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Javier Bardem diz que artistas contrários aos apoiadores da Palestina serão expostos

Ator afirmou em Cannes que artistas que tentam silenciar colegas por posicionamentos políticos "sofrerão as consequências"

19 mai 2026 - 14h51
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O ator Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) afirmou que artistas e profissionais de Hollywood que tentam silenciar ou retaliar colegas por se manifestarem sobre a Palestina acabarão sendo expostos publicamente. A declaração foi dada durante o Festival de Cannes, onde o ator divulga o filme The Beloved.

Javier Bardem diz que artistas de Hollywood contra apoiadores da Palestina serão expostos (Andreas Rentz Getty Images)
Javier Bardem diz que artistas de Hollywood contra apoiadores da Palestina serão expostos (Andreas Rentz Getty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

Conhecido por seu posicionamento político, Bardem comentou sobre o medo de sofrer consequências na indústria por condenar a guerra em Gaza e defender publicamente a Palestina. Segundo o ator, o receio existe, mas não pode impedir alguém de se posicionar.

"Você precisa conseguir olhar para si mesmo no espelho", declarou o espanhol, lembrando que foi educado pela mãe a agir de acordo com suas convicções. Ele acrescentou estar preparado para enfrentar qualquer consequência decorrente de suas opiniões.

Durante a conversa, Bardem afirmou acreditar que Hollywood está mudando sua postura diante de artistas que se manifestam politicamente. O ator citou a nova geração como peça fundamental nesse processo, dizendo que jovens profissionais estão mais conscientes das questões humanitárias e acompanham os acontecimentos em tempo real pelas redes sociais e telas de celulares.

Para ele, o cenário atual é o oposto do que acontecia anteriormente. "Aqueles que elaboram as chamadas listas negras serão expostos", afirmou. "Serão eles que sofrerão as consequências em nível público e social. Essa é uma grande mudança."

As declarações surgem poucos meses após a atriz Susan Sarandon (Thelma e Louise) afirmar que teria sido colocada em uma lista de boicote após defender um cessar-fogo em Gaza em 2023. O ator espanhol também comentou a situação humanitária em Gaza, classificando o conflito como genocídio. "Você pode lutar contra essa definição, tentar justificá-la ou explicá-la. Mas, se você a justifica com seu silêncio ou apoio, então é pró-genocídio", declarou.

Em setembro do ano passado, uma comissão das United Nations afirmou ter encontrado evidências de genocídio cometido por Israel em Gaza. A presidente da comissão, Navi Pillay, declarou na época que havia intenção de destruir a população palestina em Gaza por meio de ações que atenderiam aos critérios da Convenção sobre Genocídio.

Israel, por sua vez, rejeita repetidamente as acusações de genocídio e nega a prática de crimes de guerra. O governo israelense sustenta que suas operações militares são atos legítimos de autodefesa após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.100 mortos e cerca de 250 pessoas sequestradas.

As falas de Bardem também repercutem após o ator esclarecer seu apoio ao grupo Film Workers for Palestine. Ele integra uma lista de artistas que inclui Olivia Colman, Mark Ruffalo, Tilda Swinton e Ayo Edebiri, que prometeram não colaborar com instituições israelenses durante o conflito.

Segundo o ator, o movimento não defende discriminação contra indivíduos por nacionalidade, religião ou raça, mas busca responsabilizar empresas e instituições consideradas cúmplices da guerra e da ocupação de territórios palestinos.

Fonte: NME

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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