Maria Adelaide Amaral reflete sobre amizade e televisão ao lançar nova edição de 'Aos Meus Amigos'
Autora do romance que inspirou a série 'Queridos Amigos', da Globo, abre seu baú, conta sobre como se tornou um dos maiores nomes da dramaturgia no País e os planos futuros, que incluem uma peça de teatro sobre Carlos Gomes
"O tema do reencontro de amigos é universal." De fato, uma breve busca na memória e conseguimos pensar em alguns livros e filmes que trazem a amizade como ponto central de uma história. A fala que abre este texto é de Maria Adelaide Amaral, autora de Aos Meus Amigos, livro lançado em 1992, que acaba de ganhar nova edição pela Editora Instante.
A Resistência foi apenas o primeiro passo a caminho do que seria sua grande vocação: contar histórias por meio da dramaturgia. Já em 1979, ela estreou na televisão como colaboradora da novela Os Gigantes, de Lauro Cesar Muniz. Também colaborou em outros sucessos fda TV como Meu Bem, Meu Mal (1990) e O Mapa da Mina (1993), de Cassiano Gabus Mendes; e Deus Nos Acuda (1992) e A Próxima Vítima (1995), ambas de Silvio de Abreu.
A autora só viria a assinar sua primeira novela com o aclamado remake de Anjo Mau (1997), baseado na obra de Cassiano Gabus Mendes. Também foi responsável por levar às telas da Globo uma releitura de Ti Ti Ti - também inspirada em obras de Mendes -, uma mistura de Ti Ti Ti (1985) e de Plumas e Paetês (1980).
Assinatura de sucesso
Todavia, Maria Adelaide acredita que será sempre reconhecida sempre por outras narrativas. "Serei lembrada pelos meus trabalhos de televisão, não pelas novelas que escrevi, mas pelas minisséries. Fiz a diferença aí", diz. Além de Queridos Amigos, escreveu para a TV Globo A Muralha (2000), adaptação do romance de Dinah Silveira de Queiroz, que entrou na programação do canal como uma celebração pelos 500 anos do descobrimento do Brasil. Em 2001 adaptou Os Maias, levando um dos mais famosos livros de Eça de Queiroz para a TV.
Também escreveu Um Só Coração (2004), série que se passa em São Paulo durante a efervescência da Semana de Arte Moderna de 1922. Para escrever, Maria Adelaide conta que seus passeios e caminhadas pela cidade, que também fazem parte de sua pesquisa, incluíram o Cemitério da Consolação, onde foram sepultados Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Mário de Andrade, três dos nomes mais importantes do período.
Como dá para notar, uma das marcas de suas minisséries é a pesquisa histórica. Foi assim com A Casa das Sete Mulheres (2003), adaptação do livro de Letícia Wierzchowski; com JK (2006), sobre o presidente Juscelino Kubitschek; Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor (2010), sobre o casal de cantores; e Dercy de Verdade (2012), que também foi adaptada de um livro escrito pela autora, Dercy de Cabo a Rabo.
Ao mesmo tempo que se eterniza por conta de suas minisséries, talvez não exista mais tanto espaço para suas produções atualmente, principalmente, segundo ela, por serem produções caras. "Maurício de Nassau não sai (a Globo engavetou a produção no passado, ocupando o espaço com Queridos Amigos). Duvido que saia porque é muito caro. Estava escrevendo sobre Carlos Gomes. Não vai sair na televisão, porque é caríssimo. É uma grande história também. Mas essa eu vou levar para o teatro", diz.
E o que será que faz a cabeça de Maria Adelaide diante de tantas opções de séries e seriados? "Tem muita gente escrevendo bem. Bom Dia Verônica (Netflix) é muito boa, Justiça, de Manuela Dias (atualmente com uma segunda temporada disponível no Globoplay), é muito boa também, Os Outros (Globoplay) foi fantástica. Fim (Globoplay), que tem similaridades com Queridos Amigos, mas outra geração, em outra cidade. E Nada, série argentina, que está no Star+", finaliza.