Cazuza: inédita "Mina" de 1987 chega às plataformas digitais nesta sexta-feira
Após trinta anos de sua concepção, a inédita faixa Mina do saudoso cantor e compositor Cazuza (1958-1990) chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (9) pela Universal Music.
Mina é uma parceria de Cazuza com George Israel e Nilo Romero e ganhará uma animação exclusiva produzida por Humberto Barros. George e Nilo já assinaram outros clássicos como Brasil e Solidão, que nada. A inédita música entraria no álbum Só Se For a 2, lançado pela PolyGram, via Philips, em 1987, mas acabou ficando fora.
"Eu e George tínhamos uma mesinha de quatro canais, que gravava em fita cassete, e vivíamos fazendo músicas, gravando ali e dando as fitas pro Cazuza", lembra Nilo. "Ele era uma usina de fazer letra. Quando ele ouvia já cantava alguma coisa na hora, levava a fita e no dia seguinte trazia a letra pronta. Podia mexer depois, mas nunca sofria pra fazer, era muito solto".
Observador agudo, olhar de cronista, Cazuza sempre se inspirava no que via e vivia. Mina condensa meninas que circulavam pelo Baixo Leblon e, Nilo conta, bebe de uma situação específica que eles vivenciaram depois de um show em Araxá:
"Saímos pra comer uma pizza e a determinada altura apareceu um cara querendo mandar numa das meninas que estava ali. 'Esse aí me viu crescer e acha que é meu dono', ela disse. Lá pelas tantas, o cara pegou uma faca, Cazuza defendeu todo mundo, jogou uma mesa nele, o segurança chegou… Um tempo depois, veio 'Mina'".
George Israel vê em Mina a marca de originalidade que Cazuza (e sua geração do Rock Brasil) trouxe para a música brasileira, de crônicas da noite "ácidas, viscerais": "Tem algo da crônica do Jagger, do Dylan, do Lou Reed… Ele ia mais nessa de desnudar as pessoas, na linha 'Honky tonk women', essas coisas da night. Mesmo em canções lindas como 'Codinome beija-flor' tem um tracinho disso. O mais legal é que ele conseguiu fazer isso de uma maneira muito popular. Dentro do hit tem toda a profundidade social da observação das pessoas".
Mina chegou a ser lançada por Leo Jaime, em 1990, e o próprio George Israel a gravou em 2007. Mas o registro de Cazuza se mantinha inédito até agora, quando chega às ruas com um arranjo refeito por Nilo. Ele chamou Rogério Meanda (guitarra) e João Rebouças (teclados) — músicos que, como ele, participaram da gravação original. Lourenço Monteiro (bateria) e Marcos Suzano (percussão) reforçam o time.
O coro de Solange Rosa, Eveline Hecker e Paulinho Soledade é o mesmo de 1987 — assim como o frescor dos versos de Cazuza.