Rádio Mundo Pop inova criando programas apresentados por IA com locutores virtuais
Emissora usa a tecnologia para se conectar com o que acontece a cada segundo a fim de atualizar o ouvinte
Contrariando a previsão, o rádio não morreu. Pelo contrário: ganhou vida nova com a inserção da Inteligência Artificial nos sistemas e até na apresentação de programas.
Um exemplo disso é o pioneirismo da Rádio Mundo Pop, que usa a IA em todas as etapas de produção e já conta com locutores virtuais. Sim, vozes e textos criados pela tecnologia.
A emissora possui alguns programas, a exemplo do ‘Festa Cheia’, totalmente conduzidos por algoritmos com autonomia.
Mas essa modernidade não significa o fim do talento humano, afirma o diretor da rádio, Diego Gimenez, em conversa com a coluna.
Como chegou à direção da Rádio Mundo Pop?
Me tornei diretor a partir de uma construção sólida ao longo de mais de 25 anos de atuação no mercado artístico e de comunicação. Durante esse período, trabalhei diretamente com artistas, atores, atrizes e profissionais do entretenimento, rodando nas principais TVs e rádios do Brasil. Também atuei por muitos anos como divulgador de rádios no Sul do país, o que me proporcionou uma vivência profunda do funcionamento do rádio em diferentes mercados.
Sentiu vontade de fazer algo diferente?
Quando cheguei ao Nordeste, percebi claramente a necessidade de uma emissora que inovasse, modernizasse a linguagem e acompanhasse as transformações do mercado e do público. Foi a partir dessa visão que nasceu a Rádio Mundo Pop. É um projeto pensado para unir experiência e inovação, com foco em música, entretenimento e multiplataformas.
Por que transformá-la em uma rádio com sistema completo por IA?
A ideia surgiu de forma muito natural, em uma parceria que já existia. A Rádio Mundo Pop trabalhava com o sistema da SuperAudio, empresa do meu amigo Gil Azevedo, radialista há mais de 30 anos e idealizador do projeto da plataforma. A Superaudio percebeu que o rádio tradicional, totalmente off-line, precisava acompanhar a chegada da nuvem e do digital. A partir disso, eles desenvolveram um sistema híbrido e disruptivo, que conecta o online e o off-line: a gestão acontece na nuvem, mas a entrega pode ser tanto para o estúdio quanto direto para o ouvinte final. No meio do ano passado, com a Inteligência Artificial fazendo parte de praticamente todos os segmentos, surgiu a possibilidade de levar essa tecnologia para dentro da programação de forma mais profunda.
Na prática, como funciona?
A proposta era tornar a rádio, em determinados momentos, mais autônoma. A IA passou a atuar de duas formas: como apoio ao comunicador humano — ajudando na criação de textos, conteúdos e informações — e também assumindo a programação em horários em que não há locutor ao vivo, como nas madrugadas e aos fins de semana, mantendo a rádio ativa sem perder qualidade e viabilidade financeira.
A IA decide sozinha?
O diferencial é que essa IA interage em tempo real com o que está no ar. Ela anuncia e ‘desanuncia’ músicas, acessa informações atualizadas como trânsito, temperatura, hora, horóscopo e também cria conteúdos inéditos minutos antes de entrar no ar, como programetes de saúde, tecnologia e comportamento. Nada é engessado ou previamente gravado: existe apenas o prompt. O que vai ao ar é sempre uma surpresa, inclusive para quem está por trás da operação.
Há limite para o uso da IA no rádio?
Na prática, a Inteligência Artificial na Rádio Mundo Pop atua de forma completa e integrada. Hoje, a IA é capaz de apresentar um programa sozinha, permitindo a escolha de voz masculina ou feminina, além de ajustes de entonação, direcionamento e velocidade da fala. Tudo isso é criado e configurado internamente pela equipe, tornando a IA uma peça fundamental da operação da rádio.
Décadas atrás, disseram que a TV ia matar o rádio e não aconteceu. Agora, quais são os maiores desafios?
Assim como aconteceu no passado, o rádio não está ameaçado pela tecnologia. Na verdade, é impulsionado por ela. O grande desafio da programação musical hoje é se reinventar em um cenário onde o público tem infinitas opções, e é justamente aí que a Inteligência Artificial entra como aliada estratégica. A IA permite que o rádio seja mais ágil, criativo e conectado com o presente. Ajuda a otimizar processos, liberar tempo da equipe para pensar em conteúdo, criar novos formatos e dar mais atenção à experiência do ouvinte. Em vez de engessar a programação, a tecnologia abre espaço para inovação, testes e linguagens mais atuais. Outro ponto fundamental é a capacidade de atualização em tempo real. A IA possibilita que o rádio dialogue com o agora. Isso reforça o rádio como um meio vivo, dinâmico e relevante.
O IA vai substituir o humano?
O rádio que se mantém forte é aquele que entende que a Inteligência Artificial não substitui a essência humana, mas potencializa o que o rádio sempre teve de melhor: proximidade, companhia e capacidade de se adaptar ao tempo em que vive. A proposta não é substituir o comunicador humano, mas experimentar novos formatos e ampliar possibilidades criativas.
Quais artistas já passaram pela rádio?
Ao longo desses dois anos de história, que a rádio completa em 10 de março, a Mundo Pop construiu parcerias importantes e contou com a participação ativa de nomes relevantes da cena pop, rock e reggae brasileira. Nesse período, artistas como Marcelo Falcão, Gabriel O Pensador, Toni Garrido, Onze:20, Detonautas, Raimundos, Armandinho, Samuel Rosa, Vanessa da Mata, Claus e Vanessa, Natiruts, Thaide, Barão Vermelho, Frejat, Biquíni, Ira!, CPM 22, Maskavo e Chimarruts, contribuíram diretamente com a programação da emissora. Fizemos ainda o especial Charlie Brown Jr. – 30 anos.