Filme sobre colaborador francês do regime nazista é aposta da crítica à Palma de Ouro em Cannes
Os vencedores da competição oficial pela Palma de Ouro de Cannes serão conhecidos na noite deste sábado (23). Nenhum filme se impõe como franco favorito. O francês "Notre Salut" ("Nossa Salvação") é a principal aposta da crítica francesa. Já a crítica internacional está dividida entre o japonês "Soudain", o americano "Paper Tiger", o polonês "Fatherland" e o russo "Minotauro". O espanhol "A Bola Negra" também é bastante citado.
Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Cannes
Na tabela realizada pela revista especializada Le Film Français, com a opinião de 15 críticos que cobrem o Festival de Cannes, "Notre Salut", de Emmanuel Marre, tem seis indicações à Palma de Ouro. O filme acompanha um colaborador do regime que se instala em Vichy, sede do governo durante a ocupação da França pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
Em segundo lugar na lista dos críticos franceses aparecem empatados "Minotauro", do russo Andrei Zviaguintsev, que tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo, e "Paper Tiger", do americano James Gray, produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, sobre dois irmãos envolvidos com a perigosa máfia russa em Nova York, nos anos 1980.
O crítico suíço Patrick Straumann, do site Journal21 e do jornal NZZ, concorda que "Notre Salut" é uma produção marcante.
"O filme do diretor francês Emmanuel Marre volta à história do século 20 e conta, com uma linguagem cinematográfica inovadora, a vida de um funcionário colaborador", afirma em entrevista à RFI.
Crítica internacional dividida
O ranking da revista britânica Screen Daily, que no passado antecipou com precisão vencedores da Palma de Ouro em Cannes, está dividido. Três filmes aparecem quase empatados. "Fatherland" ("Pátria"), do polonês Pawel Pawlikowski, sobre o retorno do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann à Alemanha em 1949, 16 anos depois de ter fugido do país controlado pelos nazistas, recebe a maior nota, 3,3 sobre 4. Em segundo lugar está "Minotauro", com 3,2, e em terceiro "Soudain" ("De Repente"), do japonês Ryusuke Hamaguchi, com 3,1.
"Soudain" merece, segundo o crítico Robert Sender, da revista Prima e do jornal Actualités Juives, a Palma de Ouro "por sua postura, constante gentileza e atuação marcante dos protagonistas". Rodado na França, mas em japonês, o longa conta a história da amizade entre uma diretora de um lar de idosos e uma dramaturga japonesa que luta contra um câncer.
Patrick Straumann avalia que a falta de um franco favorito ou "candidato natural" à Palma de Ouro neste 79° Festival de Cannes é resultado da "seleção desta edição, que apresentou obras com perfis bastante diferentes".
Para o crítico brasileiro e editor-chefe do portal Omelete, Guilherme Jacobs, este ano "a seleção de Cannes entregou exatamente" o que se esperava.
"Vários dramas de autores europeus, uma grande quantidade de filmes sobre períodos de guerra. Acho que foi uma seleção que, apesar de ter bons filmes, faltou ter obras um pouco mais diferentes", avalia.
Entre os filmes mais audaciosos, Jacobs destaca "Hope", do sul-coreano Na Hong-jin, que provocou "uma quebra de expectativa e de ritmo", mas não é "o melhor filme" da competição. Para o crítico brasileiro, o destaque da seleção é "Fjord", do romeno Cristian Mungiu.
"Um drama religioso, cultural e social que não deixa saída fácil para ninguém (...), que reflete bem uma realidade cada vez mais polarizada e sem saída", ressalta. Mas "Fjord" não é a aposta do editor-chefe do Omelete à Palma de Ouro. Guilherme Jacobs acredita que "Minotauro" vai levar o prêmio máximo do Festival de Cannes este ano.
O suspense termina na noite deste sábado, quando o júri presidido pelo sul-coreano Park Chan-wook irá revelar os vencedores desta edição.
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