, sua roupa esvoaçava com ajuda de ventilador, dando um efeito de vídeo clipe dos anos 90
Enquanto Robin Thicke cantava, sua roupa esvoaçava com ajuda de ventilador, dando um efeito de vídeo clipe dos anos 90
Foto: iTunes Festival / Divulgação

Robin Thicke é o homem do momento na música pop. O americano de 36 anos se apresentou na reta final do badalado Festival iTunes em Londres com um show divertido, porém cheio de clichês.

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O cantor, que está na estrada há mais de 20 anos, se tornou conhecido somente após o estouro repentino da canção Blurred Lines, que fez sucesso em mais de 100 países, provocando polêmica - a canção foi banida em uniões estudantis no Reino Unido devido seu conteúdo machista. Robin parecia não acreditar ter sido convidado para o Festival. "Não desista dos seus sonhos; eu sou prova viva; eu faço musica há 25 anos", disse enquanto apontava para uma das jovens; "Mais velho que você provavelmente", comentou. "Sonhos se tornam realidade, mas às vezes levam tempo para alguns de nós", completou ele com um sorrisinho.

Ele abriu o show com o novo single dançante Give It 2 U, em que ele canta que tem um pênis grande enquanto segurava a virilha. Antes de "Shakin' It 4 Daddy", ele perguntava; "Quantas meninas aí sabem rebolar para o papai [...] Eu sou o papai", afirmou. Esse foi o tom da apresentação de Robin: repleto de referências sexuais e clichês pra lá de vencidos. Enquanto ele cantava e seguia coreografias super ensaiadas - improviso jamais - dançarinas (que apesar de ter microfones, não cantavam), dançavam como se estivessem em uma casa de stripper. Em certo momento, uma delas subiu no piano de Robin e deu à plateia umas das apresentações mais clichês da sensualidade que possa se imaginar. Faltou apenas um bastão de pole dancing.

Enquanto o americano cantava, sua roupa esvoaçava, (com a ajuda de um ventilador estrategicamente posicionado) dando um efeito de vídeo clipe perdido nos anos 90. Robin suava e se secava a todo instante vestindo roupa social que em nada combinava com o estilo do show que apresentava. Em certo momento, ele deixou o palco para fumar, deixando a banda solo, voltando pouco depois para terminar de tragar em frente à platéia. Seria estiloso?

A imagem do cantor é um problema. Alguns o comparam à um Simon Cowell (jurado de 53 anos do X Factor), outros ao Michael Bublé, porém sem o fator "crooner", ou ao Justin Timberlake, mas sem o fator "cool", ou seja, nunca no mesmo nível. O figurino não combina com muitas de suas músicas, enquanto algumas de suas danças - estilo rapper - não combinam com sua idade. Também há uma certa falta de conexão com o público - quando ele conversava sorrindo olhando para o infinito sem identificar membros da audiência ou mesmo quando descia do palco, sendo tocado pelas meninas da platéia posando de símbolo sexual. "Não toque a parte boa querida", dizia ele sorrindo durante a música "Lost Without You". O melhor de Robin Thicke é sem dúvida quando está sentado em frente ao piano, mostrando o melhor dos seus talentos: sua voz.

Robin apresentou uma maioria de músicas antigas e desconhecidas, algumas excelentes, como "Feel Good" e "Magic", mas que não animaram o público que estava alí à espera de Blurred Lines. "Aguarde querida; Não posso tocar essa música toda hora", rebateu ele quando uma fã gritou pela canção chiclete. O vasto catálogo de Robin (são cinco álbuns anteriores) prova-se ser excelente ao vivo - Lost Without You foi ótima - mas completamente diferente de Blurred Lines e seu novo álbum, mais pop e dançante, o que nos leva à pergunta: Será que o novo público irá se interessar pelo seus antigos trabalhos ou o cantor está fadado à 'maldição' do sucesso de Blurred Lines? Só o tempo dirá.

Durante a última canção Clique, ele sumiu do palco no meio da canção, deixando seus colegas rappers encarregados de terminarem o show. "Deus os abençoe", disse ele, deixando o palco. Sem entender nada, o público se olhava sem saber se o show havia mesmo terminado. "Devemos ir embora ou ele ainda volta", perguntava uma britânica. Ninguém sabia ao certo. A experiência Robin Thicke no Festival iTunes foi intensa, mas não necessariamente pelos motivos mais interessantes.

Fonte: Terra
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