City and Colour surpreende ao vivo em estreia no Brasil
Primeiro show do projeto solo Dallas Green em São Paulo mostrou sua superioridade no palco e superou expectativas dos fãs que aguardavam pela banda desde 2005
Se as músicas de Dallas Green desfazem alguns nós na garganta quando cantadas com o fone de ouvido plugado, espere para ver o que o canadense pode fazer ao vivo. Na última quarta-feira (11), o músico pisou pela primeira vez em um palco brasileiro com seu projeto solo e mostrou que tem expertise e sensibilidade o bastante para fazer com que seus discos e seu show sejam experiências bem diferentes.
Sem banda de abertura e com pontualidade britânica, Dallas, ex-Alexisonfire e homem por trás do City and Colour, surgiu dentre os equipamentos do Cine Joia, em São Paulo, e lançou um hit atrás do outro, quase sem pausa para descanso. Nos poucos segundos que se passaram entre sua aparição e os primeiros acordes de Forgive Me, fãs aproveitavam para se desentalar o grito de quase uma década de espera - pelo menos para quem acompanhou os primeiros passos do canadense em sua empreitada de voz e violão.
Depois de emendar as recentes Of Space And Time e The Lonely Life, do álbum The Hurry And The Harm, Green tomou fôlego para quebrar o silêncio sobre a demora em chegar ao Brasil: "Queria me desculpar por ter demorado tanto para vir até aqui. Isso é muito importante pra mim. Obrigado por tudo". "Desculpa, não trouxe muitas músicas de amor. Vou ter que tocar outras", ainda brincou. Ovacionado, o músico voltou ao trabalho com Silver And Gold e a pérola As Much As I Ever Could.
Apesar da atmosfera intimista, o show não reproduziu ao vivo boa parte da melancolia que os fãs estão acostumados a ouvir nos quatro álbuns da banda. O violão decidido e os vocais ora frágeis, ora seguros de Dallas estiveram presentes em todos os momentos, mas a apresentação aconteceu em um tom a mais. Body In A Box, Comin' Home e The Death Of Me deram o exemplo. Provenientes dos dois primeiros álbuns do City and Colour, mostraram que Dallas Green e sua banda - formada por Jack Lawrence (baixo), Doug MacGregor (bateria), Matthew Kelly (piano) e Dante Scwebel (guitarra) - sabem fazer mudanças em clássicos sem perder a roupagem querida pelos fãs.
Na sequência de Northern Wind, um dos destaques do disco Little Hell, Waiting... veio em tom de hino. Com o coro já ensaiado, a plateia foi do primeiro ao último verso sem perder o fôlego. O mesmo aconteceu com We Found Each Other In The Dark e Sleeping Sickness, em uma jogada de mestre de Green, que decidiu misturar seu segundo e terceiro CDs entre baladas e faixas com mais punch.
Depois de agradecer novamente a todos que aguardaram por tanto tempo sua vinda, Dallas fez seu pré-bis com Ladies And Gentlemen, Sorrowing Man e as poderosas Thirst e Fragile Bird, que se destacam no repertório do músico pelo peso e ganharam ainda mais personalidade ao vivo. E como se adivinhasse os pedidos que viriam do público, Dallas voltou ao palco sozinho para murmurar The Girl, acompanhada por um coro apaixonado. "Essa é a minha favorita", avisou antes de fechar o set com Two Coins seguida de Death's Song. E depois de pouco mais de duas horas de um show que surpreendeu não só pela competência como pela empatia entre público aliviado e artista introspectivo, a recompensa estava mais do que à altura da espera.