Godard recebe Oscar pela carreira neste sábado em LA
O cineasta Jean-Luc Godard, personalidade polêmica nos Estados Unidos por seu posicionamento sobre Israel e os judeus, receberá neste sábado (13) em Los Angeles um Oscar pelo conjunto de sua obra, mas ele já avisou que não comparecerá à solenidade, numa cidade onde os cinéfilos veneram sua herança.
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O ícone da Nouvelle Vague, que completará 80 anos em dezembro, será homenageado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas durante a entrega dos Governors Awards, ao lado de Francis Ford Coppola e do ator Eli Wallach.
Após hesitação de vários meses, o cineasta pôs fim ao suspense no final de outubro, anunciando que não iria pegar sua estatueta em Los Angeles, sem dar o motivo. Uma polêmica sobre sua presença havia sido levantada em meados de outubro, num artigo divulgado na primeira página do Jewish Journal, intitulado "Jean-Luc Godard é antissemita?".
A publicação americana enumerou, então, múltiplas controvérsias desencadeadas pelo cineasta, antissionista assumido e defensor da causa palestina, que incluiu em seu documentário Aqui e lá (1976) imagens de Hitler e da antiga primeira-ministra de Israel Golda Meir.
Os fãs do cineasta lotaram na quarta-feira (10) à noite a projeção de Film Socialisme durante o festival do American Film Institute (AFI Fest) em Hollywood. "Godard é um cineasta brilhante que sempre tem algo de interessante para dizer e para passar na tela", declarou à AFP Kirk Stricker, professor de ioga. Citando de memória toda a filmografia do cineasta, ele confessou sua fascinação por "sua estética, seus pontos de vista políticos, a mistura de palavras e imagens, palavras e música, palavras e silêncio".
Julio Perez, jovem editor e diretor, garantiu, por sua vez, ter ficado "hipnotizado" com O acossado (A bout de souffle - 1960). "Tento ver um filme uma vez por ano, é como uma peregrinação cinematográfica. Godard ousa, ele é radical, suas ideias são libertadoras e excitantes para os diretores", disse.