Ernesto Varela, Telekid, Professor Tibúrcio, apresentador do 'CQC' e do 'Provocações': diversos momentos de Marcelo Tas ao longo de sua carreira na TV.
Foto: Itaú Cultural / Exposição 'Varela Upload' / Divulgação | TV Cultura / Divulgação | Valeria Gonçalvez / Estadão | TV Cultura / Divulgação | Juliana Ortega / TV Cultura / Divulgação / Estadão
Marcelo Tas, apresentador, entrevistador, ator, diretor, roteirista, entre tantas outras funções, completa 60 anos de idade neste domingo, 10. Em entrevista ao E+, Tas relembrou momentos marcantes de sua carreira.
Desde a criação de programas e personagens, passando pela sua análise do mundo da TV e da comunicação como um todo, o ex-apresentador do CQC, que atualmente está à frente do Provocações, da TV Cultura, e eternizou personagens como Ernesto Varela, Professor Tibúrcio e Telekid fala sobre praticamente tudo.
O nome Tas é uma sigla formada pelas iniciais do sobrenome de Marcelo: Tristão Athayde de Souza. O nome é usado desde a época em que assinava a lista de presença nas aulas da Escola Politécnica da Usp, onde cursou engenharia civil.
"Na engenharia comecei a escrever um jornalzinho de humor, chamava-se Cê-Viu?. Foi aí que comecei a usar mesmo o pseudônimo, assinando as matérias como Marcelo Tas", completa.
A 'virada' na vida de Tas teve início na dramaturgia - conheceu a cena teatral e chegou a trabalhar com o diretor Antunes Filho. ( para conferir mais sobre a relação de Marcelo Tas com o teatro).
Antes de estrear para valer nos palcos, partiu para o vídeo, graças a amigos que haviam criado recentemente uma produtora.
Olhar Eletrônico
Tas começou a ficar conhecido pelo público principalmente a partir de seu trabalho na Olhar Eletrônico, produtora onde conheceu nomes como Fernando Meirelles, Paulo Morelli, Marcelo Machado, Dário Vizeu, Tonico Mello e Renato Barbieri.
"A gente se reuniu e foi feita uma vaquinha para comprar uma câmera de vídeo e uma ilha de edição. Esse foi o momento que falei: 'Agora eu encontrei. Essa é a comunicação que eu quero entender'. Foi quando eu realmente abandonei tudo, até o Antunes [Filho] e resolvi me dedicar só a fazer vídeos.
Até hoje, Tas relembra a primeira vez em que seu nome apareceu nos créditos de uma produção: o curta-metragem Marly Normal, de Fernando Meirelles.
Créditos do curta 'Marly Normal', de Fernando Meirelles, em que aparece o nome de Fernando Tas [com a grafia Tass].
Foto: Reprodução de cena de 'Marly Normal' (1983) / Fernando Meirelles / Estadão
O repórter Ernesto Varela
O repórter Ernesto Varela, personagem criado por Tas, representa, segundo o próprio, "a primeira vez que fiz uma coisa na frente da câmera que chamou atenção."
"A gente começou a fazer entrevistas, no início, com pessoas desconhecidas, depois artistas e políticos. Cobrimos todo aquele ambiente de redemocratização que o Brasil estava vivendo: Diretas Já, votação da emenda Dante de Oliveira..."
Ernesto Varela era conhecido por fazer perguntas mais 'ácidas' e capciosas aos seus entrevistados, como Nabi Abi Chedid, que já ocupou os cargos de deputado estadual, dirigente da CBF e presidente do Bragantino (clube que recentemente conquistou o acesso à Série A em 2020), às vésperas da Copa do Mundo de 1986.
"O senhor é um político que se meteu no meio do futebol. Por que os futebolistas não podem se meter no meio da política?", questionava. Ao ser informado que Chedid responderia apenas perguntas ligadas ao esporte, emendou: "Qual é a sua próxima jogada?"
Em 1984, confrontou Paulo Maluf em uma entrevista "exclusiva de meio minuto": "Percebi que muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto, é ladrão... É verdade isso, deputado?". O político não respondeu e foi embora.
Em 2016, o personagem foi o centro da exposição Varela Upload no Itaú Cultural, em São Paulo. Parte significativa do acervo de Ernesto Varela está disponível atualmente em um seu site.
Tas também fala do estilo 'semelhante' entre o personagem e o programa que apresentaria anos depois: "O CQC tem a ver com o Varela? Tem, o próprio cara que criou o projeto fala que se inspirou no Varela, mas o CQC é uma plataforma que foi muito além. Programa de duas horas, com muitos talentos envolvidos, jornalistas, inclusive".
CQC
Em 17 março de 2008, foi ao ar pela primeira vez o Custe o Que Custar, mais conhecido pela sigla CQC, na Band. Marcelo Tas foi chamado para "comandar essa bagaça", como costumava dizer no ar.
"Para mim, o segredo do CQC não são os humoristas, mas principalmente os jornalistas que estavam atrás dos humoristas e davam embasamento técnico para as piadas, especialmente as de conjuntura, de Brasília, denúncia... Aquilo era produto de muito jornalismo com o talento dos humoristas na frente da câmera. Um não existiria sem o outro", analisa hoje.
A aparição em um programa tão popular marcou um novo momento para a carreira do apresentador: "O CQC juntou tanto uma galera que não me conhecia, quanto a que me conhecia. As pessoas não sabiam que 'aquele careca do CQC' era o Telekid do Castelo Rá-Tim-Bum. Serviu para juntar o meu público que era criança e ficou jovem e o pai, que conhecia o Varela".
Marcelo Tas conversa com Mauricio de Sousa em reportagem do 'CQC' em 2014.
Foto: Band / Divulgação / Estadão
Questionado se o programa deixou uma 'lacuna' pelo seu tipo de cobertura, Tas responde: "Eu creio que isso significa oportunidade [risos]. Tem essa lacuna, com certeza, de jovens que não confiam ou não têm saco de acompanhar o noticiário pelo jornalismo tradicional. Talvez aí se explique um pouco o crescimento dos youtubers".
Entre os momentos marcantes do
CQC
estavam o quadro
Top Five
, em que Tas apresentava cinco momentos bizarros ocorridos na TV aberta brasileira, embalado por um instrumental de
Enter Sandman
, do Metallica. Algumas figuras, como Silvio Santos e Maisa Silva, eram presença frequente no quadro. Relembre um
Top Five
no vídeo abaixo:
Ousadia na TV
"Vale a pena ser ousado. Televisão tem memória curta. Quando você faz uma coisa que explora os limites do que é possível fazer, creio que tem mais chance dessa coisa dialogar com gerações futuras, sabe?", reflete Tas, pedindo por ousadia na TV.
Em outro momento, ressalta a importância de canais como os que foram a MTV e a TV Cultura em décadas passadas.
"As emissoras que têm uma audiência mais de nicho são muito sábias em serem mais ousadas. Acho que esse é o papel delas, mesmo. A dificuldade é elas reterem esses talentos ou projetos", afirma.
"O CQC é um exemplo disso. Depois, cada um toma outra vida, acaba não ficando na Band. Acho uma pena. As emissoras têm que se preparar para o sucesso dos projetos e tentar desenvolver novos", concluiu.
'Olá, classe' - A origem do Professor Tibúrcio
O Professor Tibúrcio, personagem de Marcelo Tas, tira foto com Serginho Groisman nos bastidores da festa de 45 anos da TV Cultura, em 2014.
Foto: TV Cultura / Divulgação / Estadão
"O Fernando [Meirelles], faltando uns três meses para o Rá-Tim-Bum estrear, falou: 'cara, você não vai aparecer no programa. Dá um jeito!'", relembra Marcelo sobre a origem do icônico Professor Tibúrcio, que aparecia sempre usando beca, com maquiagem carregada e longos cabelos.
Pouco depois, viu uma pilha de pastas com objetivos pedagógicos nos quais o programa se basearia. Ela já estava reduzida, e com "coisas difíceis de explicar" quando surgiu a ideia: "Um professor tem direito de explicar do jeito que ele quiser! Foi essa a linha de criação do Tibúrcio".
Por conta do tempo escasso, Tas deixou a câmera "travada" para o quadro. "Pode ver que a câmera do Tibúrcio não se mexe. Isso fez com que a gente pudesse gravar vários quadros, e a edição praticamente não existia. Isso facilitou muito".
"É engraçado, até hoje tem gente que 'liga os pontos' e fala: 'caraca! você era o Professor Tibúrcio!", se diverte Tas.
Tas no Castelo Rá-Tim-Bum - ''Porque sim' não é resposta!'
Marcelo Tas também foi um dos personagens do clássico Castelo Rá-Tim-Bum [que em breve terá o lançamento de um novo livro, Raios e Trovões]: Telekid, que aparecia para dar explicações após perguntas feitas pelo personagem Zequinha.
Cao Hamburger, criador e diretor do programa, chamou Tas quando já haviam três programas 'prontos'. "Queria muito que você estivesse no Castelo. Dá uma olhada e vê se você tem alguma ideia", teria dito ao colega.
'Você Decide' (Globo) - Diversos programas marcam época na televisão, mas nenhum consegue ser eterno. Relembraremos a seguir diversos programas que marcaram época, e que provavelmente você vai se lembrar de já ter assistido, mas que saíram do ar já há alguns anos, como o 'Você Decide', que ficou no ar entre 1992 e 2000, e partia de uma premissa simples: por meio de ligações telefônicas, os espectadores votavam para escolher a opção de desfecho de cada episódio, que tinha finais alternativos gravados previamente. Por exemplo: devolver ou não devolver uma carteira repleta de dinheiro que não pertence ao personagem?
Foto: Nelson Di Rago / TV Globo / Divulgação / Estadão
'Você Decide' (Globo) - Inúmeros artistas passaram pela apresentação do programa, como Tony Ramos, Luciano Szafir, Antônio Fagundes e Susana Werner.
Foto: Divulgação / Globo / Estadão
'Brava Gente' (Globo) - Cena do capítulo 'Um Edifício Chamado 200', com Luiz Fernando Guimarães, Cláudia Raia e Bianca Byington
Foto: Divulgação / Globo / Estadão
'Linha Direta' (Globo) - O programa trazia reconstituições de crimes reais por meio de simulações com atores, fazendo apelo para que pessoas denunciassem os bandidos, caso tivessem informações sobre seu paradeiro. Muita gente se lembra do programa com uma certa parcela de 'medo' até os dias de hoje!
Foto: Divulgação / Globo / Estadão
'Gente Inocente' (Globo) - No programa apresentado por Márcio Garcia, as crianças faziam o papel de entrevistadoras. Foi ao ar aos domingos, entre 2000 e 2002.
Foto: Rocha Miranda / Globo / Divulgação / Estadão
'Aqui Agora' (SBT) - Quem não se lembra das inconfundíveis narrações de Gil Gomes, sempre com suas chamativas camisas estampadas, no programa policial que ia ao ar no SBT?
Foto: Divulgação / SBT / Estadão
'Aqui Agora' (SBT) - Além da exibição original, que durou de 1991 a 1997, o programa também contou com outra versão, em 2008, que trazia nomes como os de Cristina Rocha e Herbert de Sousa, além dos 'novatos' Luiz Bacci e Joyce Ribeiro.
Foto: Divulgação / SBT / Estadão
'Carga Pesada' (Globo) - Quem nunca se divertiu ou se emocionou com as histórias de estrada contadas pelos caminhoneiros Pedro e Bino, vividos por Antônio Fagundes e Stênio Garcia, respectivamente?
Foto: Divulgação / Globo / Estadão
'Carga Pesada' (Globo) - O programa trouxe duas versões, com a mesma dupla de protagonistas: a primeira exibida entre 1979 e 1981, e a segunda entre 2003 e 2007. 'Carga Pesada' (Globo)
Foto: Divulgação / Globo / Estadão
MTV Brasil - Em 30 de setembro de 2013, há cinco anos, a MTV Brasil saía do ar na TV aberta. Relembre a seguir diversos programas que marcaram época no canal e certamente você vai se lembrar de já ter visto.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Beija Sapo' - Algumas pretendentes vestidas como 'sapas' do programa.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Beija Sapo' - O cenário do programa também era bastante característico.
Foto: Kelly Fuzaro / MTV / Divulgação / Estadão
'Beija Sapo' - Algumas personalidades chegaram a participar do 'Beija Sapo', como o cantor Felipe Dylon, que fazia sucesso à época (veja como ele está atualmente). Na foto, também aparece a 'Madrasta', interpretada por Mahê Machado, personagem recorrente no programa.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Covernation' - Marcos Mion comandava a atração que colocava grupos brasileiros que faziam cover de bandas famosas. Provas como reconhecer o nome de uma música ouvindo apenas poucas de suas notas, ou cantar com a boca cheia de paçoca valiam pontos distribuídos aleatoriamente por Mion. No fim das contas, geralmente, a prova final, uma disputa de 'solos' entre as bandas, era o que definia o grande vencedor do "Troféu Emerson Nogueira" - Posteriormente rebatizado como "Troféu Danni Carlos".
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Covernation' - No 'Covernation', Mion também interpretava Pablo, em referência ao personagem do clássico 'Qual É A Música?' de Silvio Santos.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Hermes e Renato' - As esquetes do grupo inicialmente eram focadas em dois personagens, justamente Hermes (Marco Antônio) e Renato (Fausto Fanti). Fausto, à esquerda na foto, um dos fundadores do grupo, morreu aos 35 anos, em julho de 2014.
Foto: Felipe Aguillar / MTV / Divulgação / Estadão
'Piores Clipes do Mundo' - Iniciado em 1999, quando teve apresentação de Marina Person, de forma mais simples, o programa foi evoluindo ao longo do tempo. Em algumas edições, os apresentadores recebiam um convidado com roupas verdes, em frente a um fundo verde, e faziam comentários sobre diversos clipes. Graças ao uso da técnica Chroma Key, pareciam 'cabeças flutuantes' na tela. Na foto, Fernanda Lima e Didi Wagner junto ao cantor Otto em um desses momentos, em 2002.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Piores Clipes do Mundo' - Uma das fases mais lembradas do programa teve à frente Marcos Mion, que zombava de diversas produções - desde as maiores, como os clipes de Michael Jackson - até algumas mais desconhecidas à época, como o clipe do 'Funk da Pamonha', de Rodney Di.
Foto: Reprodução de 'Piores Clipes do Mundo' (2000) / MTV | YouTube / @Luiz Rogerio da Rocha / Estadão
'Disk MTV' - Entre 1990 e 2006 os videoclipes mais pedidos na emissora eram exibidos em ordem, do 10º ao 1º, no programa que contou com diversas apresentadoras. Entre elas, Astrid Fontenelle, Cuca Lazarotto, Sabrina Parlatore, Sarah Oliveira e Carla Lamarca (na foto, em 2005).
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Gordo a Go-Go' - O 'Gordo a Go-Go' foi um entre tantos programas de entrevistas apresentados por João Gordo. Na foto, entrevistando Chorão, do Charlie Brown Jr., em 2005.
Foto: Kelly Fuzaro / MTV / Divulgação / Estadão
'Gordo a Go-Go' - Foi no programa que João Gordo perguntou ao Padre Marcelo Rossi se ele costumava "acordar de p** duro".
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Gordo Freak Show' - Com o 'Gordo Freak Show' o apresentador explorava o lado mais bizarro da TV.
Foto: Kelly Fuzaro / MTV / Divulgação / Estadão
'Top Top' - Os apresentadores Marina Person e Léo Madeira apresentaram o 'Top Top', que fazia listas citando 'top 10'. Por exemplo, "as 10 bandas com os fãs mais chatos".
Foto: Felipe Aguillar / MTV / Divulgação / Estadão
'Rockgol' - A dupla formada entre Paulo Bonfá e Marco Bianchi eternizou bordões e narrou diversos 'clássicos' disputados entre verdadeiros craques do mundo da música, como Supla, Di Ferrero e os integrantes do Br'oz.
Foto: MTV; Divulgação / Estadão
'Mega Liga de Vjs Paladinos' - O canal também apresentava alguns desenhos em sua programação. Entre eles, a 'Mega Liga', que trazia diversos VJs do canal em versões animadas, como se fossem super-heróis.
Foto: Reprodução de 'Mega Liga de Vjs Paladinos' / MTV / Estadão
'Comédia MTV' - O humorístico contava com diversos nomes que fizeram sucesso em outras emissoras posteriormente, como Marcelo Adnet, Dani Calabresa e Tatá Werneck.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
'Acesso MTV' - Leo Madeira ao lado de Sophia reis e Kika Martinez no 'Acesso MTV' já na reta final da emissora, entre 2009 e 2013.
Foto: MTV / Divulgação / Estadão
Marco Nanini - O eterno Lineu, de 'A Grande Família', era bem diferente em seus tempos de 'Telecurso'!
Marília Gabriela - A atriz, apresentadora e entrevistadora manteve-se à frente da TV ao longo das décadas, e mudou bastante de visual entre as épocas.
Foto: Reprodução de 'Telecurso' / Globo| Iara Morselli / Estadão / Estadão
Jorge Fernando - O ator e diretor usava um penteado bastante diferente quando participava das teleaulas.
Foto: Reprodução de 'Telecurso' / Globo | Iara Morselli / Estadão / Estadão
Marco Luque - O humorista, que ganhou projeção nacional na bancada do 'CQC', atualmente faz participações no 'Altas Horas'.
Foto: Reprodução de 'Telecurso' / Globo | Christina Rufatto / Estadão / Estadão
Rosi Campos - A atriz, que tem longa trajetória no teatro e na TV, fez parte das teleaulas. Entre seus papéis marcantes está o de Morgana, em 'Castelo Rá-Tim-Bum'. Esteve recentemente em 'Êta Mundo Bom!'.
Pascoal da Conceição - Você provavelmente se lembrará de Pascoal como Pompeu Pompílio Pomposo, o Dr. Abobrinha do 'Castelo Rá-Tim-Bum'. Mais recentemente, fez parte da minissérie 'Vade Retro', da Globo, e também está no elenco de 'Deus Salve o Rei', da emissora.
Cássio Scapin - O eterno Nino do 'Castelo Rá-Tim-Bum' foi outro que aparecia com alguma frequência nas lições do curso televisivo.
Foto: Reprodução de 'Telecurso 2000' / Globo | Iara Morselli / Estadão / Estadão
Ana Lúcia Torres - Ana Lúcia possui décadas de experiência e atuações em novelas da Globo. Entre seus trabalhos mais recentes estão 'Êta Mundo Bom!' e 'O Outro Lado do Paraíso'.
Foto: Reprodução de 'Telecurso 2000' / Globo | Rafael Campos / Globo / Divulgação / Estadão
Roberta Rodrigues - A atriz começou em novelas em 'Mulheres Apaixonadas', quando sofria as investidas do filho de seu patrão na casa em que trabalhava, vivendo a personagem Zilda. Atualmente, integra o elenco de 'Cidade dos Homens'.
Leonardo Medeiros - O ator fez parte de diversas produções da Globo desde o início do século, incluindo novelas como 'Em Família', 'Tempos Modernos' e 'A Favorita'. Seu trabalho mais recente na TV foi na novela 'O Rico e Lázaro', da Record TV.
Luiz Guilherme - O ator participou de diversas produções ao longo da carreira. Na Globo, atuou em novelas como 'Uga Uga', 'Kubanacan' e 'A Lua Me Disse'. Também passou por outros canais como Record TV e SBT, em que fez parte de produções como 'Escrava Mãe' e 'Carinha de Anjo'.
Chris Couto - Com uma carreira extensa na TV, Chris já passou por diversos canais e programas, como atriz e repórter, desde 'Malhação' e 'Castelo Rá-Tim-Bum' até 'A Fazenda' e 'Liberdade, Liberdade'.
Antonio Fragoso - O ator é conhecido por sua participação recorrente no humorístico 'Zorra' nos últimos anos.
Foto: Reprodução de 'Telecurso' / Globo | João Cotta / Globo / Divulgação / Estadão
Arthur Kohl - Recentemente, o ator participou da série do SBT 'A Garota da Moto' e viveu José Serra em 'Real: O Plano por Trás da História', filme lançado em 2017.
Foto: Reprodução de 'Telecurso 2000' / Globo | Reprodução de cena de 'Real: O Plano por Trás da História' (2017) / Paris Filmes / Estadão
Paulo Giardini - O ator, que é irmão da também atriz Eliane Giardini, é conhecido por ter feito diversas participações em novelas da Globo ao longo das últimas décadas. Um de seus trabalhos mais recentes foi vivendo Antônio em 'Novo Mundo'.
Foto: Reprodução de 'Telecurso 2000' / Globo | Reprodução de 'Novo Mundo' (2017) / Globo / Estadão
Gianfrancesco Guarnieri - Conhecido por sua vasta carreira no teatro, cinema e TV, viveu o avô de Lucas Silva e Silva em 'Mundo da Lua' e também protagonizou 'Eles Não Usam Black-Tie'. Morreu em 2006.
Foto: Reprodução de 'Telecurso' / Globo / Estadão
Marcelo Tas - E se você achava que as figuras conhecidas ficavam apenas em frente às câmeras, veja só quem era o diretor de criação do programa...
Foto: Reprodução de 'Telecurso 2000' / Globo / Estadão
'Escolhinha do Professor Raimundo' - A 'Escolinha do Professor Raimundo' foi um dos trabalhos mais marcantes do humorista Chico Anysio, que interpretava o próprio Professor Raimundo desde a década de 1950, em programas de rádio, e como um quadro do programa 'Noites Cariocas', da TV Rio, a partir de 1957. Na Globo, a 'Escolinha' original foi exibida entre 1990 e 1995, e, posteriormente, entre março e dezembro de 2001. Em 2015, foi feita uma nova versão da 'Escolinha do Professor Raimundo', desta vez, com o filho de Chico, Bruno Mazzeo, como o personagem principal.
