Crítica: "Super Mario Galaxy: O Filme" é exatamente o que se espera da Nintendo
Sequência chega aos cinemas de todo o país para alegrar o feriado das crianças (e gamers) O post Crítica: "Super Mario Galaxy: O Filme" é exatamente o que se espera da Nintendo apareceu primeiro em TMDQA!.
Há uma sequência de cenas em Super Mario Galaxy: O Filme que resume perfeitamente a euforia desta sequência: Mario (Chris Pratt) e o recém-chegado Yoshi (Donald Glover) saltam entre plataformas gravitacionais em uma galáxia de neon enquanto a trilha sonora orquestrada explode nos alto-falantes. Visualmente, é de cair o queixo. Narrativamente? Talvez possa pecar um pouco.
🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.
Por que isso acontece? Porque a Nintendo e a Illumination parecem ter decidido que, se você colocar referências suficientes ao Star Fox ou ao Pikmin na tela, o público estará ocupado demais caçando easter eggs para notar que a história tem a profundidade de uma poça d'água no Reino Cogumelo. É uma celebração de 40 anos do personagem que parece menos um filme e mais um relatório de acionistas extremamente colorido sobre "como expandir nossa marca para outros setores".
A produção, como as notícias de bastidores indicaram, tentou corrigir a "simplicidade" do primeiro longa entregando um roteiro mais coeso. Mas o resultado é um paradoxo: temos mais começo, meio e fim, mas menos alma. Entregaram a direção para uma equipe que claramente ama o visual do Wii de 2007, mas que trata o desenvolvimento de personagem como algo que você pode pular apertando o botão "A".
Entretanto, não dá pra dizer que tudo isso é uma grande surpresa.
Continua após o vídeo
A Síndrome de "Mãe das Estrelas" de Rosalina
O retorno da Princesa Peach (Anya Taylor-Joy) é tratado com a mesma reverência de uma heroína de ação inabalável, mas a grande estrela aqui deveria ser Rosalina (Brie Larson). Introduzida como a figura mística das galáxias, ela acaba sendo reduzida ao papel de "donzela em perigo cósmica" para justificar o plano de Bowser Jr. (Benny Safdie).
Nos é pedido para acreditarmos que essa entidade poderosa, capaz de observar o universo, seria capturada tão facilmente apenas para que o filho de Bowser (Jack Black) pudesse provar seu valor ao pai. A dinâmica familiar entre Bowser - agora uma tartaruga minúscula e amargurada que se contradiz a todo momento - e seu filho é o único ponto que tenta trazer alguma emoção, mas é constantemente interrompida por uma necessidade patológica de nos mostrar um novo power-up.
O uso do Yoshi é, talvez, o maior acerto e erro simultâneos. A química entre o dinossauro e Luigi (Charlie Day) é genuína e divertida, lembrando uma dinâmica de sitcom que realmente funciona. No entanto, o desperdício de Rosalina, cuja história de origem profunda é apenas "arranhada" por um flashback rápido, é um crime contra o material original.
O filme corre tanto para apresentar o próximo planeta que esquece de nos deixar sentir o peso da solidão da personagem.
Continua após o vídeo
A Sinfonia do Caos: quando o som salva o roteiro
Se o roteiro parece ter sido escrito em um guardanapo durante um intervalo de almoço, a trilha sonora é o banquete completo. Diferente do primeiro longa, que insistia em enfiar clássicos do rock dos anos 80 goela abaixo para validar sua "alma", Super Mario Galaxy: O Filme finalmente abraça sua herança. Os novos arranjos de Mahito Yokota e Koji Kondo são o tecido conjuntivo que mantém as cenas de ação em pé quando o diálogo falha.
Ouvir o tema de Gusty Garden enquanto Mario flutua pelo vácuo é, genuinamente, uma das experiências mais transcendentes que a animação nos proporcionou este ano até então. É nesse momento que o filme para de tentar ser um "produto de universo compartilhado" e volta a ser o que Mario sempre foi: pura alegria cinética. Mesmo que a motivação de Bowser Jr. seja rasa como um nível 1-1, a música nos convence de que o destino do cosmos está em jogo.
Continua após o vídeo
Dublagem: o charme contra a "memetização"
No Brasil, a experiência ganha uma camada extra de carinho; a direção de dublagem tomou a decisão hercúlea de tratar o material com dignidade. Enquanto outras animações recentes parecem desesperadas para incluir a gíria do momento ou o meme que vai expirar na próxima terça-feira, a versão brasileira de Super Mario Galaxy foca na personalidade.
É refrescante ver uma produção que confia no carisma natural de seus dubladores profissionais em vez de entupir o elenco com star talents que não sabem projetar a voz além de um post no Instagram. Esse "conforto" é um dos fatores que impede o filme de desmoronar sob o peso de suas próprias ambições comerciais.
Vale destacar que o mesmo vale para a versão original, legendada, com os memes e piadas sempre focados em referências ao próprio universo da Nintendo - especialmente nos momentos em que Fox McCloud (Glen Powell) nos agracia com sua aparição. E sim, tem fala pedindo pra fazer um barrel roll!
Continua após o post
O Veredito: um salto de fé (com capa de planador)
Super Mario Galaxy: O Filme é, no fim das contas, um espetáculo de riscos controlados. Ele ousa visualmente ao misturar estilos - o segmento em 8-bits é um deleite nostálgico que faz o cinema inteiro sorrir em uníssono - mas recua sempre que a trama ameaça se tornar profunda demais. É frustrante ver o potencial de Rosalina ser usado apenas como um flash drive de lore, mas é impossível ignorar o brilho nos olhos das crianças (e de muitos marmanjos) quando Fox McCloud atende o pedido e faz seu barrel roll na tela.
Pode não ser o Cidadão Kane das adaptações de games, mas é o filme que confirma que a Nintendo chegou para ficar no mundo cinematográfico. Se o preço para termos essa explosão de criatividade visual e auditiva é aguentar um roteiro que corre mais que o Mario com um power-up de estrela, talvez valha a pena pagar - pelo menos até a cena pós-créditos, que nos lembra que, para o bem ou para o mal, o jogo está longe de terminar.
★★★
OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! CLASSICS
Clássicos incontestáveis do Rock And Roll e da Música Brasileira aparecem nessa seleção especial do Tenho Mais Discos Que Amigos! Siga a Playlist TMDQA! Classics e aproveite para viajar no tempo com muita nostalgia. Aproveite e siga o TMDQA! no Spotify!
O post Crítica: "Super Mario Galaxy: O Filme" é exatamente o que se espera da Nintendo apareceu primeiro em TMDQA!.