Defesa de Hytalo Santos pede afastamento de juiz e questiona imparcialidade em condenação
Advogados alegam racismo e homofobia em trecho da sentença e solicitam anulação dos atos processuais
A defesa do influenciador Hytalo Santos entrou com um pedido no Tribunal de Justiça da Paraíba solicitando o afastamento do juiz Antonio Rudimacy Firmino de Sousa do caso que resultou na condenação dele e de Euro por produção de conteúdo com conotação sexual envolvendo menores de idade. Os advogados também requereram a nulidade de todos os atos praticados pelo magistrado, alegando comprometimento da imparcialidade.
Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de detenção, enquanto Euro recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Ambos estão presos preventivamente desde agosto de 2025 e atualmente permanecem no Presídio do Roger, na Paraíba, após transferência de São Paulo.
Segundo os advogados, o magistrado teria incorrido em "grave ato de discriminação indireta por cor e orientação sexual" ao mencionar características pessoais de Hytalo na sentença. O ponto central do questionamento é um trecho em que o juiz afirma:
"Os autos não revelam personalidade ruim do acusado. Somente pelo fato de ser negro e gay assumido, inclusive é casado com o outro réu, não quer dizer que seja ou possua mau caráter."
Para a defesa, a própria necessidade de fazer essa observação indicaria que fatores como cor e orientação sexual foram considerados no raciocínio judicial. Os advogados afirmaram que essa construção "expõe contaminação subjetiva incompatível com o dever de imparcialidade".
O pedido de afastamento ocorre no mesmo período em que o Tribunal de Justiça da Paraíba analisa um habeas corpus apresentado em favor do casal. O julgamento teve início nesta terça-feira (24), e a decisão poderá influenciar a situação processual dos condenados.
A defesa é formada por uma equipe de advogados que inclui Sean Hendrikus Abib, Felipe de Oliveira, Ricardo Ueno, Bruno Galhardo, Bruno de Carvalho, Laura Silveira, José Vanilson Junior, Évanes Queiroz e Fabian Franco.
O caso
O caso ganhou ampla repercussão em agosto de 2025, após o youtuber Felca publicar um vídeo intitulado "Adultização", no qual denunciava supostas práticas envolvendo exploração de menores. As acusações incluíam a exposição da adolescente Kamylinha em conteúdos considerados inadequados.
Desde então, o influenciador e Euro permanecem presos preventivamente, enquanto a defesa busca reverter decisões judiciais e questiona a condução do processo.