Javier Bardem diz que artistas contrários aos apoiadores da Palestina serão expostos
Ator afirmou em Cannes que artistas que tentam silenciar colegas por posicionamentos políticos "sofrerão as consequências"
O ator Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) afirmou que artistas e profissionais de Hollywood que tentam silenciar ou retaliar colegas por se manifestarem sobre a Palestina acabarão sendo expostos publicamente. A declaração foi dada durante o Festival de Cannes, onde o ator divulga o filme The Beloved.
Conhecido por seu posicionamento político, Bardem comentou sobre o medo de sofrer consequências na indústria por condenar a guerra em Gaza e defender publicamente a Palestina. Segundo o ator, o receio existe, mas não pode impedir alguém de se posicionar.
"Você precisa conseguir olhar para si mesmo no espelho", declarou o espanhol, lembrando que foi educado pela mãe a agir de acordo com suas convicções. Ele acrescentou estar preparado para enfrentar qualquer consequência decorrente de suas opiniões.
Durante a conversa, Bardem afirmou acreditar que Hollywood está mudando sua postura diante de artistas que se manifestam politicamente. O ator citou a nova geração como peça fundamental nesse processo, dizendo que jovens profissionais estão mais conscientes das questões humanitárias e acompanham os acontecimentos em tempo real pelas redes sociais e telas de celulares.
Para ele, o cenário atual é o oposto do que acontecia anteriormente. "Aqueles que elaboram as chamadas listas negras serão expostos", afirmou. "Serão eles que sofrerão as consequências em nível público e social. Essa é uma grande mudança."
As declarações surgem poucos meses após a atriz Susan Sarandon (Thelma e Louise) afirmar que teria sido colocada em uma lista de boicote após defender um cessar-fogo em Gaza em 2023. O ator espanhol também comentou a situação humanitária em Gaza, classificando o conflito como genocídio. "Você pode lutar contra essa definição, tentar justificá-la ou explicá-la. Mas, se você a justifica com seu silêncio ou apoio, então é pró-genocídio", declarou.
Em setembro do ano passado, uma comissão das United Nations afirmou ter encontrado evidências de genocídio cometido por Israel em Gaza. A presidente da comissão, Navi Pillay, declarou na época que havia intenção de destruir a população palestina em Gaza por meio de ações que atenderiam aos critérios da Convenção sobre Genocídio.
Israel, por sua vez, rejeita repetidamente as acusações de genocídio e nega a prática de crimes de guerra. O governo israelense sustenta que suas operações militares são atos legítimos de autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.100 mortos e cerca de 250 pessoas sequestradas.
As falas de Bardem também repercutem após o ator esclarecer seu apoio ao grupo Film Workers for Palestine. Ele integra uma lista de artistas que inclui Olivia Colman, Mark Ruffalo, Tilda Swinton e Ayo Edebiri, que prometeram não colaborar com instituições israelenses durante o conflito.
Segundo o ator, o movimento não defende discriminação contra indivíduos por nacionalidade, religião ou raça, mas busca responsabilizar empresas e instituições consideradas cúmplices da guerra e da ocupação de territórios palestinos.
Fonte: NME
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