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Repórter de TV, Matheus Meirelles lança livro sobre novas masculinidades: “Vivência como negro, pai e jornalista”

Autor comenta a pressão de quem trabalha com comunicação, a questão racial na sociedade e a visão de mundo sendo pai de menina

6 set 2025 - 12h49
(atualizado às 12h49)
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O que é ser homem nos tempos atuais? Como performar masculinidade em um mundo cheio de conceitos e preconceitos, expectativas e cobranças? Como desempenhar positivamente o papel de pai?

Tais perguntas suscitaram reflexões no livro ‘O Futuro das Novas Masculinidades’ (Editora BOC), lançado no fim de agosto.

Entre os 29 autores da obra coletiva está o jornalista Matheus Meirelles, repórter da Globo e GloboNews. Ele também trabalhou na CNN Brasil e rádio CBN.

Em conversa com a coluna, Matheus destaca a experiência inédita de publicar, os desafios de quem vive a rotina alucinada na TV e o impacto da presença de mulheres em sua existência.

O jornalista Matheus Meirelles na sessão de autógrafos: "Não há espaço para escorregar, não se pode abrir motivos para questionamentos"
O jornalista Matheus Meirelles na sessão de autógrafos: "Não há espaço para escorregar, não se pode abrir motivos para questionamentos"
Foto: Divulgação

Como você se tornou um dos autores do livro?

Um dos coordenadores do livro, Maurício Maruo, era alguém com quem eu já tinha trocas nas redes sociais pelo trabalho bacana que ele faz com o Paternidade Criativa. Ele me chamou para conversar e disse que estava organizando um livro e que queria dividir a autoria com quem pudesse agregar reflexões sobre a própria área. Topei na hora. Nunca tinha escrito nada, tinha até um pouco de medo de não conseguir desenvolver bem as ideias, mas assumi o desafio.

Como foi o processo de escolha do tema e da escrita?

A escolha foi bem automática. Precisava falar de comunicação, de jornalismo, que é o que vivo todos os dias. Foi bem interessante, em meio à rotina corrida de pai, repórter, marido, filho, parar alguns minutos por dia para escrever. E o processo foi bacana, pois pude parar para observar a jornada dos últimos 11 anos como profissional. A vida vai atropelando e a gente só vai fazendo, dificilmente comemora vitórias ou feitos importantes e quase nunca para com a intenção de olhar para os lados, entender contextos dos locais onde trabalhou, vivência dos colegas. A escrita me permitiu tudo isso.

O repórter da TV viveu seu dia de autor de livro em lançamento na capital paulista
O repórter da TV viveu seu dia de autor de livro em lançamento na capital paulista
Foto: Divulgação

O homem contemporâneo está sob forte pressão para não ser machista e, ao mesmo tempo, reafirmar sua masculinidade. Isso o afeta?

A pressão vem da forma como lidamos com as nossas relações. Trabalhando com comunicação, sinto que a pressão é maior ainda. Não há espaço para escorregar, não se pode abrir motivos para questionamentos. E é uma profissão que não se descola de quem somos na vida pessoal. E é nessa vida que temos a oportunidade de presenciar, viver e performar as mais diversas masculinidades. 

Quais reflexões de sua vivência como homem negro?

A negritude sempre me pautou. Antes de ser homem, de ser jornalista, sou negro. E posso dizer que a sociedade escolheu assim. A minha vivência como homem negro reflete bastante na minha jornada profissional e nas minhas escolhas pessoais, e naturalmente está na minha escrita. Tenho consciência de ser exceção, o que amplia ainda mais as responsabilidades.

Você é pai de menina. Essa imersão no universo feminino teve impacto na sua visão de mundo como homem?

Totalmente. Além de ser pai de menina, minha família é majoritariamente feminina. Todas as histórias que ouvi dos meus pais na infância sobre a família envolveram movimentos e decisões femininas. Antes de ser adotado, saber que quem me deu à luz era uma menina, solo, filha de outra mulher solo, também foi importante para a construção da minha visão de mundo. A paternidade apenas ampliou isso e mostrou a emergência dessas discussões sobre masculinidades para buscar um mundo mais seguro. 

Matheus Meirelles recebeu parentes, amigos e colegas de TV, como Alan Severiano (à esquerda) e Isabela Leite (de rosa), ambos da Globo, no evento do livro 'Novas Masculinidades'
Matheus Meirelles recebeu parentes, amigos e colegas de TV, como Alan Severiano (à esquerda) e Isabela Leite (de rosa), ambos da Globo, no evento do livro 'Novas Masculinidades'
Foto: Divulgação

Você já foi eleito um dos jornalistas negros mais admirados do país. Qual a importância desse reconhecimento e da visibilidade que conquistou na TV?

Agora em agosto apareci também entre os 100 Jornalistas Mais Admirados do Brasil, sem o recorte racial. E isso não seria possível sem a visibilidade que essa premiação com recorte racial me deu. Eu vim do rádio, plataforma que amo. E confesso que não achava que tinha perfil de TV até a primeira oportunidade. De lá para cá, muita coisa mudou nessa minha visão sobre o que pode ser feito na nossa profissão. Os reconhecimentos só aparecem quando o trabalho é feito com dedicação, resiliência e adaptabilidade. Num mundo multiplataforma, se não estivermos dispostos e inovar na abordagem, se não pudermos imprimir visões de mundo diferentes na cobertura, o caminho se fecha. Esse reconhecimento é ainda mais valioso quando ele reflete em inspiração a outras pessoas. No final, também é sobre esse impacto.

Recebe mensagens de jovens negros que têm você como inspiração?

Recebi muitas mensagens de jovens negros, de estudantes de jornalismo, de jovens em geral. É um público que gosto muito de estar junto. Sei o quão importante é a atenção de quem a gente se inspira, pode fazer toda a diferença. Espero um dia poder fazer um mestrado e quem sabe dar aula, estar ainda mais próximo dessas pessoas, que são o futuro.

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