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Irlandês que sobreviveu à mesma queda de Juliana Marins relembra pavor: 'Poderia morrer'

Irlandês que passou pela mesma queda de Juliana Marins detalha dificuldades de sobrevivência; conheça o turista

26 jun 2025 - 16h43
(atualizado às 16h57)
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Nessa semana, o mundo se chocou com a triste morte de Juliana Marins, a brasileira que foi encontrada morta quatro dias após sofrer uma queda no vulcão Rinjani, na Indonésia. Em outubro do ano passado, o irlandês Paul Farrell, de 32 anos, fez a mesma trilha que a publicitária e sofreu um acidente semelhante, mas conseguiu sobreviver. Ele relembrou os momentos de terror e dificuldade de sobrevivência ao conceder entrevista à BBC News Brasil.

Irlandês que passou pela mesma queda de Juliana Marins detalha dificuldades de sobrevivência; conheça o turista
Irlandês que passou pela mesma queda de Juliana Marins detalha dificuldades de sobrevivência; conheça o turista
Foto: Mais Novela

O rapaz estava fazendo o trajeto até o cume quando escorregou e caiu a 200 metros. Segundo ele, o começo do trajeto é tranquilo, mas as condições ambientais começam a piorar conforme os escaladores se aproximam do topo: "O chão ali é diferente, do tipo que você parece dar um passo pra frente e dois para trás. Pelo fato de estarmos num vulcão, o terreno é arenoso e você pode afundar os pés".

A queda

Paul caiu durante a descida do cume. Em determinado momento, ele ficou incomodado com os pequenos pedregulhos que entraram em seu sapato. Foi quando ele sentou e a tragédia aconteceu: "A situação estava desconfortável, então decidi remover os tênis para limpá-los. Para fazer isso, tirei as luvas que usava nas mãos, apenas para facilitar esse trabalho", relembrou. Depois, uma rajada de vento soprou suas luvas para longe e o irlandês tentou resgatá-las: "Nessa hora, eu ajoelhei. E o chão onde eu pisava simplesmente desabou".

Ele caiu na ribanceira e se apavorou com a rapidez do movimento: "A velocidade com que eu caía só aumentava, a adrenalina estava a mil. Eu concluí rapidamente que poderia morrer a qualquer momento".

No modo sobrevivência, o irlandês tentou procurar algum lugar para se apoiar e impedir seu corpo de seguir caindo: "Eu tentava enfiar minhas unhas, minhas mãos, em qualquer coisa, apenas para desacelerar. Até que vislumbrei uma grande rocha, quase um rochedo, e tentei desviar meu caminho naquela direção."

"Eu me choquei contra a pedra, mas felizmente consegui frear a descida", disse ele, que conseguiu subir na rocha e impedir uma piora na tragédia. "Mesmo assim, eu não estava em segurança. Naquele lugar, você pode escorregar a qualquer momento."

O resgate

Farell fez a trilha junto a um grupo, mas naquele momento tinha apenas uma mulher francesa no seu campo de visão. Ela testemunhou a queda e chamou o resgate: "Eu gritei com toda a força dos meus pulmões para que ela encontrasse o restante da equipe e buscasse ajuda. Então ela correu de volta ao acampamento-base e avisou as pessoas".

Segundo ele, foram no total cinco ou seis horas de espera. "Foi obviamente muito assustador. Eu rezava a Deus para sair dali vivo, ou com apenas alguns ossos quebrados", relembrou. "Pra ser sincero, eu aceitaria quebrar um braço, uma perna, ou todos os meus ossos para deixar aquela situação. Se eu precisasse fazer um pacto com Deus ou com o Diabo para sair dali com vida, eu faria".

O irlandês contou que os socorristas estavam resgatando um outro corpo de um acidente quando foram lhe buscar. "Estava muito grato e cheio de energia", disse. "Eu adoro adrenalina e esportes radicais, mas essa foi uma situação que ficou muito perto do limite".

Segurança e Juliana Marins

Paul Farell lamentou a morte da jovem brasileira e mandou condolências a família: "Em primeiro lugar, gostaria de lamentar a morte da Juliana e prestar minha solidariedade à família dela neste momento".

Para ele, é necessário reforçar a segurança da trilha para evitar os acidentes: "Sobre melhorias, precisamos considerar que a Indonésia é um país pobre, com menos recursos. Mas naturalmente mais dinheiro deveria ser investido para aumentar a segurança ali". E sugeriu: "Ou garantir que cada grupo tenha pelo menos dois guias, para que um deles permaneça na retaguarda e possa oferecer algum tipo de suporte para as pessoas que sentem algum mal-estar e ficam para trás, como parece ter sido o caso de Juliana".

Mudança de vida e paixão pela escalada

Apesar do grande susto, Paul não desistiu de subir montanhas pelo mundo. "Eu seria mais cauteloso numa segunda vez, mas subir montanhas é algo que quero fazer pelo resto de minha vida, até quando for capaz", disse ele."É muito raro que pessoas sobrevivam a acidentes como este, infelizmente. Mas quando você se vê vivo depois de passar por isso, começa a pensar no que é realmente importante".

O irlandês cita que sua perspectiva de vida mudou após sobreviver ao acidente: "Minha conexão com Deus está muito melhor. Agora tento viver a vida de um jeito mais alinhado aos valores que realmente são centrais para mim".

Mais Novela
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