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Glória Menezes e Tarcísio Meira quebraram paradigmas para viver um amor que marcou a TV brasileira

Atriz morreu aos 91 anos nesta terça-feira, 18; marido faleceu em 2021, vítima de covid-19

18 ago 2026 - 17h48
(atualizado às 18h11)
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O casal de atores Tarcísio Meira e Glória Menezes, ícones da teledramaturgia
O casal de atores Tarcísio Meira e Glória Menezes, ícones da teledramaturgia
Foto: EDUARDO NICOLAU / Estadão

É impossível não falar de Glória Menezes e não lembrar de Tarcísio Meira. Durante 59 anos, ele formaram um casal que marcou a TV brasileira. Ela morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos. Ele faleceu em 2021, vítima da covid-19.

Na época, os dois foram internados juntos pelo coronavírus e coube ao filho Tarcisinho a contar para a mãe que o pai tinha morrido. "Ela recebeu a notícia de mim, mas de um cara vestido de astronauta. Com máscara, um baita de um capacete de vidro, todo enrolado... era o procedimento da época", declarou o filho na época. 

Em entrevista para a revista Quem, em 2012, Gloria Menezes contou que conheceu Tarcisio durante uma peça de teatro. "Fui falar com o Antunes (Filho, diretor), em 1960, quando fui fazer As Bruxas de Salém, e Tarcísio estava ensaiando outra peça. Quando cruzei o palco, ele conta que pensou “meu Deus do céu...” (risos). Minha imagem chamou a atenção dele."

A artista lembrou que foi um namoro moderno porque era uma mulher separada e tratou de elogiar a beleza do amado, a quem considerava um "deus".

"Não sou uma pessoa naturalmente ciumenta e isso me facilitou, porque, se ele casa com uma mulher ciumenta, ia ser pesado. A mulherada dava muito em cima dele. Uma vez, estava grávida do Tarcisinho. A empregada avisou que tinha uma mulher, amiga de uma conhecida nossa, querendo falar com o Tarcísio. Eram 11h da manhã. Ele desceu e eu vi, de cima da escada, que a mulher estava dando em cima dele dentro da minha casa. Pensei “não estou acreditando!”, contou. 

A história de Glória e Tarcísio se misturou com a da teledramaturgia brasileira. Eles ficaram casados por 59 anos, até a morte do ator. Juntos tiveram Tarcísio filho, o único filho do casal. Frutos de um casamento anterior, que foi arranjado pela família quando ela tinha 18 anos, Glória tem outros dois filhos: João Paulo e Maria Amélia. 

Morre a atriz Glória Menezes, estrela da teledramaturgia, aos 91 anos:

Quem foi Glória Menezes

Aos 91 anos, Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18, em seu apartamento no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa da artista informou ao Terra, ela morreu de causas naturais.

Glória Menezes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934. Ainda durante a infância, mudou-se com a família para São Paulo, onde estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Na época, também participou da criação do grupo de teatro amador Jovens Independentes. O envolvimento com a companhia fez com que ela deixasse a faculdade para se dedicar aos projetos teatrais.

A estreia nos palcos aconteceu em 1959, quando recebeu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador dirigido por Antunes Filho. No mesmo ano, Glória iniciou a carreira na televisão pela TV Tupi. Entre os primeiros trabalhos esteve Um Lugar Ao Sol, produção que contou ainda com nomes como Laura Cardoso e Henrique Martins.

O cinema também marcou os primeiros anos da carreira. Em 1962, Glória protagonizou O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. A produção foi exibida no Festival de Cannes e conquistou a Palma de Ouro, feito que permanece como o único de um filme brasileiro e sul-americano na premiação.

Na televisão, um dos primeiros grandes marcos veio em 1963. Ao lado de Tarcísio Meira e Lolita Rodrigues, Glória protagonizou 2-5499 Ocupado, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Durante esse período, ela e Tarcísio Meira iniciaram um relacionamento e posteriormente se casaram. Os dois voltaram a contracenar em A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966).

Foto:

A chegada à TV Globo ocorreu em 1967, quando o casal passou a integrar o elenco da emissora. Juntos, atuaram em produções como Sangue e Areia (1967), de Janete Clair, e Rosa Rebelde (1969). Os dois também seguiram em trabalhos separados. Em Passos dos Ventos, Glória formou par romântico com Carlos Alberto, enquanto Tarcísio Meira atuou em A Gata de Vison, ao lado de Yoná Magalhães.

Um dos papéis mais marcantes de Glória veio em Irmãos Coragem, também escrita por Janete Clair. Na trama, a atriz interpretou Diana, Lara e Márcia, três personalidades da mesma personagem. A novela alcançou grande audiência e consolidou o nome da atriz na televisão brasileira.

Durante os anos 1970, Glória continuou em destaque em novelas como O Homem Que Deve Morrer, também de Janete Clair, produção que substituiu Irmãos Coragem na programação. Mais uma vez, ela dividiu o elenco com Tarcísio Meira.

Outro trabalho de destaque foi O Grito, exibida em 1975. Escrita por Jorge Andrade, a novela retratava conflitos e a rotina caótica da cidade de São Paulo. Quatro anos depois, Glória voltou a interpretar uma personagem de Janete Clair em Pai Herói, dando vida a Ana Preta em uma produção que reuniu nomes importantes da dramaturgia, como Paulo Autran.

Já na década de 1980, a atriz participou de novelas como Corpo a Corpo e Brega e Chique, nesta última ao lado de Marília Pêra e com a participação de seu filho, Tarcísio Filho. Glória também protagonizou Tarcísio & Glória, seriado criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon.

Nos anos 1990, um de seus personagens mais lembrados foi Laurinha Figueiroa, de Rainha da Sucata. Na trama, Glória interpretou uma socialite sofisticada que enfrentava a falência. A personagem protagonizou uma das cenas mais marcantes da novela ao cometer suicídio ao pular de um prédio.

Depois de Rainha da Sucata, a atriz continuou presente em produções de destaque da televisão, como A Próxima Vítima, Torre de Babel, Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Páginas da Vida e A Favorita.

No teatro, Glória também construiu uma trajetória extensa. Entre os trabalhos nos palcos estão Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, peça em que interpretou uma paciente em estágio terminal de câncer.

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Fonte: Portal Terra
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