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Livro valoriza o trabalho de Lina Bo Bardi como designer

'O Mobiliário dos Tempos Pioneiros 1947-1958', do curador Sergio Campos, preenche uma lacuna na bibliografia da artista, com a presença da cultura popular

16 dez 2022 - 05h10
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Incentivada pelo pai Enrico Bo - engenheiro, construtor e pintor - a desenhar desde criança, Lina Bo Bardi (1914-1992) sempre manifestou uma certa visão do todo no fazer artístico. Anos mais tarde, já estudante, a ideia de que ao arquiteto caberia não apenas edificar, mas desenhar "da colher à cidade", foi reforçada por sua formação acadêmica. Assim, ainda que, a seu tempo, a profissão não existisse formalmente, atuar como designer sempre lhe pareceu um desdobramento natural de seu ofício. E, portanto, uma atividade a ser exercida com igual critério e paixão.

Agora, um livro vem preencher uma importante lacuna na produção bibliográfica dedicada à sua obra. Com foco primordialmente no mobiliário produzido por ela ao longo de mais de uma década, Lina Bo Bardi Designer, O Mobiliário dos Tempos Pioneiros 1947-1958 apresenta, por meio de farta documentação escrita e fotográfica, boa parte ainda não publicada, toda a riqueza e todo o pioneirismo conceitual do design por ela produzido e hoje reconhecido internacionalmente.

Em especial como, em uma época de intensa internacionalização, a arquiteta volta seus olhos para nossa cultura popular, usando materiais vernaculares e totalmente inusitados na concepção de muitos dos seus móveis - tais como sola de couro selvagem, cordas náuticas, conduítes elétricos, cunhas de carro de boi, compensado de pinho. E procura mostrar ainda como essa leitura e atitude reverberaram entre muitos designers brasileiros, como Sérgio Rodrigues e os contemporâneos Fernando e Humberto Campana.

Lançado na Casa de Vidro do Morumbi - projetada como residência para o casal Pietro e Lina Bardi e atualmente sede do Instituto Bardi/Casa de Vidro, que também apoia a iniciativa -, o livro leva a assinatura do curador e galerista Sergio Campos, da Artemobilia. Com 356 páginas, é fruto de uma longa pesquisa, que teve seu início em 2013, durante os preparativos para a exposição homônima que, em 2014, integrou as comemorações do centenário de nascimento da arquiteta - com a curadoria do autor.

Trajetória

Lina Bo Bardi nasceu em Roma, em 1914. Aos 25 anos, graduou-se arquiteta, apresentando como projeto um edifício com estrutura de concreto armado e vidro aparente, o que já denotava uma clara inovação ante o estilo arquitetônico então vigente. Em 1940, se muda para Milão, onde permanece durante a Segunda Guerra e funda, com o arquiteto Carlo Paganio, o estúdio Bo e Pagani. Com o fim do conflito, Lina retorna a Roma, onde conhece Pietro Maria Bardi, com quem se casa em 1946 e se transfere para o Brasil.

Pioneirismo

Outro aspecto evidenciado pela obra de Campos é o quanto o design de Lina se liga, desde seus primórdios, à cidade de São Paulo. Seu primeiro projeto, por exemplo, a cadeira Masp 7 de Abril, de 1947, radicalmente moderna para sua época - dobrável e com assento e encosto feitos com couro de sola e costurados com barbante, à moda da vestimenta sertaneja.

Diferente de tudo o que já havia sido visto até então, e encomendada por arquitetos como Vilanova Artigas e Rino Levi para suas residências modernistas, a produção do Estúdio de Arte Palma, criado em 1948, pelo casal Bardi, também é apresentada em detalhes. ,

Um capítulo inteiro é dedicado à residência da família de Mário Taques Bittencourt, projetada pelo arquiteto Vilanova Artigas e que, por sua indicação, foi decorada com peças autorais do estúdio. Projeto único, reuniu à sua época o que havia de mais vanguardista na arquitetura e no design. E, passados 70 anos, recebeu seu mobiliário original, para compor um inédito ensaio fotográfico, conduzido pelo próprio autor, para o livro. Desde já aguardado, o segundo volume, a ser lançado em 2023, começa com o mobiliário que Lina criou para a sua Casa de Vidro, com destaque para a famosa Bowl Chair, também chamada por ela de "Tigela".

Lina buscou, por toda a vida, um caminho que a levasse à "experiência da simplificação", como ela gostava de dizer. No mobiliário, talvez o melhor exemplo disso seja o "banco do Sesc", adianta Campos. "Mas isso é assunto para a próxima edição", adverte.

Estadão
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