Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

'Na TV, ele mapeou o Brasil', diz autor de livro sobre Paulo Gracindo

16 out 2012 - 22h06
Compartilhar
JULIANA PRADO
Direto do Rio de Janeiro

A vida de um dos maiores atores brasileiros da história, Paulo Gracindo, foi parar nas páginas de um livro feito a quatro mãos pelo filho, o também ator Gracindo Jr., e pelo especialista em teledramaturgia Mauro Alencar. A noite de autógrafos para lançamento da obra, com o sugestivo título de Um Século de Paulo Gracindo - o Eterno Bem-Amado, aconteceu na noite desta terça-feira (16) em uma livraria da Zona Sul do Rio de Janeiro e marca o registro definitivo dos múltiplos personagens imortalizados pelo ator.

Antes do lançamento, que completa as comemorações do centenário de Paulo Gracindo, celebrado em 2011, Mauro Alencar se desdobrava em elogios ao homenageado. "Na TV, ele simplesmente foi o ator que, com seus personagens, com suas criações, conseguiu fazer um mapeamento do Brasil. Ele foi o carioca, o paulista, o gaúcho, o nordestino, o baiano... Olhando para o trabalho do Paulo Gracindo, você tem uma compreensão social e cultural do Brasil."

Alencar foi responsável por uma vasta pesquisa em torno da obra do ator e por ampliar as informações contidas no documentário concebido por Gracindo Jr, Paulo Gracindo - o Bem Amado, no qual se baseia o livro. "O Gracindo me fez um convite para transformar em livro o documentário, que é de 2009. O livro é eterno. Não que o cinema não seja, mas, realmente registrar isso em livro é muito bom."

O amado Odorico Paraguaçu

Nascido no Rio de Janeiro, Paulo Gracindo foi ainda bebê para Maceió, capital de Alagoas, onde viveu até os 20 anos. De lá, ainda nos anos 1930, se mudou para o Rio, onde iniciou sua carreira no radioteatro. Alencar conta que o jovem mergulhou na profissão em uma época em que ela era praticamente satanizada e enfrentou muito preconceito para se firmar na carreira. A própria família era sumariamente contra a ideia de Gracindo se tornar ator.

"Ele conseguiu trazer uma dignidade muito maior para a carreira de ator no Brasil. Era algo proibitivo, marginalizado, ainda mais para alguém vindo de Alagoas e naquela época". Apesar de todos os embates e obstáculos, ele conseguiu se destacar, chegando a popularizar a radionovela, por exemplo, e estrelando O Direito de Nascer (1951 a 1954). Também ficaram marcados os vários programas de auditório, a TV e até mesmo o cinema. Paulo Gracindo esteve no clássico de Glauber Rocha Terra em Transe (1967).

Na TV, Paulo, nascido Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo, foi muitos e eternos personagens. O mais popular, ninguém duvida, foi o prefeito Odorico Paraguaçu, da novela O Bem-Amado (1973), de Dias Gomes. Mas Mauro Alencar sai na defesa de vários outros personagens de Paulo Gracindo. "Teve o Tucão, da novela Bandeira 2 (1971, também de Dias), que era um bicheiro de Ramos; teve o Antenor, personagem da novela Os Ossos do Barão (1973), um tipo que era filho de um barão do café e que perambulava pela Praça da República, em São Paulo. Era, inclusive, um dos trabalhos do coração dele."

Outro imortal, segundo o pesquisador, foi o coronel Ramiro Bastos, da primeira versão da novela Gabriela (1975), atualmente vivido pelo ator Antonio Fagundes.

Multimídia

Além de encarnar muitos personagens, Paulo Gracindo foi ¿multimídia¿, segundo Mauro Alencar. O ator conseguiu transitar entre vários mundos com sua arte. Com maestria, esteve no teatro musical, por exemplo, onde atuou ao lado de Clara Nunes, no espetáculo Brasileiro, Profissão Esperança, dirigido por Bibi Ferreira. Muita gente também não sabe, mas ele declamava poesia "maravilhosamente bem", comenta Alencar.

Paulo também fez história emprestando, por anos, a voz ao personagem Albertinho Limonta, na radionovela O Direito de Nascer. Segundo o pesquisador, talvez seja este "o personagem mais significativo da radionovela mundial". "Vem daí, inclusive, essa variação interpretativa que ele tinha. A gente escuta um personagem tal é uma voz, vai para o Rio é outra voz, para a Bahia, outra voz. E assim em vários papeis que fez."

Numa viagem que vai dos anos 1930 até o início da década de 1990 ¿ Paulo Gracindo morreu em 1995 ¿ os grandes momentos do ator estão finalmente imortalizados neste trabalho de delicada garimpagem lançado no Rio. Através de fotos de arquivo, depoimentos de colegas de profissão e parentes e de um minucioso cuidado ao contar sobre a vida de seus personagens, Paulo Gracindo - o Eterno Bem-Amado já é considerada a homenagem que faltava para o ator.

O ex-diretor da Globo, Boni, ao lado dos autores da biografia de Paulo Gracindo, Mauro Alencar e Gracindo Jr., filho do ator
O ex-diretor da Globo, Boni, ao lado dos autores da biografia de Paulo Gracindo, Mauro Alencar e Gracindo Jr., filho do ator
Foto: Felipe Assumpção / AgNews
Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra