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"Não quero mais ter opinião", diz Maitê Proença

19 jul 2009 - 21h18
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Aos 49 anos, Maitê Proença é superativa: está em Caminho das Índias, produz a peça As Meninas e engata mais uma temporada no GNT. Mas diz que o que queria mesmo era fazer... nada. Maitê reclama que perguntam sobre tudo para ela e que é impressionante como, depois que começou a escrever, 'passou de burra a inteligente' na visão do público.

Na divulgação de Uma Vida Inventada, romance com referências autobiográficas ¿ como o assassinato de sua mãe pelo seu pai ¿, você preferiu não comentar algumas passagens. Por quê?

Eu nunca fui uma pessoa que falei sobre essas coisas, nem vou falar. Deixei muito claro que a única forma que eu posso contar esta história é através da literatura, usando aquele formato.

Quando você começou a fazer sucesso, não havia o assédio de paparazzi como hoje. Como é ter que se acostumar com isso?

Não existia paparazzi, mas também não tinha Malhação, com tanta gente no mercado. Eu sempre fui muito assediada. Mas as celebridades de hoje nascem dentro de um restaurante no Leblon: vão comer um carpaccio e chamam umas pessoas. Isso não acontecia, a gente tinha um ir e vir mais tranquilo. Ninguém se interessava com quem eu ia almoçar ou o que eu ia fazer dentro da boate. Hoje não é tão problemático: já fiz todas as porcarias que tinha para fazer, graças a Deus, e não tinha nenhum fotógrafo por ali...

Na estreia de As Meninas, peça de sua autoria, você foi fotografada recebendo um 'beijaço' de seu namorado, o empresário Alexandre Colombo. Isso chateou vocês?

Não fico chateada, pois eu não saí por aí falando desse assunto. Podendo evitar ir num lugar com fotógrafos, eu o farei. Para preservá-lo, pois a pessoa não é disso, não gosta. E, de fato, você faz uma manifestação de carinho espontânea e tem 300 mil pessoas fotografando... Assusta! Assusta até os filhos. A Maria (filha de Maitê, de 18 anos) foi na estreia, ficou muito emocionada com a peça e, de repente, já tinha um monte de câmeras na cara dela. Ela não estava preparada ainda para falar. Há um incômodo com quem não buscou isso, cuja profissão não é esta, e eu tenho que tomar cuidado com essas pessoas. Eu estou na chuva para me molhar, mas não necessariamente tenho que arrastar um trem atrás de mim.

Como você se sentiu com a polêmica criada quando Lygia Fagundes Telles a acusou de roubo pelo título da peça As Meninas, nome de um dos livros da escritora?

Eu fiquei um pouco surpresa, pois fiz questão de passar para a Lygia todos os e-mails da tentativa de mudar o nome da peça. Quis mostrar que estava empenhada em fazer algo que eu não tinha vontade de fazer, mas estava fazendo porque não queria ter um problema com ela. Então, não cabia ali aquela atitude dela. Mas acho que alguém falou algo para ela na hora errada. Tinha um capeta ali do lado...

Você voltou ao ar em Caminho das Índias, com a personagem Nanda. Sua entrada já estava prevista?

Recebi um e-mail da Glória Perez e o texto era: "Está disponível?" Só. E eu respondi: "Pra você? Pra caramba". Só. Dois dias depois, tempo de mudar meus cabelos (Maitê teve que alongar seus fios), já estava gravando. Nem no texto eu conseguia pensar, só na minha própria cabeça, que doía demais. É horrível. Eu mudei para não ficar com o mesmo cabelo da última novela (Três Irmãs). Pensei: se eu for cortar, tenho que pensar mais, então vou colocar. Não dá para sair cortando o cabelo assim com essa idade... Mas acho que está resultando bem. Acho, pois não consegui assistir a nenhum capítulo ainda, pois não tive tempo...

As Meninas, Saia Justa, Caminho das Índias, eventos literários... Você está se sentindo sobrecarregada?

Muito. Eu gostaria demais de não fazer nada. Eu fico felicíssima quando estou à toa. Eu só faço coisas porque... Eu não sei por quê! Na outra encarnação, vou nascer dona de casa, fazer bolo, cozinhar, receber as pessoas, cuidar do cachorro. Eu quero isso e não quero mais ter opinião.

Como "não ter opinião"?

As pessoas me pedem opinião sobre tudo, tudo, sobre as coisas mais inacreditáveis. Eu não quero ter que dar, eu não quero nem pensar. Eu adoraria ser uma pessoa que fumasse maconha, por exemplo. Seria uma coisa muito boa para mim nesse momento, mas eu não gosto...

Como é estar próxima dos 50 anos, que você completa em janeiro do ano que vem?

Fazer 50 anos é uma questão. Mas tem tanta novidade na minha vida... E eu ainda tenho o que oferecer às pessoas. Ninguém gosta de ver a degradação física, mas ela virá, não tem jeito. Mas eu não vou passar meus dias pensando nisso, eu tenho que me habituar.

A passagem do tempo interfere na sua carreira?

Nos últimos anos, eu abri outras vertentes na minha vida e elas lidam com algo que não é exterior. Intuitivamente, eu acho que as abri na hora certa, pois me dá o caminho de dentro. E as pessoas passam a se relacionar com as coisas de dentro. Eu estou oferecendo a elas: "Olha, tem mais!"

As pessoas mudaram depois que se tornou escritora?

Sim. O estigma da beleza também interfere, as pessoas acham um pouquinho que, por isso, você deve ser curto. Eu era burra e fiquei inteligente. Às vezes, penso: "Gente, as pessoas me achavam muito burra, muito". E nada mudou, na verdade, porque você não aperta um botão e fica inteligente, é apenas a percepção alheia.

Maitê Proença se prepara para desfilar no 'Fashion Tea'
Maitê Proença se prepara para desfilar no 'Fashion Tea'
Foto: Anderson Borde / AgNews
Fonte: O Dia
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