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MP do DF propõe ação contra contra Virginia e Blaze por publicidade enganosa e pede R$ 120 mi de indenização

Investigação inicial foi feita pelo órgão a partir de um relatório técnico que identificou mais de 42 mil reclamações contra a Blaze

9 jul 2026 - 15h02
(atualizado às 16h05)
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Virginia Fonseca gasta R$ 1,5 mil em remédios nos EUA após recorrer à IA
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Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública, nesta quarta-feira, 8, contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze por publicidade enganosa e abusiva, pedindo indenização de R$ 120 milhões por danos coletivos. 

O órgão confirmou ao Terra que entrou com a ação, em caráter de urgência, mas como o pedido ainda não foi apreciado pela Justiça, não forneceu mais detalhes. No entanto, conforme o Estadão, a investigação inicial foi feita pela promotoria a partir de um relatório técnico que identificou mais de 42 mil reclamações contra a casa de apostas. 

O promotor Paulo Roberto Binicheski apontou indícios de práticas abusivas, retenção sistemática de valores dos apostadores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis aos influenciadores parceiros. 

A plataforma, segundo o MPDFT, teria praticado a estratégia chamada de "rollover", que consiste na concessão de vantagens financeiras a promotores da marca mediante a captação de um número determinado de apostadores, o que é proibido por portaria do Ministério. 

A influenciadora, ex do jogador Vini Jr., seria um dos pilares desse modelo, já que tem mais de 56 mil seguidores no Instagram, plataforma que ela usa para divulgar as apostas da Blaze. 

Virgínia vibra com término de depoimento na CPI das bets
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Foto: Reprodução/TV Senado

Conforme o MP, o uso de influenciadores para divulgar a casa de apostas “potencializa exponencialmente o alcance da publicidade ostensiva, o que agrava o risco de “lesão patrimonial a um número incalculável de consumidores, especialmente aqueles em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela ilusória promessa de 'renda extra'”. 

Ainda durante a fase de inquérito, o órgão cobrou da Blaze a cópia dos contratos firmados com Virginia, Neymar Jr e outros influenciadores.  

Papel da influenciadora no caso

MPDFT aponta Virginia como suspeita de ter induzido seus seguidores a uma aposta com alto potencial de perdas financeiras, o que se enquadraria na prática de rollover. Em 3 de julho, por exemplo, a famosa divulgou uma aposta na vitória da seleção de Cabo Verde contra a Argentina sob o argumento de que estaria "confiante" no desempenho do goleiro Vozinha, e colocou o link da Blaze "para quem também quiser apostar".

Como não informou ao público que tem contrato com a plataforma, o promotor da ação, entende que a conduta pode caracterizar publicidade oculta e dissimulada, em violação ao Código de Defesa do Consumidor.

"Sua audiência não a percebe como uma celebridade distante, mas como alguém próximo, autêntico, cuja vida cotidiana — casamento, filhos, viagens, hábitos de consumo — é acompanhada com regularidade e afeto. Quando essa figura pública exibe, em um story, a realização de sua própria aposta em Cabo Verde, o receptor não processa a mensagem como publicidade explícita; ele a internaliza como um gesto pessoal de alguém de confiança", afirmou. 

No pedido da ação, Binicheski  também relembrou que a CPI das Bets e outros inquéritos criminais aos quais Virginia respondeu pela publicidade. Além disso, ele responsabilizou a Blaze por adotar uma "estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo". 

O órgão imputa à plataforma outras práticas abusivas, como reter valores depositados por apostadores e bloquear contas com base em "justificativas genéricas".

Vírginia Fonseca no plenário da CPI das Bets: mais tietada do que questionada
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Foto: Agência Senado

Além dos R$ 120 milhões de indenização, que devem ser revertidos em programas sociais que tratam de vícios em apostas, o promotor pede que os conteúdos dos influenciadores vinculados à casa de aposta sejam removidos, as cláusulas ilícitas do contrato da plataforma com Virginia sejam suspensas e ambos sejam obrigados a veicular campanha sobre os riscos das apostas, o superendividamento causado por essa prática e os direitos consumidor.

Por fim, o MPDFT pede que Virginia e Blaze sejam condenados por danos materiais coletivos e individuais sujeitos à devolução em dobro dos valores indevidamente captados, caso seja configurada má-fé objetiva.

Em nota, a defesa de  Virginia afir

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.

A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.

Em nota a defesa de Virginia alega que "tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos. [...] a defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda". 

A reportagem entrou em contato com a Blaze e não obteve resposta. O espaço segue aberto. 

Leia íntegra da nota da defesa de Virginia Fonseca

A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos. 

Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca. 

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.

A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca.

Fonte: Portal Terra
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