'Escolinha do Professor Raimundo' - Entre 2015 e 2019, já foram produzidas quatro temporadas da nova 'Escolinha do Professor Raimundo'. O personagem Alemar Vigário, vivido por Lúcio Mauro, ficou a cargo de seu filho, o também ator Lúcio Mauro Filho, por exemplo. Rolando Lero (Rogério Cardoso) ficou com Marcelo Adnet, Batista (Eliezer Motta) ficou com Rodrigo Santanna, Catifunda (Zilda Cardoso) ficou com Dani Calabresa), Seu Peru (Orlando Drummond) ficou com Marcos Caruso, Zé Bonitinho (Jorge Loredo) ficou com Mateus Solano e Dona Bela (Zezé Macedo) ficou com Betty Gofman. Na foto, elenco da 'Escolinha do Professor Raimundo' em gravação no ano de 2001, e, ao lado, atores da nova versão da 'Escolinha'.
'A Grande Família' - 1ª versão (1972-1975) - A versão original de 'A Grande Família' foi exibida entre 26 de outubro de 1972 e 27 de março de 1975. Os personagens eram praticamente os mesmos da versão mais recente, porém, vividos por atores diferentes: Nenê (Eloísa Mafalda), Bebel (Djenane Machado, e, a partir de 1973, Maria Cristina Nunes), Lineu (Jorge Dória), Seu Floriano (Brandão Filho), Agostinho Carrara (Paulo Araújo) e Tuco (Luiz Armando Queiroz). Havia ainda, no elenco principal, o personagem Júnior, interpretado por Osmar Prado, que foi deixado de fora na versão mais nova.
Foto: Reprodução de 'A Grande Família' (1972) / Globo / Estadão
'A Grande Família' - 2ª versão (2001-2014) - A 2ª versão de 'A Grande Família' é a mais lembrada pela maioria dos brasileiros. Lineu (Marco Nanini), Nenê (Marieta Severo), Agostinho Carrara (Pedro Cardoso), Bebel (Guta Stresser) e Tuco (Lúcio Mauro Filho) formavam a 'Grande Família' que se envolveu nas mais diversas confusões ao longo de mais de 13 anos, entre 29 de março de 2001 e 11 de setembro de 2014. Outros personagens conhecidos foram Marilda (Andréa Beltrão), Beiçola (Marcos Oliveira), Paulão (Evandro Mesquita) e Seu Floriano, avô da família, que era interpretado pelo ator Rogério Cardoso, morto em 2003.
'Carga Pesada' - 1ª versão (1979-1981) - Entre 22 de maio de 1979 e 2 de janeiro de 1981, a 1ª versão da série 'Carga Pesada' foi exibida na Globo mostrando as histórias dos amigos caminhoneiros Pedro (Antonio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia).
Foto: Globo / Divulgação / Estadão
'Sai de Baixo' (2013) - Em 2013, a maior parte do elenco de 'Sai de Baixo', à exceção de Claudia Jimenez, Claudia Rodrigues e Tom Cavalcante, fez uma nova leva de episódios do humorístico no Teatro Procópio Ferreira, com novos textos e situações, mas nos mesmos moldes do tradicional seriado, desta vez exibidos pelo Canal Viva. Em 2019, foi lançado 'Sai de Baixo: O Filme', desta vez com Tom Cavalcante. Márcia Cabrita, que participou dos novos episódios em 2013 e da série original, morreu em 2017, antes do início das gravações do longa. Na trama, a empregada da família, Edileuza, foi vivida por Cacau Protasio. Desde 2017, a Globo também passou a reprisar alguns episódios de 'Sai de Baixo' em sua programação.
'#Provocações' (2019) - Em 2019, Marcelo Tas anunciou ter aceitado "a missão de atualizar o 'Provocações', o anti-talk-show criado pelo mestre Antônio Abujamra". Agora, o programa passa a se chamar '#Provocações', apesar de manter a essência do original, segundo garantiu Tas ao Estado. Clique aqui para ler a entrevista completa sobre o programa, que estreia nesta terça-feira, 14 de maio de 2019.
