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Diretor de 'Deixando Neverland' diz que Michael Jackson era 'pior que Epstein'

Em entrevista ao 'The Hollywood Reporter', Dan Reed questiona omissões sobre acusações contra o cantor e explica por que documentário saiu da HBO

23 abr 2026 - 08h39
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'Deixando Neverland'
'Deixando Neverland'
Foto: Divulgação/Prime Video / Estadão

O diretor do documentário Leaving Neverland (Deixando Neverland, título em português) Dan Reed, voltou a provocar forte repercussão ao comentar o legado de Michael Jackson. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o cineasta afirmou que o cantor "era pior que Jeffrey Epstein" e criticou duramente a forma como sua história vem sendo retratada no cinema.

Responsável pelo documentário exibido em 2019, Reed também abordou a retirada do filme da HBO e questionou o sucesso de produções recentes sobre o artista. Para ele, há um movimento de apagamento das acusações de abuso sexual infantil que cercam Jackson há décadas.

'Não é possível contar essa história ignorando isso'

Durante a entrevista, Reed criticou diretamente a nova cinebiografia do cantor, dirigida por Antoine Fuqua, por não abordar as acusações que marcaram sua trajetória.

"Como é possível contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem jamais mencionar o fato de que ele foi seriamente acusado de abuso infantil?", questionou.

Para o diretor, produções recentes priorizam o entretenimento e o lucro, deixando de lado aspectos fundamentais da vida do artista. Ele também ironizou declarações do diretor do longa, afirmando que "todos os envolvidos estão apenas ganhando dinheiro fácil".

Declaração polêmica e acusações

O ponto mais controverso da entrevista veio quando Reed comparou Jackson ao financista Jeffrey Epstein.

"Esse cara era pior que Jeffrey Epstein", afirmou, ao comentar o comportamento do cantor e o impacto das acusações.

O diretor sustenta que sua conclusão foi baseada em anos de investigação. Segundo ele, ao iniciar o projeto, manteve uma postura cética, mas mudou de opinião após analisar relatos, documentos e registros judiciais.

"Comecei sendo cético e terminei convencido de que Wade e James tinham uma história real para contar", disse, referindo-se a Wade Robson e James Safechuck, protagonistas do documentário.

Em 'Deixando Neverland', Wade Robson (criança da foto) afirma ter sido abusado por Jackson na década de 1990
Em 'Deixando Neverland', Wade Robson (criança da foto) afirma ter sido abusado por Jackson na década de 1990
Foto: Divulgação/Prime Video / Estadão

Por que 'Deixando Neverland' saiu da HBO

Reed também explicou por que o documentário deixou o catálogo da HBO após anos disponível.

Segundo ele, a decisão foi resultado de um acordo judicial envolvendo o espólio de Michael Jackson. O diretor afirmou que herdeiros do cantor utilizaram um contrato antigo, assinado em 1992, que incluía uma cláusula de não difamação.

"Eles argumentaram que essa cláusula significava que a HBO não poderia dizer nada de negativo sobre Michael", disse Reed, classificando a interpretação como "ridícula".

Após negociações, a plataforma optou por retirar o documentário. Ainda assim, Reed afirmou que a obra poderá ser redistribuída futuramente, já que os direitos são limitados no tempo.

Impacto limitado e permanência do ídolo

Apesar da repercussão de Deixando Neverland, Reed reconhece que o impacto sobre a imagem de Michael Jackson foi menor do que o esperado.

"Diz que as pessoas não se importam", afirmou, ao comentar o aumento recente nos números de streaming do artista e o sucesso de produções como musicais e cinebiografias.

Para o diretor, há uma separação entre obra e artista por parte do público, além de um fenômeno de idolatria que dificulta qualquer questionamento. "É como uma religião. Eles o veem como uma figura pura, e qualquer crítica vira blasfêmia", declarou.

Entre legado, indústria e controvérsia

Reed também criticou a atuação da indústria e da imprensa, sugerindo que interesses econômicos influenciam a forma como a história de Jackson é contada.

Segundo ele, há "muito dinheiro a ser ganho" com produtos ligados ao artista, o que levaria parte do mercado a evitar temas mais sensíveis.

Ainda assim, o diretor afirma que não defende o "cancelamento" do cantor, mas acredita que o público deveria considerar todas as dimensões de sua trajetória.

"Se você vai curtir a música dele, também precisa considerar quem ele era", pontuou.

Estadão
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