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#MeToo deu voz às mulheres, mas ainda faltam soluções, diz Chimamanda Adichie

14 jan 2020
15h05
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O movimento #MeToo pode ter impulsionado os direitos das mulheres, mas a busca pela igualdade de gênero ainda dá "dois passos à frente e um passo atrás", afirmou à Reuters nesta segunda-feira a novelista e ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie durante entrevista à Reuters em Santiago
13/01/2020 REUTERS/Rodrigo Garrido
Escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie durante entrevista à Reuters em Santiago 13/01/2020 REUTERS/Rodrigo Garrido
Foto: Reuters

Chimamanda, cuja palestra no TED, "Todos devemos ser feministas", inspirou uma música de Beyoncé e uma coleção de camisetas da Christian Dior, disse que as mulheres podem estar progredindo no ambiente profissional e na vida pública, mas elas ainda realizam a maior parte do trabalho doméstico.

"O movimento #MeToo, em muitas partes do mundo, tornou possível para as mulheres começarem a falar sobre coisas as quais as mulheres não podiam falar, então, para mim, isso é um progresso", disse a autora durante uma conferência em Santiago, capital do Chile.

"Muitas vezes, parece que estamos dois passos à frente e um passo atrás. Estamos falando sobre isso, mas ainda não encontramos as soluções."

Ela disse que as crianças ainda são costumeiramente criadas com "papéis de gênero arraigados".

"A ideia de trabalho doméstico, por exemplo, quem faz isso, é algo pelo qual as pessoas devem ser pagas?" disse ela. "Em muitos países do mundo, ainda é pensado como algo que as mulheres devem fazer."

"Por causa disso, as mulheres estão fazendo trabalho doméstico em casa e também trabalhando fora de casa. Agora, as mulheres estão duplamente sobrecarregadas e, portanto, o que pode parecer igualdade realmente não é. No futuro, temos que abordar isso; caso contrário, isso levará as mulheres para trás ainda mais."

Chimamanda, cujos romances premiados --incluindo "Americanah", "Hibisco Roxo" e "Meio Sol Amarelo" abordam questões de gênero, raça, identidade e imigração, também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que sua abordagem mais rigorosa à migração das regiões Central e da América do Sul representou "crueldade por crueldade".

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