Foto: Juliana Ortega / TV Cultura / Divulgação / Estadão
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Em um primeiro momento, o apresentador não conseguiu pensar em algo. Ao receber mais fitas para assistir, reparou que era recorrente a cena em que os personagens respondiam ao jovem: "Porque sim, Zequinha!".
"'Vai ter sempre esse negócio?' Porque tem sempre um adulto falando 'Porque sim' para o Zequinha. Aí tive a ideia de criar uma vinheta. Toda vez que alguém fala 'Porque sim', interrompe a narrativa lógica do Castelo e eu entro de um computador."
"Era um quadro que precisava de muitos recursos tecnológicos. A gente gravava de madrugada na TV Cultura, porque tinha que parar a emissora, praticamente, para fazer os efeitos do Telekid", relembra.
Vitrine
Marcelo Tas no estúdio do 'Vitrine', da TV Cultura, em maio de 2000.
Foto: Jair Bertolucci / TV Cultura / Divulgação / Estadão
Na TV Cultura, Marcelo Tas também esteve à frente do Vitrine, programa que contou com diversos apresentadores ao longo de sua existência. Em março de 2000, por exemplo, já era possível conferir edições anteriores do programa em seu site.
"Foi pioneiro, mesmo. Não só ao falar de internet em TV aberta, mas ao usar a internet. As pessoas entravam ao vivo por e-mail, chat... Em 2000, no ano da Olimpíada de Sidney, a gente transmitiu o Vitrine da Austrália por internet", relembra Tas.
Netos do Amaral - Ernesto Varela na MTV
Na MTV, Marcelo Tas, como Ernesto Varela, esteve à frente do Netos do Amaral - paródia de Amaral Netto, o Repórter, primeiro programa fixo da Globo exibido em cores, em que o jornalista mostrava locais distantes do País e exaltava obras da ditadura militar, era exibida à noite, nos fins de semana, entre 1968 e 1983. Tas, é claro, mostrava o País sob uma ótica bastante diferente.
"Foi um projeto que produzi com o João Moreira Salles. Fui de Ernesto Varela viajar pelo Brasil, ver como estava aquele Brasil grande, que o Amaral Netto na ditadura falava que não tinha tantos problemas", conta Tas.
O programa era dividido em três blocos e tinha cerca de 35 minutos no total. Nele, o apresentador fez viagens ao Oiapoque, para mostrar a fronteira brasileira com a Guiana Francesa, a São Luís, mostrar a "invasão jamaicana", e a Barretos mostrar a "invasão texana".
Tas também relembra outro trabalho na emissora, à época em que o País se decidia entre república ou monarquia e entre presidencialismo ou parlamentarismo.
"Fiz uma série que gostei muito na MTV, mais curtinha, quando o Brasil fez o plebiscito em 1993, chamada O Que o Brasil Vai Ser Quando Crescer? Era uma ficção, fazia um personagem tresloucado, um cara meio baseado em políticos ambiciosos", conta.
Marcelo Tas na Globo - O quadro que não foi ao ar, Vídeo Show e Guel Arraes
"Participei do núcleo do Guel Arraes no início da década de 90, nós criamos vários programas. Era um núcleo grande de roteiristas. Um dos projetos que nós criamos foi o Casseta e Planeta. Fiz duas ou três participações como Ernesto Varela, mas foi coisa curta", relembra Marcelo Tas sobre o período em que esteve na Globo.
Em 1987, aparecia repleto de maquiagem branca para um quadro no Vídeo Show, programa que chegou a apresentar.
Tas também participou da criação do
Fora do Ar
, quadro do
Fantástico
que não chegou a estrear, no fim da década de 1990.
"Esse quadro foi premonitório, ficou 'fora do ar' [risos]. O projeto nasceu um pouco antes do tempo, era muito ousado. Misturava jornalismo com ficção. Hoje é uma coisa corriqueira, mas, na época da virada do milênio, tinha uma certa insegurança ali".
"Esse projeto é um dos que os professores de jornalismo mais usam. É engraçado. Não foi para o ar, mas é muito estudado", conta Tas.
Telecurso
"É o maior projeto de televisão que eu já participei, fiz mais de 10 anos. É importante entender que minha função era coordenar a criação de roteiros de televisão", relembra Tas sobre sua participação no Telecurso, que marcou época na Globo e em TVs públicas.
Em seguida, complementa: "O Telecurso era um projeto muito amplo, tinha equipe de professores, produção dos programas... Chegamos a ter 14 roteiristas trabalhando."
