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Espólio de Michael Jackson é processado por tráfico de crianças por irmãos que alegam mais de uma década de abuso

Os irmãos Cascio afirmam que receberam drogas e álcool, foram expostos à pornografia e sofreram abuso individual do astro do pop

2 mar 2026 - 13h21
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Quatro irmãos adultos que afirmam que Michael Jackson os abusou quando eram menores entraram com um bombástico processo por tráfico sexual infantil contra o espólio do falecido músico.

Michael Jackson em 2006
Michael Jackson em 2006
Foto: Stephane Cardinale / Corbis via Getty Images / Rolling Stone Brasil

A nova queixa, apresentada na sexta, 27, em um tribunal federal de Los Angeles, ocorre um mês depois de os irmãos — Frank, Dominic, Marie-Nicole e Aldo Cascio — terem comparecido a um tribunal em Beverly Hills no contexto de uma tentativa relacionada de anular um acordo financeiro com o espólio de Jackson que, segundo eles, era "um acordo ilegal para silenciar vítimas de abuso sexual na infância". Representantes do espólio pediram ao tribunal que encaminhasse as partes à arbitragem, mas a juíza adiou uma decisão final e marcou uma audiência de acompanhamento para quinta, 5.

"Michael Jackson era um predador serial de crianças que, ao longo de mais de uma década, drogou, estuprou e agrediu sexualmente cada um dos autores, começando quando alguns tinham apenas sete ou oito anos", afirma o processo de 23 páginas, obtido pela Rolling Stone EUA. A petição alega que os abusos ocorreram por períodos prolongados, em vários locais ao redor do mundo, inclusive durante visitas em que Jackson e seus filhos se hospedavam na casa da família dos irmãos.

A queixa afirma que Jackson "seduziu e fez lavagem cerebral", nos irmãos usando sua riqueza, posição de celebridade e rede de funcionários e conselheiros. Segundo o processo, Jackson conheceu os irmãos e a irmã por meio do pai deles, que trabalhava em um hotel de luxo que Jackson visitava com frequência. Depois de conquistar a confiança da família com presentes, declarações de afeto e atenção constante, Jackson teria isolado as crianças de adultos responsáveis, oferecido drogas e álcool, exposto as vítimas à pornografia e, então, abusado delas individualmente.

"Este processo é uma tentativa desesperada de arrancar dinheiro por parte de outros membros da família Cascio, que pegaram carona com o irmão Frank, que já está sendo processado em arbitragem por extorsão civil. A família defendeu Michael Jackson com firmeza por mais de 25 anos, atestando sua inocência quanto a conduta imprópria", disse Martin Singer, advogado do espólio de Jackson, em declaração à Rolling Stone EUA. "Este novo protocolo judicial é uma tática transparente de escolha oportunista de foro, no esquema deles para obter centenas de milhões de dólares do espólio e das empresas de Michael."

Segundo o novo processo, Jackson teria agredido sexualmente Edward durante viagens interestaduais e internacionais, incluindo paradas ligadas à Dangerous World Tour, visitas à casa de Elizabeth Taylor na Suíça e à residência de Elton John no Reino Unido, além de seu Rancho Neverland, no condado de Santa Barbara.

Dominic afirma ter sido abusado na Flórida, Nova Jersey, Nova York, França e África do Sul, inclusive durante a HIStory World Tour, no Rancho Neverland e na casa da família Cascio em Nova Jersey. Aldo sustenta que foi agredido durante viagens internacionais, no Rancho Neverland, em Nova York, na residência da família, e em gravações de vídeo e sessões de estúdio. Marie-Nicole afirma ter sido agredida durante viagens semelhantes, inclusive no Rancho Neverland, na casa da família e em Nova York, Las Vegas e Flórida. A petição também afirma que Jackson tentou agredir Marie-Nicole no Bahrein.

A família Cascio já se referiu a si mesma como a "segunda família" de Jackson em entrevistas à imprensa. Eles estiveram entre seus defensores durante o julgamento criminal, que terminou com absolvição das acusações de abuso sexual de crianças em 2005. Jackson chegou a fazer um acordo em um outro processo civil em 1994, mantendo sua inocência. Após a morte de Jackson em 2009, Wade Robson, coreógrafo e diretor, e James Safechuck, escritor, ator e diretor, vieram a público com alegações de que Jackson os molestou nas décadas de 1980 e 1990, às vezes durante pernoites no Rancho Neverland. Eles detalharam as acusações no documentário Leaving Neverland (2019). Segundo os irmãos Cascio, o documentário os levou a encarar e compartilhar suas experiências também.

Falando em tribunal no mês passado, Singer disse que representantes do espólio de Jackson "contestam categoricamente" as acusações dos irmãos. Ele afirmou que as alegações estavam ligadas a uma "exigência de extorsão de US$ 213 milhões no verão passado". Em sua declaração emitida na sexta-feira, Singer disse que os irmãos viram "o sucesso financeiro do espólio crescer" e "ameaçaram tornar públicas acusações hediondas que contradiziam completamente suas declarações anteriores defendendo Michael, a menos que o espólio pagasse somas astronômicas".

O novo processo, assinado pelo advogado Howard King em nome dos irmãos, inclui acusações de tráfico sexual infantil, negligência, imposição intencional de sofrimento emocional, quebra de contrato, contratação negligente e fraude. Busca-se que um julgamento determine indenizações compensatórias e punitivas.

"Ignorando as ameaças do espólio de Michael Jackson de ruína financeira e diante das falsas acusações públicas do espólio de extorsão e mentira, os Cascios decidiram não permanecer em silêncio por mais tempo", disse King em declaração à Rolling Stone EUA na sexta. "Eles não apenas buscam uma compensação justa por mais de uma década de abuso contra uma família inteira, como esperam que a ação encoraje outras vítimas e facilitadores a se manifestarem e a se libertarem das amarras do silêncio".

Jackson tinha 50 anos quando morreu de uma overdose acidental do anestésico propofol, com potência de uso cirúrgico, em sua mansão alugada em Los Angeles, em 25 de junho de 2009. Desde então, seu espólio tem sido extremamente bem-sucedido em ganhar dinheiro com sua música e legado. Após anos de atraso, uma cinebiografia sobre a vida do cantor finalmente deve chegar aos cinemas em abril.

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