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MPF pede fim à censura ao filme de Danillo Gentili

O MPF classifica o ato como censura por "impedir a coletividade de consumidores de exercer sua autonomia de escolha"

18 mar 2022 - 16h53
(atualizado às 17h06)
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O Ministério Público Federal requereu judicialmente suspensão da censura imposta pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública ao filme 'Como se tornar o pior aluno da escola' - obra baseada no livro homônimo do apresentador de TV e humorista Danilo Gentili. A Procuradoria da República no Rio de Janeiro quer suspender imediatamente e depois derrubar o despacho da Secretaria Nacional do Consumidor - órgão vinculado à pasta chefiada por Anderson Torres - que determinou que plataformas de streaming suspendessem a exibição do filme, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

O MPF classifica o ato do Ministério da Justiça como censura por 'impedir a coletividade de consumidores de exercer sua autonomia de escolha, para consumo próprio, de obra artística cinematográfica sem interferência do Poder Público'. Segundo o procurador Claudio Gheventer, o objetivo da ação apresentada à Justiça Federal é 'corrigir uma violação à liberdade de expressão artística'.

Filme de Danilo Gentili foi criticado por cena em que personagem assedia adolescentes. 
Filme de Danilo Gentili foi criticado por cena em que personagem assedia adolescentes.
Foto: Reprodução/Divulgação / Estadão

"A liberdade de criação artística é garantida pela Constituição Federal e a censura a uma obra só pode ser admitida em hipóteses excepcionalíssimas, em que configurado ilícito penal, e somente pelas autoridades competentes, e não diretamente pelo DPDC ou pelo Ministério da Justiça", ressalta a Procuradoria.

A censura foi imposta ao filme após o deputado Eduardo Bolsonaro (União Brasil-SP) compartilhar uma cena editada da comédia alegando que ela faz "apologia à pedofilia". O trecho retrata os dois protagonistas adolescentes sendo constrangidos por um adulto - personagem interpretado pelo ator Fábio Porchat - a praticarem-lhe atos de masturbação. No filme, os garotos fogem após a situação, mas tal fragmento foi cortado do vídeo publicado por Eduardo Bolsonaro.

Segundo a Procuradoria, a cena questionada pode ser considerada 'repulsiva e de extremo mau gosto', mas não faz apologia ou incitação à pedofilia - ao contrário do que foi declarado pelo filho do presidente Jair Bolsonaro.

Quando foi lançada, em 2017, o próprio Ministério da Justiça lhe atribuiu classificação indicativa para maiores de 14 anos. À época, a pasta sustentou que o filme tinha 'contexto cômico e caricato'. Após censurar a obra, o Ministério da Justiça elevou a classificação indicativa para 18 anos, citando 'tendências de indicação como coação sexual, estupro, ato de pedofilia e situação sexual complexa'.

Na ação apresentada contra o ato do Ministério da Justiça, a Procuradoria argumenta ainda que a competência da pasta para estabelecer a classificação indicativa do filme 'não lhe dá poderes para autorizar ou censurar uma obra'. "Na hipótese em exame, considerando a Classificação Indicativa de 14 anos, poderia este, caso entendesse que a cena é contraindicada para crianças e adolescentes, alterar a classificação, como acabou efetivamente ocorrendo", registrou o órgão.

Estadão
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