Pandora comemora 30 anos com 13 clássicos do cinema e um filme inédito
A programação organizada pela distribuidora Pandora abre hoje com dois filmes e debates e segue até quarta, 18
Trinta anos esta noite. Não, não é o clássico que Louis Malle adaptou do romance de Drieu La Rochelle, com antológica interpretação de Maurice Ronet. A distribuidora Pandora, criada por André Sturm, está completando 30 anos. Surgiu em 1989, e seu dono reflete: "Nesses 30 anos, pude realizar meu sonho de quando comecei - trazer para o Brasil o que de melhor era produzido no cinema mundial e relançar cópias restauradas de alguns dos maiores clássicos".
Para comemorar seu aniversário, a Pandora está promovendo uma programação que fará a festa dos cinéfilos. À frente da distribuidora e do Cine Belas Artes, que agora é Petra, Sturm traz, a preços especiais - R$ 18 e R$ 9 - e em cópias zero bala de 35 mm, 13 clássicos que Pandora lançou no Brasil, mais um filme inédito (sobre Adoniran Barbosa).
A programação começa nesta quinta, 12, e vai até quarta, 18. Nas sessões da noite, os filmes serão seguidos de debates. A seguir, a programação do primeiro dia.
Quinta, 12
14h
O Gosto dos Outros, de Agnès Jaouï, de 2002
Agnès e o então marido, Jean-Pierre Bacri, escrevem e interpretam, ela dirige. Começa num restaurante, na França interiorana. Um empresário comemora com amigos numa mesa. Seu motorista conversa com o segurança em outra. O empresário vai se envolver com uma atriz, que também será sua professora de inglês e a garçonete é amiga da atriz. Essa gente fala muito, diz coisas que parecem banais, mas desses encontros e desencontros emerge um retrato denso da França profunda. O filme fez grande sucesso e a diretora, que veio para o laçamento, tornou-se uma grande amiga do Brasil.
19 h
O Passageiro - Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni, de 1975
Após suas célebre trilogia da solidão e da incomunicabilidade no começo dos anos 1960 - A Aventura, A Noite, O Eclipse -, Antonioni partiu para o mundo e fez filmes na Inglaterra, nos EUA e na China. Esse confronta o protagonista, um repórter de TV, com a realidade política. Ele faz uma reportagem na África, mas está insatisfeito com tudo - a vida, o casamento, a profissão. Troca de identidade com um homem que morreu e, pela primeira vez, o repórter que é sempre testemunha da história parte para a ação. Só que Antonioni não acredita nisso. Seu filme não é um thriller, e leva a novo impasse. No desfecho, o cineasta realiza o maior 'tour de force' de sua carreira, um plano-sequência de quase dez minutos que ele levou 11 dias para filmar. Esse plano antológico carrega todo o sentido do filme, e do que Antonioni quer dizer sobre o próprio cinema.
A sessão será seguida de debate entre Inácio Araújo, crítico de cinema da Folha de S.Paulo, e Luiz Carlos Merten, do Estado. Diariamente, você encontrará aqui as informações sobre cada etapa da programação.