Oscar: 5 concorrentes de 'O Agente Secreto' na disputa de Melhor Filme Internacional
Recheada de candidatos premiados, categoria de melhor filme internacional promete ser acirrada no Oscar 2026
Decidida a escolha de O Agente Secreto para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, é hora de olhar para como se desenha a categoria para a próxima edição do prêmio. O filme de Kleber Mendonça Filho aparece cotado entre os favoritos à indicação de acordo com especialistas, mas há outros concorrentes de peso que prometem dar trabalho e agitar a disputa. Conheça quais.
Vencedor do Grand Prix do Festival de Cannes 2025, a segunda maior honraria da mostra competitiva, o longa que representa a Noruega é do badalado diretor Joachim Trier, cineasta da Trilogia de Oslo — formada por Reprise (2006), Oslo, 31 de Agosto (2011) e A Pior Pessoa do Mundo (2021), que concorreu ao Oscar, mas perdeu para o japonês Drive My Car. Em seu novo longa, ele repete a parceria com a atriz Renate Reinsve, e também escala Stellan Skarsgård e Elle Fanning para o arco principal.
Na história, as irmãs Nora e Agnes reencontram o pai distante, Gustav, um diretor outrora renomado e que oferece a Nora, atriz de teatro, um papel no que ele espera ser seu filme de retorno. Quando Nora recusa, ela descobre que ele deu seu papel a uma jovem estrela de Hollywood, e as duas irmãs precisam encarar o relacionamento complicado com o pai enquanto lidam com uma estrela americana instalada bem no meio desta teia complexa.
O longa aparece entre os cotados para algumas das principais categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Internacional. No Brasil, será lançado pela Mubi.
It Was Just An Accident (França)
Do diretor iraniano Jafar Panahi, de Táxi Teerã e Sem Ursos, o vencedor da Palma de Ouro é uma coprodução França-Luxemburgo, e foi escolhido como o representante francês na disputa. O realizador, crítico ferrenho do governo iraniano, rodou o filme sem a permissão oficial das autoridades locais, tornando-o uma obra ilegal no país. Panahi já foi preso algumas vezes pelo governo do Irã, e é banido de fazer filmes por lá.
O filme acompanha um grupo de cidadãos que organizam uma vingança contra quem eles acreditam ter sido seu torturador. Confrontando o homem que eles julgam ser um sádico, eles enfrentam um dilema moral ao precisarem decidir o que fazer.
Sirât (Espanha)
O road-movie ambientado no deserto do Marrocos levou o prêmio do júri do Festival de Cannes. Nele, o realizador Oliver Laxe acompanha um pai e um filho que chegam a uma rave nas montanhas do Marrocos, em busca de Mar (filha e irmã), uma mulher que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis. Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles saem em busca da jovem, e precisam confrontar os próprios limites à medida que a esperança se esvai.
Distribuído no Brasil pela Retrato Filmes, o longa será a Sessão de Abertura da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
The Voice of Hind Rajab (Tunísia)
Após receber o apoio de astros como Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Alfonso Cuarón e Rooney Mara, que entraram como produtores, o longa tunisiano foi recebido com entusiasmo no Festival de Veneza, onde recebeu mais de 20 minutos de aplausos após a sessão de estreia. Embora fosse considerado favorito ao Leão de Ouro, ficou com o segundo prêmio, o Leão de Prata, numa decisão que foi considerada polêmica (e apolítica) do júri presidido por Alexander Payne.
Ambientado na Faixa de Gaza, o filme reconstrói os eventos em torno do assassinato da pequena Hind Rajab, de 6 anos, com quatro primos, os tios e dois paramédicos que foram ao socorro da família no dia 29 de janeiro de 2024. Presa em um carro que foi alvo de disparos israelenses, a menina ligou para os serviços de emergência e ficou por mais de uma hora na linha com voluntários da organização humanitária Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, pedindo ajuda para ela e a família. A cineasta Kaouther Ben Hania se baseou nesses registros para desenvolver o filme.
A Garota Canhota (Taiwan)
O primeiro filme solo da cineasta taiwanesa Tsou Shih-Ching é produzido por Sean Baker, diretor de Anora, com quem ela colabora frequentemente. Premiado em uma mostra paralela do Festival de Cannes, o longa distribuído pela Netflix acompanha uma mulher e suas duas filhas, que se mudam para Taipé e abrem uma barraca em um mercado noturno, tentando se adaptar à nova vida e manter a família unida.