"Ficamos de ressaca todos os dias por três anos", diz The Darkness
- Rafael Machtura
Escolhido a dedo por Lady Gaga como banda de abertura para sua turnê mundial de Born This Way, que passa pela primeira vez no Brasil nesta semana, os ingleses do The Darkness vivem um novo momento dentro da banda. Diferentemente da vida exagerada, que teve seu ápice quando o vocalista Justin Hawkins reconheceu que os 150 mil libras gastos em cocaína foi o principal motivo do fim do grupo, em 2006, o quarteto comemora hoje a volta da amizade. "É fácil cair nisso quando você está numa banda de rock n' roll e pode fazer o que quer na hora que quer", disse ao Terra o guitarrista Dan Hawkins. "Hoje estamos mais focados no trabalho, porque não estamos de ressaca todos os dias. E nós ficamos assim todos os dias por três anos, por isso perdemos contato com a realidade, com os membros da banda. Mas está tudo diferente agora, somos amigos de novo. Ainda temos muitas discussões, mas pelo bem da banda."
Após um hiato de cinco anos para por as coisas no lugar e lançar o terceiro álbum, Hot Cakes, em agosto de 2012, a ideia de viajar o mundo a convite de Gaga pareceu bem promissora. "Nós sabíamos que ia ser uma grande turnê, tocar em grandes estádios e eu estava bem empolgado de viajar para países onde nunca estivemos. É bom abrir nossa música para uma audiência maior."
Mesmo ouvindo reclamações de alguns fãs, que não entenderam por que a banda escolheu a cantora pop ao invés de se juntar a alguma grande banda de metal, o The Darkness juntou-se a Gaga em agosto para a turnê europeia. E o começo não foi tão receptivo assim. "No início não foi tão bom, as pessoas não estavam interessadas na gente. Mas ao longo dos shows, de uma forma ou de outra, eles começaram a perceber que não tocávamos o álbum inteiro, que estávamos lá para aquecê-los para Lady Gaga e nós começamos a nos divertir com eles", disse, empolgado, pelo telefone.
E, para Dan, a turnê tem sido um aprendizado para o novo momento do grupo. "Eu nunca conheci uma pessoa tão confiante como ela no palco. A gente vê e pensa: meu Deus, ela literalmente domina aquela coisa'. E Justin e eu somos grandes fãs de suas composições. A música dela é bem desafiadora, ela tem refrões incríveis!".
De voz grossa, possivelmente cultivada pelo cigarro, Dan está sempre pronto para uma risada meio soturna e responde todas perguntas sem receio. Uma delas, foi a aproximação com o pop. "Isso sempre aconteceu com a gente. Nunca nos incomodou ser chamado de uma banda "mash-up", mas nós somos uma banda de hard rock. Alguns fãs podem falar que somos uma banda de modern rock, mas sempre achei que somos mais influenciados pelo que surgiu nos anos 1970. Talvez porque temos um look cheio de roupas de mulher e sempre estamos dispostos as nos divertir, seja em seção de fotos ou videoclipes, as pessoas nos colocam como glam rock. Acho que por que somos bizarros", explicou, rindo de si mesmo.
Sobre Hot Cakes, Dan se diz orgulhoso, principalmente com seus solos de guitarra. "É um som maior, com mais guitarra e baixo. As guitarras estão mais altas que os álbuns anteriores e os solos melhores. Eu digo, houve muita pressão quando nós voltamos e estou bastante orgulhoso de não ter bagunçado essa chance de fazer um álbum que queríamos fazer. Queríamos um disco engraçado e que não nos importássemos com que o resto pensa."