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De garçonete a cantora de sucesso: Céu fala sobre a turnê internacional

12 set 2012 - 12h38
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Céu fez sucesso apresentando as músicas de Caravana Sereia Bloom
Céu fez sucesso apresentando as músicas de Caravana Sereia Bloom
Foto: Divulgação
Pamela Marul

Conversar com Céu é descobrir um mundo de sonoridades. A cantora e compositora se inspira e recebe influências de países e estilos distintos, que juntos viram uma gostosa mistura, mostradas com elegância por ela e seu gingado malemolente em cima dos palcos, como fez na turnê de Caravana Sereia Bloom.

Aos 32 anos Céu não se perde no meio de toda essa miscelânea e revela o caminho que segue. "Vou trazendo o temperinho do que estou ouvindo, as diferentes influências, e vou compondo o caldo", diz em um tom tranquilo. Sem nenhum constrangimento, ela admite que não consegue se rotular em um só ritmo. "Se eu fosse me colocar em um estilo musical queria que existisse um estilo roots, rock, reggae", confessa aos risos.

Recém saída de uma bem sucedida turnê pelos Estados Unidos, onde ficou por um mês e passou por 13 cidades, entre elas Nova York, Phoenix, Los Angeles e Boston, Céu contou ao Terra sobre a viagem, a receptividade do público, as criticas, que segundo ela a deixaram com um "quentinho no coração", e como é conciliar os cuidados da filha Rosa, de 4 anos, com os shows.

Terra - Conte como foi fazer a turnê nos EUA?

Céu - Foi demais, foi muito especial porque nunca tinha feito Estados Unidos de ônibus e fizemos costa a costa, no meio do deserto, foi incrível. Foi desafiador e gostoso. A receptividade foi muito calorosa.

Terra - Como foi a experiência de ir de uma cidade a outra de ônibus?

Céu - A gente parou bastante no deserto, era muito bonito de ver. Fizemos a rota original 56, o nosso motorista já tinha sido motorista do Snoop Dogg, e mais um monte de gente bacana. Ele ia nos contando um monte de histórias, nos levou para vários lugares bem curiosos. Foi uma experiência bem legal, paramos em muitos lugares para comer, tirar fotos em lugares bem ermos mesmo, desertos, com direito a cactos com 5 metros de altura e escorpião.

Terra - Como foi a recepção do público?

Céu - É uma coisa muito gratificante, muito especial. Sentir que é possível que a música brasileira, a cultura, a língua portuguesa é tão parte do mundo. Não é apenas o Brasil, não só aqui, é muito o mundo. O mundo gosta, está cada vez mais abraçando a nossa cultura, não só o que a gente sempre soube que foi exportado, mas as coisas contemporâneas. Eles estão muito interessados mesmo nos artistas do Brasil. Eu fico super emocionada, às vezes fico até com lágrimas nos olhos, porque é muito emocionante mesmo.

Terra - Com a recepção que teve fora do Brasil, como você acha que as pessoas de fora daqui recebem sua música? Elas conseguiram compreender você?

Céu - Isso que é o mais inacreditável. Na verdade a música mais uma vez, independente do mercado, da mídia, independente de todo o cenário que se faz na música, existe a coisa da essência musical que é muito poderosa. Sim, as pessoas são capazes de entender o que estou falando somente através apenas da música, sem ser com a ajuda da letra, capazes de sentir, e entender quais são as minhas referências. Eles conseguem perceber que trago muitas coisas brasileiras, referências externas, coisas americanas que eu curto, como funk e jazz. É muito legal. Às vezes também fico me perguntando: "nossa como esse povo vem no show? Não entende nada do que estou falando!", rola um pré-conceito nosso também. Mas é inacreditável como a música fala por si só, como é poderoso.

Terra - Como escolhe seu repertório e a mistura de ritmos que vai fazer?

Céu - Eu acho que a música assim como qualquer coisa que você faça e crie na sua vida sempre vai trazer referências do momento que você está passando. No Caravana, por exemplo, que foi muito diferente dos outros dois discos, era um trabalho que eu estava falando sobre esse lance da estrada, de estar sempre em movimento, e também as referências musicais que eu estava escutando eram coisas misturadas de brega com latino brasileira, feitas na fronteira do Brasil, meio brega, lambada, cúmbia, essas coisas. Aí vou trazendo o temperinho do que estou ouvindo, com o jeito de compor que é meu, que não tem como mudar. E assim vou inserindo os elemento, no Caravana estava ouvindo muito Erasmo, Nancy Sinatra, e assim vai tendo diferentes influências que vai compondo o caldo.

