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Como guitarrista do Soundgarden soube da morte de Chris Cornell

Vocalista se matou em 2017 na cidade de Detroit enquanto companheiros estavam viajando na estrada para show seguinte da turnê

14 jun 2026 - 10h10
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A morte de Chris Cornell em 2017 pegou uma legião de fãs completamente desprevenida. E há ainda o baque causado nos seus companheiros de Soundgarden.

Kim Thayil e Chris Cornell durante show do Soundgarden em 2015
Kim Thayil e Chris Cornell durante show do Soundgarden em 2015
Foto: Paul Rovere / Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Em um trecho publicado na Rolling Stone EUA de sua autobiografia, A Screaming Life: Into the Superunknown with Soundgarden and Beyond - recém-lançada nos Estados Unidos -, Kim Thayil relembrou a noite fatídica em que Cornell tirou a própria vida. O guitarrista garantiu ter sentido que algo estava fora do comum quando o vocalista não quis passar tempo com o resto da banda após o último show, em Detroit. Chris faleceria naquela madrugada.

Thayil declarou:

"Eu conhecia Chris há tempo suficiente para perceber quando algo estava errado. Não era apenas que ele estava cansado — havia algo mais profundo, embora ele não se sentisse confortável para se abrir comigo. Não estávamos passando muito tempo juntos durante esta turnê. Após a passagem de som, a gente conversava brevemente sobre o repertório, músicas que estávamos compondo ou ideias em que estávamos improvisando. Mas Chris viajava separadamente e morava na Costa Leste, então não tínhamos muitas oportunidades de nos conectar fora da banda. Havíamos ficado separados por anos, entre 1997 e 2009, e durante esse tempo, ele se casou novamente e se mudou de Seattle. Então, eu não estava totalmente a par do que estava acontecendo em sua vida pessoal, sua sobriedade, ou como ele se sentia em relação à sua carreira."

O músico relata que a maior parte da banda viajou de madrugada para a próxima cidade da turnê, Columbus. No meio da noite, começaram a chegar notícias:

"Estávamos na estrada há uma ou duas horas quando Matt [Cameron, baterista do Soundgarden] me ligou. 'Kim, estou vendo muita coisa estranha na internet. Alguém postou 'RIP: Chris Cornell' na minha página do Facebook'. Isso não parecia possível para mim. Tínhamos acabado de vê-lo algumas horas atrás. 'Ah, provavelmente é só besteira', eu disse a ele. Eu não queria acreditar que algo pudesse ter acontecido com Chris. Acordei Paul [Lorkowski, um amigo de longa data da banda e aliado que trabalhou como assistente de produção, assistente da banda e segurança] — que havia sido particularmente próximo de Chris desde que nos reunimos — para contar a ele o que estava acontecendo. Todos nós pegamos nossos celulares e computadores para ver se conseguíamos descobrir algo. Parecia mais um boato ou uma brincadeira; essas coisas acontecem o tempo todo na internet, onde qualquer pessoa pode postar qualquer coisa nas redes sociais. A 'brincadeira' de alguém sai horrivelmente errada. Isso não era uma piada. Paul finalmente recebeu a confirmação de que Chris havia cometido suicídio em seu quarto de hotel, logo após o show. Acordei Ben [Shepherd, baixista] para dar a notícia. Ainda assim não conseguíamos acreditar, tipo: Tem certeza? As pessoas estavam em pânico e hiperventilando."

Kim Thayil cita ter crescido com uma mãe que constantemente falava de morrer e suicídio, mas nunca sentiu qualquer medo de Chris Cornell fazer algo do tipo. Então, a morte do companheiro de banda o pegou especialmente desprevenido.

Pior para ele foi perceber seu erro nessa impressão:

"A coisa que mais me machuca é ser um amigo próximo e colega de banda, mas não ter lido coisas que talvez, em retrospectiva, eu deveria ter lido. Isso é doloroso. Sinto que decepcionei o Chris por não ver o olhar nos olhos dele, ou não ouvir um tom na voz dele — por não conseguir perceber isso. Mas é difícil perceber coisas assim, porque você não tem muitas oportunidades para isso. Você só pode olhar em retrospectiva e pensar: 'Ah, aqui está uma indicação'. Não havia nada que estivesse no meu radar que eu pudesse perceber naquele momento. E então eu olhei para o rastro documental e foi tipo: 'Caramba, o rastro documental vai desde o início'."

O trecho ainda descreve os acontecimentos nos dias seguintes à morte, como os integrantes do Soundgarden encontraram refúgio em suas famílias e a quantidade de bebida consumida na estrada para afogar o luto. Tudo em meio a lágrimas e lembranças do amigo falecido.

** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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