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Britney Spears vendeu direitos de todas as suas músicas? O que isso significa? Especialista explica

Cantora teria fechado acordo com a editora Primary Wave em um negócio estimado em até 200 milhões de dólares; diz site

12 fev 2026 - 19h07
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Os fãs de Britney Spears foram surpreendidos na última terça-feira, 10, por uma notícia que movimentou o mercado da música internacional. De acordo com a BBC, a artista teria vendido os direitos de seu catálogo musical para a editora norte-americana Primary Wave.

Ainda não há confirmação oficial por parte da cantora ou da empresa, e os termos do contrato permanecem sob confidencialidade.

Britney Spears vende os direitos de todas as músicas de sua carreira
Britney Spears vende os direitos de todas as músicas de sua carreira
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

O que foi vendido, afinal?

Segundo a BBC, o acordo foi fechado em 30 de dezembro de 2025 e é descrito por fontes como "histórico". Embora o valor exato não tenha sido divulgado, publicações norte-americanas estimam que a cifra possa chegar a cerca de 200 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão na cotação atual) montante semelhante ao recebido por Justin Bieber ao vender seu catálogo em 2023.

A negociação envolveria a participação de Britney nos direitos de suas músicas, o que pode incluir direitos autorais de composição e/ou publicação. Entre as faixas contempladas estariam sucessos que marcaram gerações, como: Baby One More Time, Gimme More, Circus, entre outros hits. Essas canções seguem sendo parte do repertório da artista, mas a administração e monetização passam a ser responsabilidade da nova detentora dos direitos.

O que muda na prática?

Nos Estados Unidos, quando um artista vende seu catálogo, ele troca receitas futuras provenientes de streaming, execuções públicas, sincronizações em filmes, séries e campanhas publicitárias por um pagamento imediato e substancial.

Na prática, isso significa:

  • O artista recebe uma quantia alta de uma só vez.
  • A empresa compradora passa a administrar e explorar comercialmente as músicas.
  • O cantor continua podendo interpretar seus próprios sucessos em shows.
  • Parte dos royalties futuros passa a ter outro destinatário.

Segundo André Morrissy, advogado especialista em propriedade intelectual e COO da produtora GR6, é importante esclarecer que, na maioria dos casos, o que está sendo negociado não é necessariamente a "propriedade total" das músicas, mas os porcentuais de royalties que o artista detém. "Na grande maioria das operações, a negociação gira em torno dos royalties que o artista tem em seu nome, e não da aquisição integral do fonograma ou da obra", explica. Isso significa que, se houver coautores, editora ou gravadora envolvida, o artista não tem poder para negociar 100% dos direitos sozinho, apenas a parcela que lhe cabe contratualmente.

O especialista também destaca que o artista segue podendo cantar suas músicas normalmente. "O que muda é que, em vez de receber mensalmente os royalties pelo consumo das faixas, ele antecipa esse valor e recebe tudo de uma vez." Para ele, trata-se de uma estratégia financeira que pode ser vantajosa ao reduzir riscos de queda no consumo futuro, o chamado decay, e permitir que o artista capitalize imediatamente. Ao mesmo tempo, Morrissy ressalta que nem toda venda garante à empresa compradora liberdade total para explorar as músicas em filmes ou campanhas publicitárias. "Isso depende do tipo de contrato firmado. Se a aquisição for apenas de royalties, o comprador passa a receber a receita, mas não necessariamente adquire poder absoluto de administração da obra."

Tendência entre grandes nomes

Britney não é a primeira estrela a optar por esse modelo. Nos últimos anos, artistas como Bob Dylan, Bruce Springsteen, Shakira e Stevie Nicks também venderam seus catálogos.

A própria Primary Wave vem ampliando seu portfólio com nomes de peso e já administra direitos ligados a artistas como Whitney Houston, Bob Marley e Prince.

O movimento reflete uma nova lógica da indústria musical, em que catálogos consolidados são vistos como ativos valiosos e relativamente estáveis, especialmente na era do streaming.

E a carreira de Britney?

Desde o álbum Glory (2016), Britney não lançou um novo projeto de estúdio. Em 2023, participou da faixa Mind Your Business, parceria com Will.i.am. A venda do catálogo acontece em um momento de reestruturação pessoal e profissional da artista, após o fim de sua tutela judicial.

Por enquanto, o que se sabe oficialmente é o que foi reportado pela BBC: o acordo existe, foi fechado no fim de 2025 e representa mais um capítulo na transformação do mercado global de direitos autorais na música pop.

Estadão
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