'Salve Geral: Irmandade' funciona também para quem não viu a série, garantem atrizes
Rolling Stone Brasil conversou com as protagonistas Naruna Costa e Camilla Damião sobre o spin-off de Irmandade, o primeiro de uma produção brasileira da Netflix
Salve Geral: Irmandade, primeiro spin-off derivado de uma série brasileira da Netflix, chega ao streaming a partir desta quarta-feira, 11, com a missão de ampliar o universo criminal e dramático apresentado em Irmandade, mas também de se sustentar como obra própria para quem nunca teve contato com a produção original.
Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, as atrizes Naruna Costa (Beleza Fatal) e Camilla Damião (Marte Um) falaram sobre a responsabilidade de continuar a história, construção da relação entre elas e os desafios dos intensos planos-sequência do filme. Confira a seguir:
Representatividade e admiração entre a dupla
Para Naruna Costa, que vive Cristina desde o início da série, a experiência de levar a personagem para o cinema carrega um peso artístico e simbólico particular. A atriz destaca que retornar a uma figura já conhecida do público traz responsabilidade, mas também profundidade rara na carreira. "Construir uma personagem que tem tanto tempo de vida, tanto tempo de tela, é um presente. Poder fazer uma caminhada de uma história com essa profundidade é um ganho enorme enquanto artista", afirma.
Naruna também ressalta o impacto dessa continuidade em termos de representatividade. "Enquanto artista negra, que luta por presença com qualidade e subjetividade, é muito feliz saber que inauguramos essa continuidade de histórias de série no cinema", diz, apontando ainda que o filme tem força própria: "A história pode ser contada agora, inclusive, independente da série".
Camilla Damião, que entra no universo como Elisa, sobrinha de Cristina, o movimento foi diferente — mas igualmente marcante. A atriz conta que se apoiou na bagagem dramática já construída pela série para desenvolver sua personagem.
"Usei muito da potência dos personagens que já existiam pra construir a Elisa, busquei essa memória corporal na Naruna, no Seu Jorge [protagonista de Irmandade], no próprio universo da série", explica. Ela também enxerga o projeto como um marco. "Esse lugar de ser o primeiro spin-off é histórico e é bonito fazer parte da história, escrever história".
No centro do filme está justamente a relação entre Cristina e Elisa, cuja dinâmica emocional sustenta a narrativa. Naruna relembra que o vínculo foi construído desde a preparação, conduzida pela preparadora Larissa Mauro.
"Foi um trabalho de formiguinha. A gente não se conhecia pessoalmente e precisava criar algo intenso pra correr juntas o filme inteiro", conta. A atriz destaca que o processo ultrapassou o campo técnico. "Teve um reconhecimento enquanto mulheres, enquanto artistas, coisas que dividimos pra além da sala de ensaio".
A exigência formal do longa também fortaleceu essa conexão. "É um filme com muitos planos-sequência, então tivemos muito ensaio técnico. A gente desenhou cada cena e viveu momentos muito intensos". O resultado, segundo ela, foi além da tela: "Ganhei uma grande amiga que vou agradecer a esse filme sempre".
Camilla reforça que a admiração foi motor essencial da parceria. "Estar ao lado de alguém que eu admiro e em quem me vejo é muito potente pro meu processo criativo". A convivência diária consolidou a cumplicidade vista em cena. "A gente confiava uma na outra de verdade, e levar uma amiga pra vida também foi um presente".
A preparação para os planos-sequência
Se a carga emocional já era grande, o desafio físico elevou ainda mais o nível da produção, especialmente por causa dos longos planos-sequência — incluindo uma abertura que se estende por cerca de dez minutos. Camilla descreve a experiência como extrema. "Foi adrenalina total. Fiz preparação física, muita esteira, porque são muitas cenas correndo".
A atriz, que vem da dança, buscou novos recursos corporais, incluindo "aula de apneia para a cena da banheira". Ela lembra que cada movimento era milimetricamente calculado. "Cada movimento é uma câmera diferente, então a gente tinha que estar sempre muito ensaiada". Apesar do desgaste, celebra: "É repetição, correr muitas vezes… mas é prazeroso ver que você se superou".
Para Naruna, o recurso técnico trouxe uma sensação próxima ao teatro. "Parecia que eu estava fazendo uma cena teatral, pela coreografia e continuidade, sem perder o fio da meada". A atriz também se impressionou com a engrenagem coletiva necessária para que os planos funcionassem. "Se todo mundo não estiver junto, não vai. A câmera vai, volta, mil coisas acontecem; é um balé". Ela destaca ainda que o método fortaleceu o espírito de equipe. "Todo mundo tem que correr junto: fotografia, luz, maquinaria… isso trouxe um senso de equipe muito forte".
Qual é a história de Salve Geral: Irmandade?
Em Salve Geral: Irmandade, os membros da Irmandade enfrentam um momento crítico quando a transferência dos principais líderes para presídios de segurança máxima ameaça o equilíbrio do grupo. Elisa, filha de Edson (Seu Jorge, Marighella), fundador da Irmandade, é uma jovem de 18 anos criada à margem do crime e sequestrada por policiais corruptos.
Enquanto sua tia Cristina tenta resgatá-la, a facção ordena o Salve Geral, uma série de ataques violentos contra delegacias e forças de segurança, que mergulha a cidade de São Paulo no caos. Em meio a esse cenário, Elisa e Cristina enfrentam dilemas sobre justiça e violência em uma história que desafia as escolhas e os legados que moldam suas vidas.
Além de Naruna Costa, Seu Jorge e Camilla Damião, o elenco de Salve Geral: Irmandade ainda conta com David Santos (Estranho Caminho), Elzio Vieira (Sutura), Enio Cavalcante (Cangaço Novo), Hermila Guedes (O Agente Secreto), Lee Taylor (Salve Geral), Marcélia Cartaxo (Pacarrete), Stéfani Mota (DNA do Crime) e Samurai Cria.