Martin Scorsese diz que 'temos que estar abertos' à IA no cinema
O cineasta renomado se tornou consultor da empresa de tecnologia Black Forest Labs
Martin Scorsese, cineasta renomado de filmes como Os Bons Companheiros (1990), Taxi Driver (1976) e O Lobo de Wall Street (2013), foi anunciado como "consultor" da empresa de tecnologia Black Forest Labs, especificamente no uso do programa de geração de imagens FLUX. "Scorsese passou seis décadas dando vida a histórias. Agora, ele está nos ajudando a moldar a inteligência visual", diz o site da empresa.
O site também exibe um vídeo do diretor falando sobre a colaboração. "Há 70 anos que crio os meus próprios storyboards", começa. O storyboard é como um guia visual que mapeia a narrativa do filme cena a cena, planejando enquadramentos, ângulos de câmera, posicionamento dos atores e cenários antes das filmagens.
"Sempre houve este problema de como comunicar o que se vê na cabeça ao elenco e à equipe. Há coisas que é preciso ver e sentir", continua. "Me interessa a intersecção entre a tecnologia e a narrativa, e ver como isso pode expandir os limites da criatividade para criar experiências mais profundas e ricas para o público."
A Inteligência Artificial é um tema polêmico nas artes devido ao seu risco de substituir o processo criativo humano. Entretanto, Scorsese ressalta que já adotou novas tecnologias anteriormente, e que é necessário estar "aberto" à evolução natural da produção cinematográfica.
"Lembrem-se, o cinema é uma mídia jovem, com apenas cerca de 125 anos, então temos que estar abertos a como ele pode evoluir", disse. "Utilizei o 3D com A Invenção de Hugo Cabret (2011) e a tecnologia de rejuvenescimento digital para O Irlandês (2019)."
Agora, com essa ferramenta, consigo compartilhar minhas visualizações de forma mais clara e eficiente com minha equipe criativa — o diretor de arte, o designer de produção e o diretor de fotografia — para que eles possam desenvolver a partir delas e enriquecer a inteligência cinematográfica. Recentemente, testei isso em uma cena e a capacidade de visualizar e compartilhar o storyboard imediatamente foi libertadora em termos criativos. Durante o processo de pré-produção, tempo é dinheiro, e isso nos permitiu avançar mais rápido sem sacrificar a qualidade ou o acabamento.
Recentemente, Val Kilmer, que morreu em 2025, foi trazido de volta às telas para o longa As Deep as the Grave, através de inteligência artificial generativa. Essa é apenas um das aplicações recentes da tecnologia, que está em expansão cotidianamente.
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