Provocações - a 'licença' de Abujamra
Desde maio de 2019, Tas retornou à TV Cultura, desta vez como entrevistador. Mas não sem antes uma negativa: "Quando me chamaram para fazer o Provocações, a primeira resposta que eu dei foi 'não', porque era o programa do Antonio Abujamra [ator e diretor morto em 2015]."
"Sempre falei pra mim mesmo: talk-show é uma coisa que você só faz se a emissora te chama e quando você tem 60 anos. Quando cheguei em casa depois do primeiro 'não', falei 'cacete! É a emissora que está me chamando e eu vou fazer 60 anos!", ri.
Marcelo Tas no 'Provocações'.
Foto: Juliana Ortega / TV Cultura / Divulgação / Estadão
Na sequência, o apresentador do programa que trouxe nomes como Ciro Gomes, Danilo Gentili e Pedro Cardoso na última temporada complementa: "Pedi 'licença' para o Abujamra. Até liguei para a família, sou amigo do André [Abujamra, filho de Antonio]. Recebi dele de volta provocações: 'Eu quero que você se lasque!'. Aí me senti provocado e topei [risos]".
Questionado sobre nomes históricos que gostaria de entrevistar - sem levar em conta a data - Tas responde: "Cleopatra. Com certeza. É a mulher que está empoderada desde o Egito antigo."
"Outro cara que eu amaria, e infelizmente não vai dar mais tempo, é o Arthur Clarke [morto em 2008], roteirista de 2001: Uma Odisseia no Espaço. É meu ídolo, tanto na ficção científica quanto na ciência", complementa.
As redes sociais e a televisão
Figura conhecida no mundo da internet Marcelo Tas reflete sobre o momento em que passou a sentir uma maior proximidade do público com a TV em termos de redes sociais.
"Um ano pra mim é muito nítido é 2009, que é o ano do smartphone e o ano que eu saí em uma matéria do Wall Street Journal, falando que eu era o primeiro influenciador que tinha conseguido patrocínio no Twitter. Pra mim foi um p*** susto."
"Não é que as redes sociais interferem na audiência da televisão, elas interferem dentro do coração das pessoas. Quem muda são os telespectadores, porque se sentem poderosos. Começam a falar. Antes, eles ficavam calados assistindo televisão"
O que Marcelo Tas assiste?
Com o rádio "sempre ligado" e acompanhando novas plataformas de streaming como a Netflix e a Amazon, Tas reflete: "A coisa mais importante hoje é saber o que você quer ver, se não você vê muita bobagem. É fácil se perder nessa avalanche de oferta".
"Eu consumo de tudo, desde coisas 'antigas', que seria ver os jornais, por exemplo. Podcasts de filosofia... Gosto demais do Iberê Thenório, do Manual do Mundo. A dupla do Jovem Nerd - talvez os caras que melhor entenderam o panorama da nova comunicação".
As inspirações de Marcelo Tas
Momento em que Ernesto Varela (Marcelo Tas) 'inverte' sua função com Valdeci (Fernando Meirelles).
"Tenho um panteão de 'gurus'. O Antunes Filho [diretor teatral] foi um grande mentor da minha carreira. O Guel Arraes [diretor de TV] é outro. O Fernando Meirelles [diretor de cinema] é mais que um guru, um parceiro, até hoje".
Entre personalidades estrangeiras, o apresentador também cita o britânico Stephen Fry e o criador da Wikipédia, Jimmy Wales: "Na era do fake news, a Wikipédia está se tornando um dos lugares de mais alto grau de confiabilidade das informações"
Os 60 anos de Marcelo Tas
O apresentador, que é casado com a atriz Bel Kowarick e pai de Luc, Clarice e Miguel, reflete sobre as seis décadas de vida completadas em 2019.
"Eu estaria mentindo se dissesse que é só mais um aniversário. As datas redondas chamam atenção para algo que a gente fica distraído, que é a passagem do tempo. Eu nunca tive a expectativa de chegar a essa idade. Meu único objetivo de vida até hoje relacionado a idade foi fazer 18 anos, porque eu queria ter carteira de motorista. O resto é lucro", diz.
Em seguida, continua: "O engraçado é que ainda não sei o que é 'fazer 60'. Assim como não soube o que foi 'fazer 20', 30, 40, nem 50. Eu espero que eu descubra uma hora dessas".
Futuros projetos de Tas
"Resolvi não topar mais televisão que me obrigue a ficar 'preso' numa grade", contou