Terra - Durante esse processo dá para separar o que é trabalho e o que você escuta só porque gosta?

Céu - Eu não consigo nem considerar muito que estou trabalhando, às vezes estou trabalhando e nem percebo que estou trabalhando no sentido da composição. Então eu já comecei a me interessar por uma coisa, pego esse som e começo a ouvir no carro, inúmeras vezes, e quando vejo já estou buscando coisas parecidas com esse som, já estou em uma pesquisa. No caso do Caravana veio tudo muito forte, muito certo na minha cabeça. No Vagarosa, foi um disco que eu estava grávida, estava com a atenção muito para a minha filha, para a maternidade, a música estava vindo atrás de mim, enquanto no Caravana era muito claro o que eu queria dizer. Todas as referências eu estava ouvindo muito no ipod, enquanto cozinhava em casa.

Terra - Quais são suas influências?

Céu - Acho essa pergunta impossível de responder. Acho que qualquer pessoa que faz arte este sempre instigada por novas coisas, por observar, é uma coisa de momento. Minhas bases são muito brasileiras, eu cresci ouvindo musica brasileira, mas também escuto muito jazz, afrobeat, tem essa coisa da jamaicana, caribenha. Estava outro dia pensando que se eu fosse me colocar em um estilo musical, eu queria que existisse um estilo roots, rock, reggae. (risos) Eu adoro coisas que são de raiz, gosto de pesquisar coisas desse tipo, da raiz da história. Sou brasileira, sou super brasileira, mas acho que estaria meio que nesse lugar.

Terra - A critica internacional lhe fez muitos elogios, você acompanhou? Como se sentiu quando leu?

Céu - Durante a turnê não vi praticamente nada, porque é uma insanidade o que eu faço. Sair, fazer tudo aquilo de show, minha filha junto, não tenho tempo para mais nada. Eu sei que as coisas que saíram foram muito legais, respeitosas e positivas, eu fico realmente com um quentinho no coração.

Terra - Você já contou que trabalhou como garçonete e faxineira, acha que essas experiências contribuíram para sua carreira hoje. Usa algo como inspiração para compor?

Céu - Eu acho que sim, foi um período muito inspirado para mim. Na verdade, quando morei nos estados unidos foi que comecei a escrever e compor. Eu nem imaginava que ia ser compositora, e de repente comecei a observar que eu queria cantar as minhas próprias ideias. Acho que sim, foi um período de inspiração, e acho que toda experiência que temos na vida a gente vai usar ela, mesmo que ela seja negativa, sempre constrói a gente mais um pouco, eu procuro trazer tudo que eu vivi como inspiração.

Terra - Você se saia melhor como garçonete ou faxineira?

Céu - Eu me garantia. Fiz por pouco tempo o trabalho de faxineira. Trabalhei mais como garçonete, inclusive quando cheguei ao Brasil, fiquei dois anos no Spot, eu adoro. Achava ser garçonete muito divertido, era melhor garçonete do que faxineira.

Terra - Sua filha foi com você na turnê, como conseguiu conciliar os cuidados com os shows?

Céu - Eu nunca desconcilio o papel de mãe da cantora. Ela existe na minha vida o tempo todo. Não consigo deixar em nenhum momento de ser mãe para ser profissional. Mesmo quando estou no palco é a mãe que está lá. É difícil, porque tenho que me desdobrar de fato, tenho que virar tipo uma super mulher, não vou enganar. A mulher foi querer trabalhar, fazer tudo, e hoje estamos um pouco sobrecarregadas, mas ao mesmo tempo ela é tudo na minha vida, a melhor coisa que eu tenho, e que posso fazer é lava-la, tenho essa oportunidade. É muito legal porque ela adora, tem uma relação bonitinha com a galera que vai, com a banda.

Terra - O que ela pede para você cantar para ela?

Céu - Direto ela me pede para cantar um monte de coisas, ela está na fase das princesas, ela vive fantasiada, todo dia está de fantasia. Canta música das princesas, adora as músicas do Palavra Cantada. Está amando de paixão o disco novo do Curumin, o Arrocha, ela canta praticamente todas as músicas, acho um barato.

Fonte: Terra
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