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Baterista sobre cancelamentos do MOA: "pode ter rolado uma histeria"

25 abr 2012 - 16h33
(atualizado às 17h09)
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David Shalom
Direto de São Paulo

Três dias se passaram desde o cancelamento do Metal Open Air, em São Luís (MA), e muitas dúvidas ainda seguem sem esclarecimentos. Desde a noite de quinta-feira (22), quando teve início a debandada de atrações internacionais por falta de pagamento de cachês, o Terra tenta, sem sucesso, entrar em contato com os responsáveis pela Negri Concerts, principal organizadora do festival. Aos poucos, no entanto, alguns pontos começam a ficar mais claros, seja por informações desencontradas dos próprios promotores, por meio de notas oficiais, seja pelos músicos que estiveram na capital maranhense para aquele que seria o maior evento de heavy metal da história no Brasil.

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Ao Terra, o baterista do Shaman, Ricardo Confessori, atração na primeira noite do MOA, garantiu que todos os principais nomes do evento estavam, sim, hospedados em São Luís - e a decisão de não subir ao palco pode ter sido tomada por motivos extra-contratuais. "Pode ter rolado uma histeria por parte de algumas bandas, que acabaram cancelando porque outros haviam feito o mesmo", teorizou, usando como exemplo grupos como Destruction e Megadeth, que cumpriram suas obrigações e subiram aos palcos do festival. "A verdade é que eu também não sei o que rolou. É necessário ver com a produção. Obviamente algo deu errado, mas tudo o que sei foi o que li por aí."

Ao contrário do que se podia esperar pelo caos divulgado por meio de relatos de fãs e da imprensa nos últimos dias, a estrutura montada no Parque da Independência, sede do MOA, também não causou uma má impressão em Confessori - apesar de, no primeiro dia do evento, boa parte da estrutura não estar pronta. Ao menos à primeira vista. "Na sexta, foi legal, no fim das contas. Tudo estava perfeito, funcionando. Tudo normal. Em relação à segurança, não estava no nível de uma partida de futebol, mas estava lá, e as pessoas pareciam bastante calmas."

O discurso do baterista é semelhante ao do vocalista do Almah, Edu Falaschi, que desde sábado (21) tem sido alvo de críticas por ter divulgado nota na qual parabenizou a produção do MOA pela atitude de promovê-lo - indo, assim, contra todos os ataques que proliferaram em relação a ela na ocasião. "Logo após o nosso show, muitos amigos de bandas vieram me cumprimentar. Eu estava feliz e só quis dar uma força para o festival, para o público que lotava o local", se justificou ao Terra por email. "Pensei que finalmente o evento entraria nos eixos para os próximos dias, pegando no tranco e sendo o sucesso que todos nós desejávamos."

Não entrou. Depois da série de cancelamentos na sexta - e de relatos de total ausência de segurança e, principalmente, de falta de higiene e alimentação nos custosos campings, instalados em estábulos para cavalos -, o sábado não podia ser pior. Com sete horas de atraso, o segundo dia de evento viu apenas uma atração internacional subir ao palco, os desconhecidos holandeses do Legion of the Damned, e acabou alçando o Korzus ao posto de headliner da noite, em um dia com apenas quatro shows realizados dos 17 inicialmente previstos. Na madrugada do último dia, todos os palcos começaram a ser desmontados sem qualquer explicação para o público e a óbvia notícia veio no domingo, quando, após promessas de coletivas de imprensa, o MOA foi finalmente cancelado, sem maiores explicações.

Depois do pesadelo...

Os últimos dias têm sido marcados pelo "corpo fora" das duas principais organizadoras do Metal Open Air. Tanto a Lamparina Produções quanto a Negri Concerts emitiram uma série de comunicados acusando-se mutuamente pelas diversas falhas na produção do festival, um dos maiores fiascos do gênero que se tem notícia no Brasil - em 2004 ocorreu algo parecido com o paulistano Masters Open Air, cancelado algumas semanas antes de ser realizado.

Na segunda-feira (23), a Negri, a mais atuante promotora de shows de heavy metal da cidade de São Paulo em 2011, divulgou uma promoção para supostamente relativizar os danos causados aos fãs que se deslocaram até o Nordeste para conferir o evento, oferecendo entradas gratuitas para o show do Blind Guardian, no mesmo dia, na capital paulista. O problema é que a oferta só foi válida para quem apresentasse a pulseira de acesso ao MOA, uma das provas físicas dos consumidores para o caso de um futuro processo de ressarcimento diante de um tribunal - já que nem um processo de devolução do dinheiro investido nos ingressos, algo básico para qualquer contratempo do tipo, parece ainda possível. O Terra tentou entrar em contato com os responsáveis pelas empresas, mas não conseguiu ir além da caixa postal nas ligações.

