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Esports abrem espaço para psicologia do esporte

10 ago 2019
10h24
atualizado às 12h14
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A cada dia que passa, os praticantes de eSports (esportes eletrônicos) no mundo crescem mais e mais. Quanto mais gente joga, mais gente também dá o próximo passo e se torna profissional, competindo em campeonatos cada vez maiores e mais lucrativos. Segundo estudo feito neste ano pela Newzoo, agência global de marketing especializada na modalidade, o mercado de jogos eletrônicos deve crescer 15% em relação a 2018, alcançando 450 milhões de potenciais atletas.

O crescimento do negócio como um todo faz com que os pro players, atletas profissionais dos jogos eletrônicos, sejam cada vez mais sérios e busquem métodos cada vez mais sofisticados para melhorarem seu desempenho. É neste cenário que entra a psicologia do esporte, campo importante dos esportes de alto rendimento já há um bom tempo, e que cada vez mais faz parte do dia-a-dia dos eSports.

Participantes jogam em feira de games em Viena, Áustria
29/03/2019
REUTERS/Lisi Niesner
Participantes jogam em feira de games em Viena, Áustria 29/03/2019 REUTERS/Lisi Niesner
Foto: Reuters

“O treinamento psicológico nos eSports é fundamental porque a exigência no campo emocional, psicológico e neuromotor é imensa, além disso, tem a pressão dos jogos; normalmente existe um nível de ansiedade que deve ser equilibrado para não ter nenhuma interferência na concentração”, conta Dr. João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte e presidente da Associação Paulista da Psicologia do esporte.

Cozac, que trabalha com psicologia do esporte de alto rendimento há 30 anos, acumula passagens por grandes cubes de futebol do país como Palmeiras e Cruzeiro e mais recentemente migrou também para o campo eletrônico para trabalhar com as equipes MIBR e a Vivo Keyd.

“Os eSports representam hoje uma das modalidades mais receptivas para o trabalho psicológico no esporte, a gente não percebe preconceitos como tem muito no futebol, então eu acredito que é um campo muito fértil. Acho que todo o conhecimento e experiência de trabalhar em grupos e equipes de diversas modalidades e categorias, aliado ao uso da tecnologias e o conhecimento maior do perfil psicológico de atletas de alto rendimento certamente são ingredientes da minha bagagem que já vem me ajudando”, conta Cozac, há dois anos no mercado eletrônico.

Semelhanças com o futebol

Com passagens por Palmeiras, Cruzeiro, Goiás e Ituano, o psicólogo já teve a experiência de trabalhar em grandes clubes do esporte mais popular do país e conta as diferenças de atuação nos eSports.

“Os paralelos existem por conta de serem modalidades coletivas e em ambas o fluxo de comunicação é primordial e as vezes até determinante para o sucesso do trabalho em equipe. Acho que a pressão durante as partidas é algo que ocorre tanto no futebol quanto nos eSports, e também a necessidade da manutenção da concentração e do foco”, explica.
“O que eu vejo de uma diferença mais pontual, é que o futebol tem o componente físico, uma necessidade de treinamento físico muito elevado, e os eSports também, mas não tão elevado, a exigência é muito mais no plano cognitivo e psicológico”, pontua Cozac.

Bom senso para evitar excessos

Assim como no futebol e em qualquer esporte de alto rendimento, a rotina de treinamentos e preparação nos eSports não pode levar os atletas ao esgotamento. Entre horas e horas de treino na frente da tela, o importante, explica Cozac, é encontrar um ponto de equilíbrio baseado no bom senso.

“Assim como qualquer modalidade esportiva, é muito importante que se tenha bom senso na dosagem das cargas de treinamento, para que o atleta não entre em overtraining (excesso de treino) ou em situações de stress. É fundamental que haja um trabalho multidisciplinar, do administrador, do técnico e do psicólogo do esporte, porque pro players em esportes digitais geralmente ficam de 10 a 12 horas em treinamento, com intervalos, refeições, reuniões, debates, mas de toda forma é sim uma rotina cansativa”, diz.

“Embora tenham apenas dois ou três campeonatos durante o ano, e com isso, intervalos grandes entre cada um, então o atleta pode descansar e muitas vezes volta para sua casa, sua cidade, durante os torneios, realmente a rotina é bastante cansativa e cabe muito a questão do bom senso e de uma avaliação contínua sobre a capacidade que a equipe tem, tanto no plano individual como no coletivo, de se manter qualitativamente bem no alto rendimento”, conclui o psicólogo.

*especial para a Gazeta Esportiva

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