'Deixando Neverland': Diretor explica por que documentário sobre Michael Jackson deixou a HBO
Dan Reed entrou em contato com publicação norte-americana para falar sobre o caso
Disponibilizado por seis anos nas plataformas da HBO, o documentário Deixando Neverland, que analisa as acusações de pedofilia levantadas contra Michael Jackson ao longo das últimas décadas, já não está mais disponível por meios legais. Dan Reed, diretor do longa que comparou o Rei do Pop a Jeffrey Epstein, afirmou em entrevista recente que a retirada do título do streaming se deve a um acordo feito entre o artista e a emissora nos anos 1990.
Em contato com o Hollywood Reporter, Reed afirmou que, em 1992, a HBO fechou um contrato com Jackson para a transmissão de um show em Budapeste, na Hungria. Segundo ele, o contrato inclui uma cláusula que foi ativada pelo espólio do músico nos meses que antecederam o lançamento de Michael, cinebiografia lançada mundialmente em abril.
"O contrato tinha uma cláusula de não-difamação. O espólio argumentou que essa cláusula, que diz que '[a HBO] não pode dizer nada de ruim sobre Michael', se aplica a qualquer coisa que a HBO produzisse no futuro — o que é claramente ridículo", afirmou o diretor. "De alguma forma, o espólio conseguiu persuadir a HBO a assinar um acordo amigável e, isso envolveu, depois de seis anos na plataforma, retirar Deixando Neverland do catálogo."
Reed afirmou que, apesar de não estar mais disponível na HBO, o documentário poderá voltar a circular em outras plataformas no futuro. "A HBO só tem a licença [de exibição e distribuição] até 2029. Então, depois disso, posso revendê-la e disponibilizá-la novamente."
O diretor ainda lembrou que a sequência de 2025, Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson, foi lançada de forma "insatisfatória" no YouTube.
Na mesma entrevista, Reed criticou os nomes por trás de Michael, incluindo o diretor Antoine Fuqua, que acusou as pessoas responsáveis por Deixando Neverland e seus retratados de tentar extrair dinheiro do espólio de Jackson. "Para mim, todas as pessoas neste filme estão fazendo caixa."
"Como é possível contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem nunca mencionar o fato de que ele foi acusado seriamente de ser um abusador de crianças?", questionou o documentarista. "Se alguém está ganhando dinheiro, é o espólio de Michael Jackson e as pessoas que trabalharam nessa cinebiografia. Wade [Robson] e James [Safechuck], protagonistas de Deixando Neverland, nunca ganharam um centavo com suas acusações. As pessoas parecem não entender que, quando você levanta um processo, não ganha nenhum dinheiro até a vitória na Justiça. E, quando você vence o processo, isso significa que você comprovou suas acusações, certo?"
Sobre a mudança de versões trazidas por Robson, que foi uma das principais testemunhas da defesa no julgamento que declarou Jackson inocente em 2005, mas acusou o cantor em Deixando Neverland, aconteceu porque ele "não conseguia mais defender seu abusador".
"O preço de [falar a verdade] é enorme. Você precisa dizer aos seus pais que mentiu para eles. Seu mundo todo entra em colapso. Essa parte de Deixando Neverland é sobre isso: quando pessoas revelam essas verdades, seus mundos se partem, e isso não é algo que as pessoas fazem em vão."
O diretor afirmou ainda que mantém contato com Robson e Safechuck e que pretende produzir um terceiro ato de Deixando Neverland no futuro sobre o julgamento que acontecerá após as acusações levantadas no documentário. Ele afirmou ainda que recebeu ameaças de morte de fãs de Jackson, dizendo que tais mensagens fazem parte do "pacote de louvor" ao cantor.
"[Os fãs de Jackson] se convenceram desta figura pura, quase divina e transcendente de um gênio infantilizado sem qualquer identidade sexual (...) e se identificaram com isso", afirmou Reed, dizendo ainda que o discurso do Rei do Pop de "não ter tido uma infância" serviu para justificar sua convivência com crianças e encobrir seus crimes.
"Conviver com crianças é algo lindo. Mas, quando o sol se pôr, devolva-as aos pais, não as leve ao seu quarto e tranque a porta", concluiu.
Lançado pela HBO em 2019, nove anos após a morte de Jackson, Deixando Neverland levantava novas acusações de abuso contra o cantor. A sequência, de 2025, retrata o escrutínio da mídia acerca de Robson e Safechuck após suas alegações no documentário original e está disponível no YouTube.
Já Michael, cinebiografia do cantor, está em cartaz em cinemas por todo o Brasil. Estrelado por Jaafar Jackson e Colman Domingo, o longa explora a carreira de Jackson, de seu início com os irmãos no Jackson 5 até seu auge, no final dos anos 1980.
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