"As bandas, na manhã da sexta-feira, não sabiam de absolutamente nada dos detalhes de produção, estávamos no hotel esperando e conversando. Foi só no sábado que fiquei sabendo que tudo desabou, dos absurdos das condições de tratamento com as pessoas, seres humanos", explicou Falaschi, negando que seu grupo, o Almah, tenha recebido cachê para sua apresentação, uma das poucas dentre as anunciadas realmente realizadas - mesmo caso do Shaman, de Confessori. "As coisas ficaram claras mesmo no segundo dia, quando os headliners começaram a cancelar. Se um decide não tocar é uma coisa. Mas quando começa a haver uma desistência atrás da outra fica complicado seguir em frente", completou o baterista.

Esclarecendo discursos

Apesar da série de problemas estruturais e de quebra de contrato, a desistência das atrações internacionais recebeu críticas severas dos músicos no último fim de semana. No sábado, Confessori enviou mensagem pelo Twitter para Scott Ian, líder do Anthrax, questionando o motivo pelo qual o quarteto havia se recusado a subir ao palco na segunda noite, mesmo com cachê e passagens aéreas devidamente pagas pelas organizadoras. O norte-americano se explicou alegando que não podia se apresentar sem todos os equipamentos previamente combinados com as promotoras - o set de bateria exigido, por exemplo, nunca chegou a pisar no Maranhão.

"Eu queria saber se ele tinha cancelado por alguma bobagem, o que é muito comum de acontecer por aqui. Fiz uma pergunta para ele e recebi em troca uma resposta genérica", esclareceu o músico, enfatizando, no entanto, não discordar da atitude caso esta tenha sido realmente tomada com algum fundamento. "Não sei a história de cada um, mas eu tive essa postura de tocar pelo público, mesmo sem ter recebido cachê. Se tocássemos ou não estaríamos no nosso direito, pois não recebemos. O que tem que ver é se os cancelamentos tiveram um motivo realmente justo, porque, senão, fica complicado."

Edu Falaschi, por outro lado, causou polêmica ao elogiar a organização após se apresentar com o Almah e, principalmente, por ter se mantido em silêncio ao longo do fim de semana em meio a todo o caos que se instalou na capital maranhense. Tanto ele quanto o vocalista Thiago Bianchi, conhecidos nos últimos anos por discursos em prol do heavy metal nacional repletos de verborragias muitas vezes ofensivas aos fãs, sofreram críticas severas de articulistas e frequentadores de sites especializados.

O Terra não conseguiu encontrar Bianchi para se defender das ofensas, que atingiram seu ápice no artigo Thiago Bianchi e Edu Falaschi: os maiores hipócritas do metal nacional, publicado no blog Collector´s Room e retirado do ar devido a ameaças de processos judiciais, aparentemente, por parte de ambos.

Polêmico em 2011 ao responder a críticas relacionadas à sua performance ao vivo com o Angra, no Rock in Rio IV, Falaschi se defendeu: "alguém já me viu pedindo a retirada de alguma coisa minha da net? Não, né? E olha que tem coisa, hein? Desde que entrei no Angra, sofro com perseguição, mas sempre levei na boa, aguentei críticas pesadas, pessoas tentando a todo custo me derrubar. Desta vez, no entanto, a coisa foi muito séria. Envolveu seres humanos, pessoas que foram humilhadas e que estavam lá por nós, bandas. E quando essa matéria dá a entender que eu estava de acordo com isso, aí não. Chega! Isso é demais! Porque todos sabem o quanto sou amigo dos verdadeiros fãs, o quanto sou acessível e o quanto os respeito! Quer falar mal de mim como cantor é uma coisa, mas me colocar numa posição como se eu fosse o responsável por esse desastre, aí é demais. Isso eu não vou aceitar."

Estrutura do festival Metal Open Air, que acontece em São Luís neste final de semana
Estrutura do festival Metal Open Air, que acontece em São Luís neste final de semana
Foto: Adalberto Junior / Especial para Terra
Fonte: Terra
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