Documentário relembra os 40 anos de rock e ousadia dos Titãs
Em 'Bios - Vidas Que Marcaram a Sua', os três integrantes que restaram do grupo contam sua longa aventura, num relato que traz as histórias de todos
Poucas são as bandas que sobrevivem a mais de 40 anos de carreira - mas os Titãs nunca foram como outros grupos musicais. Ao longo das décadas, a banda explorou diferentes ritmos, do punk-rock primitivo ao som acústico da MTV, enfrentou tragédias pessoais e viu boa parte de seus membros sair do grupo. Se em 1982 eram 9 integrantes - esquisitos, caóticos e jovens -, em 2022 ficaram 3 - experientes, contestadores e ainda apaixonados por música.
No ano em que completam quatro décadas musicais, um novo documentário sobre os Titãs revisita sua trajetória e conta a história de uma das melhores bandas nacionais dos últimos 40 anos. Bios - Vidas Que Marcaram a Sua - Titãs estará disponível no Star+ na sexta, 29.
Tony Bellotto, Sérgio Britto e Branco Mello, os atuais integrantes do Titãs, conversam com a apresentadora Sarah Oliveira e retornam ao passado e aos momentos mais marcantes do grupo. A escola em que todos se conheceram, os primeiros ensaios e sucessos, as prisões, a debandada de alguns membros e a trágica morte de Marcelo Fromer, em 2001, são fatos revisitados, com direito a falas exclusivas de integrantes e ex-integrantes e um extenso material de arquivo até aqui inédito.
Além do trio atual, é a primeira vez que Arnaldo Antunes, Nando Reis, Paulo Miklos, Charles Gavin e André Jung falam em um mesmo espaço sobre a banda. "Quando o primeiro documentário foi filmado, estávamos todos juntos. Foi uma aventura titânica", afirma Mello, se referindo ao filme Titãs - A Vida Até Parece uma Festa (2009). "Neste documentário, há outra abordagem. É muito surpreendente enxergar a visão dos outros sobre um mesmo acontecimento."
Para Britto, o documentário foi uma oportunidade de ampliar a visão de todos sobre a história da banda e suas próprias histórias. "É uma reflexão de todos os que fizeram parte dos Titãs", ressalta Bellotto. Sarah, que é fã de carteirinha do grupo, acredita que o documentário vai saciar a curiosidade dos fãs que desejam entender os motivos que levaram os ex-membros a sair. "Cada um foi tomando um rumo, mas todos estão presentes no documentário. Existe um respeito e um carinho muito grande entre eles. Uma vez um Titã, para sempre um Titã", ela conclui.
No decorrer do documentário, é possível enxergar como os Titãs arriscaram e exploraram sua musicalidade fora da zona de conforto do rock. "Sempre buscamos o que a música popular brasileira tem de mais brilhante e incorporamos isso ao nosso som", diz Bellotto. "É uma banda que juntou originalidade com ousadia, poesia com rock and roll", afirma Sarah.
"Os dois momentos de maior êxito na nossa carreira, Cabeça Dinossauro e o Acústico MTV, foram momentos em que a gente se arriscou muito", relata Britto. O músico entende que era quase impossível que um disco como Cabeça Dinossauro fizesse sucesso comercial, mas o álbum se tornou o maior hit dos Titãs até então. "No Acústico, foi o contrário. Éramos vistos como uma banda barulhenta, que não funcionaria no formato acústico." Segundo ele, arriscar-se tornou-se parte da identidade dos Titãs. "Explorar musicalmente novos caminhos faz parte da nossa busca artística. Isso é uma coisa que, ao longo dos 40 anos, nunca se perdeu", reitera Mello.
Além da trajetória musical, a produção acompanha os preparativos para um show no Sesc Pompeia, local onde os Titãs realizaram seu primeiro concerto. Ali, o trio reflete sobre o passado, o presente e o futuro do grupo. "Sempre tivemos a liberdade de criar, de falar a nossa visão. Seja sobre amor, seja sobre violência", afirma Mello.
"Mesmo com todas as adversidades, esse coletivo se impôs e sobreviveu. A essência da banda está nos discos novos, assim como nos antigos. Comemoramos anos de vida falando sobre o passado, mas também produzindo para o futuro", diz Bellotto. Na última década, os Titãs apostaram em um retorno ao rock mais pesado em Nheengatu (2014), produziram uma ópera-rock em Doze Flores Amarelas (2018) e agora preparam um novo disco com músicas inéditas ainda para 2022.
No dia 15 de julho, eles lançaram o primeiro single de seu novo disco. Os versos de Caos, compostos por Rita Lee, Roberto Carvalho e Beto Lee, afirmam: "Hay gobierno, soy contra!". Mesmo 40 depois de sua estreia, ainda é possível ter a certeza de que o pulso dos Titãs ainda pulsa.