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Brigas dos Beatles deixaram engenheiro de som fisicamente doente

Geoff Emerick, responsável por álbuns como 'Revolver' e 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band', revelou como o clima tenso abalou sua saúde e o fez abandonar a banda antes do fim

24 ago 2026 - 12h57
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Resumo
Geoff Emerick, engenheiro de som dos Beatles, revelou que as brigas e o clima hostil nas gravações do "White Album" (1968) o deixaram fisicamente doente de estresse, levando-o a se demitir. Apesar do desgaste gerado pelo conflito entre os músicos, Emerick atendeu a um pedido de Paul McCartney e retornou no ano seguinte para comandar a mesa de som no icônico "Abbey Road" (1969), decisão que considerou gratificante como uma despedida triunfal de sua parceria com a banda.

Trabalhar ao lado de uma das maiores bandas de todos os tempos é o sonho de praticamente qualquer profissional da indústria musical. No entanto, para o engenheiro de som Geoff Emerick, a convivência com os Beatles durante o fim dos anos 1960 também significou um pesadelo pessoal — a ponto de provocar sintomas físicos graves causados pelo estresse diário.

Os Beatles em 1966
Os Beatles em 1966
Foto: Cummings Archives / Redferns via Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Emerick iniciou sua trajetória nos estúdios da EMI (hoje mundialmente conhecidos como Abbey Road) em 1962, com apenas 16 anos. Logo em seu segundo dia de trabalho, presenciou a chegada de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, sem imaginar que sua vida se entrelaçaria com a do grupo.

Sob a orientação do produtor George Martin, Geoff ascendeu rapidamente e tornou-se o engenheiro principal dos Beatles a partir do revolucionário álbum Revolver (1966), assinando também obras como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967) e Magical Mystery Tour (1967).

Apesar do sucesso estrondoso e da sintonia fina em estúdio nos anos anteriores, o clima de camaradagem ruiu durante as gravações do álbum duplo homônimo de 1968, conhecido popularmente como o White Album (Álbum Branco, em português).

As constantes brigas, o clima de hostilidade e o desinteresse mútuo dominaram as sessões, relembrou Emerick em entrevista de 2014 ao site Music Radar:

"O grupo estava se desintegrando diante dos meus olhos. Era uma situação feia, como assistir a um divórcio entre quatro pessoas. Depois de um tempo, tive de sair."

A tensão acumulada atingiu o limite para o jovem engenheiro, que presenciou de perto os conflitos. Depois de um tempo, a atmosfera pesada do estúdio passou a afetar seu corpo. Emerick refletiu a respeito:

"Ah, foi um pesadelo. Eu ficava fisicamente doente só de pensar em ir ao estúdio todas as noites. Eu adorava trabalhar com a banda. Mas, àquela altura, eu morria de medo. Sair de lá era a única coisa que eu podia fazer."

Geoff Emerick e as idas e vindas com os Beatles

Vendo o ambiente se deteriorar cada vez mais, Geoff Emerick pediu demissão e abandonou as sessões do White Album. Um ano após o afastamento, o engenheiro de som foi convidado a retornar para as sessões de Abbey Road (1969).

"Paul queria muito fazer um disco da forma como a banda costumava fazer. Ele queria George Martin e eu no comando da mesa de som e todos trabalhando juntos. Ele disse que as coisas seriam melhores do que haviam sido."

E Emerick, que faleceu em 2018, garantiu que não se arrependeu:

"Fiquei feliz por ter voltado para a reverência final. Se eu tivesse ficado de fora do álbum Abbey Road, estaria me remoendo até hoje (2014, data da entrevista)."

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