Ator vítima de racismo na trama de ‘Vale Tudo’ foi morto em ponto de ônibus
Fernando Almeida fez sucesso na Globo, mas acabou vindo estatística como tantos outros jovens pretos e pobres
O frenesi provocado pelo remake de ‘Vale Tudo’ traz à memória o fim trágico de um dos atores mais carismáticos do elenco. Fernando Almeida interpretou Gildo, garoto pobre acolhido pela protagonista Raquel (Regina Duarte).
O ator foi morto com dois tiros na cabeça enquanto esperava um ônibus na Avenida Brasil, zona norte do Rio. Tinha 29 anos e deixou um filho, Samuel, da união com a atriz e apresentadora Antônia Fontenelle. Segundo a polícia, a motivação do crime teria sido um desentendimento com desconhecidos em um baile funk.
Fernando Almeida estreou na Globo aos 6 anos. Conquistou popularidade na segunda novela, ‘Livre Para Voar’, quando interpretou Gibi, o inseparável parceiro de Pardal (Tony Ramos).
Dois anos depois, surgiu como Gildo em ‘Vale Tudo’. Nas cenas com veteranos, ele se destacava pelo talento e a sensibilidade. Em certo momento da trama, houve discussão a respeito do racismo por meio do menino.
A vilã Maria de Fátima (Gloria Pires) reclama por ver a mãe andar “de porta em porta com um negrinho”. A vendedora de sanduíche reage. “Como cidadã, contra racista, desumana, eu tenho toda a força do mundo para encher essa tua cara de tapa”, afirma. Gildo pede calma, diz que já “está acostumado” com o tratamento desrespeitoso.
Diante da possibilidade de apanhar, Maria de Fátima se desculpa e apela à recorrente atenuação. “Falei sem pensar, estou nervosa.” Espera-se que estas cenas relevantes não sejam cortadas da nova versão da novela por temor da patrulha do politicamente correto.
Fernando Almeida participou de outros sucessos, como ‘Sinhá Moça’ e ‘Pedra Sobre Pedra’. Sua presença nas novelas era carregada de simbolismo em um tempo de pouca representatividade racial na teledramaturgia.
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