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'Mal de Família' mistura suspense com a força da união feminina

Na trama, quando morre de forma misteriosa o odioso cunhado das irmãs Garvey, o público fica do lado das suspeitas

28 dez 2022 - 05h10
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Sharon Horgan costuma usar experiências pessoais em suas criações, como as séries Catastrophe, Divorce e Shining Vale. Mas, embora ela seja uma de cinco filhos, e sua série Mal de Família, ou Bad Sisters, fale sobre cinco irmãs, desta vez se trata de uma adaptação em inglês de uma produção belga. Mas ela se identificou muito com as irmãs Garvey.

"Eu adoro quando elas estão juntas, como em uma tribo. Parece muito quando eu estou com meus irmãos e irmãs, nós somos a festa. Aqui, também, você quer passar tempo com essas mulheres", disse a criadora, roteirista e atriz, em entrevista ao Estadão. A primeira temporada da elogiada série está no ar no Apple TV+.

As irmãs Garvey são Eva (Horgan), Grace (Anne-Marie Duff), Ursula (Eva Birthistle), Bibi (Sarah Greene) e Becka (Eve Hewson). "Foi muito bacana ter essas cinco mulheres em diferentes estágios de feminilidade. Cada uma tem uma história própria", disse Horgan. Para Anne-Marie Duff, foi uma delícia trabalhar em um projeto assim. "Cada uma tem suas maravilhas e defeitos. Não tema a irmã maluquinha, a irmã mandona. Ainda é raro termos cinco mulheres juntas, fora o time atrás das câmeras", afirmou em entrevista ao Estadão.

Mas a história das irmãs Garvey não é somente uma comédia sobre o relacionamento íntimo e complexo entre cinco irmãs. Mal de Família é um "quem matou". O morto, no caso, é o cunhado de Eva, Ursula, Bibi e Becka, o odiável John Paul (Claes Bang, de The Square), marido da submissa Grace.

"No centro dessa comédia há um casamento abusivo", disse Anne-Marie Duff. "As irmãs querem salvar Grace, que se perdeu, não sabe mais quem é. Ela desistiu de muitas coisas por causa desse casamento." Perdeu, inclusive, o respeito da filha, Blanaid (Saise Quinn). "É muito forte quando a menina questiona sua falta de reação em relação às coisas que o pai diz e faz. Muito mais do que quando as irmãs falam algo", disse a atriz. "Como mãe, não sei como me sentiria se ouvisse meu filho chamando a minha atenção, ou potencialmente tendo vergonha de mim."

Quando o sujeito morre, Eva, Ursula, Bibi e Becka mal podem esconder sua felicidade. Pior: é possível que tenham algo a ver com o ocorrido. A grande sacada da série é que o espectador torce para que elas tenham mesmo. "Não é por acaso que Claes Bang interpretou o Drácula em seu trabalho anterior", disse Duff, referindo-se à minissérie protagonizada pelo ator dinamarquês. "Ele faz aqui um vampiro que suga a energia vital de Grace. Ele é irredimível, mas tem de ser assim porque o público precisa odiá-lo."

Nem todos os homens de Mal de Família são como John Paul, um homem que ninguém gostaria de ter na festa de Natal. Os irmãos Thomas (Brian Gleeson) e Matthew (Daryl McCormack) Claffin, investigadores de seguros que ficam no pé das irmãs Garvey, tentando descobrir se houve algo não natural na morte do cunhado delas, têm seus conflitos próprios e razões financeiras para importunar as cinco. O vizinho da frente de John Paul e Grace, Roger (Michael Smiley), é um tanto carente, mas adorável, sempre disposto a ajudar.

Por isso, Horgan espera que sua série, mesmo tendo cinco protagonistas femininas, atraia uma audiência plural. "A indústria decidiu que os homens não veem histórias encabeçadas por mulheres", disse. "Mas acho que está mudando porque há muitas séries e filmes sendo produzidos por mulheres, com pontos de vista diferentes. Depois de várias versões de Homem-Aranha, finalmente temos Capitã Marvel. Demorou, mas parece que os homens estão mais dispostos a assistir, mesmo se a personagem principal é mulher."

Parece ter dado certo. Mal de Família entrou em diversas listas de melhores do ano e já foi renovada para uma segunda temporada.

Estadão
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